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Mystic Falls, Virgínia – 2012

O dia em que uma mulher descobre que vai se tornar mãe devia ser mágico. Um momento cercado de alegria, de planos, de amor. A gravidez devia ser planejada, esperada... mas Amélia, com apenas dezenove anos, sentia o oposto disso.

Sentada no chão frio do banheiro, com os joelhos encolhidos contra o peito e os olhos presos no teste de gravidez em sua mão trêmula, ela se sentia pequena. Sozinha. Assustada. Duas linhas vermelhas. Tão simples, e ao mesmo tempo tão definitivas. Duas linhas que viraram o mundo dela do avesso.

O coração batia alto no peito, um som que preenchia o silêncio da casa. Lá fora, o mundo seguia, ignorando o caos que nascia dentro dela.

E dentro dela... havia uma vida. Um bebê. Um milagre. Um mistério.

Um pedaço de algo que ela ainda nem conseguia compreender completamente.

E o pai... o pai estava longe. Longe dela. Longe dessa realidade que agora era só dela. Ela se perguntou como ele reagiria. Se ele sentiria o mesmo medo, a mesma confusão. Ou se veria naquela notícia algo maior, uma esperança.

Amélia deixou o teste cair no chão e levou a mão até a barriga. Ainda não havia nada visível. Nenhuma mudança concreta. Mas havia uma presença. Algo sutil, como um calor morno crescendo bem no fundo. E por mais que o medo estivesse ali, se agarrando a cada pensamento, havia também uma certeza silenciosa, delicada, instintiva.

Ela já era mãe.

Não sabia como ia fazer. Nem se conseguiria ser forte o suficiente. Mas dentro do caos, havia uma pequena centelha de amor nascendo. E ela se agarrou a isso.

O mundo parecia ter parado ao redor de Amélia. O silêncio do banheiro era opressor, interrompido apenas pelo som abafado de sua respiração entrecortada e dos soluços que teimavam em escapar. As mãos tremiam quando ela olhou o teste novamente, como se ver aquelas duas linhas vermelhas pela centésima vez fosse mudar o resultado.

Mas não mudava. Ainda estava lá. Ainda era real.

— TYLER! TYLER!!! — a voz dela rasgou o ar, um grito vindo do fundo da alma.

Os passos apressados ecoaram no corredor. Tyler chegou até a porta em segundos, os olhos arregalados ao encontrar a irmã sentada no chão frio, o rosto inchado, os olhos marejados.

— O que houve, Amy? — ele se ajoelhou ao lado dela, a voz embargada de preocupação.

Ela não respondeu de imediato. Apenas estendeu a mão, revelando o teste de gravidez com a ponta dos dedos trêmula.

— Um teste... você tá...? — ele hesitou, como se as palavras doessem só de serem ditas.

— Sim. — a voz dela saiu baixa, rouca. — Eu não sei o que fazer, Ty.

Tyler ficou em silêncio por um instante, absorvendo a notícia. A mente dele girava em círculos, tentando buscar alguma lógica, alguma explicação. Mas nada fazia sentido.

— Quem é o pai? — ele perguntou, embora temesse a resposta.

— Elijah. — disse Amélia, encarando o irmão nos olhos.

— Não. Isso é impossível. — ele balançou a cabeça, negando instintivamente.

— Eu não transei com nenhum outro homem, Ty. — ela falou com firmeza, mesmo abalada. — É ele.

— Como isso é possível? — Tyler sussurrou, mais pra si mesmo.

— Ontem eu fui até a escola pra me despedir do Kol... Depois vi o Klaus. E quando estava voltando pra casa, fui abordada por uma mulher.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora