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Nova York – 2011

Elijah dirigiu para o aeroporto mais perto sem olhar para trás. Amélia permaneceu em silêncio durante todo o percurso, o rosto pálido encostado contra o vidro frio da janela. As lágrimas tinham secado, mas a dor ainda era crua, pulsante, como se tivessem arrancado um pedaço dela. Quando o avião pousou em Nova York, já era madrugada, e a cidade brilhava como um universo particular, indiferente ao luto que ela carregava.

Elijah a levou para um apartamento luxuoso no Upper East Side, uma de suas propriedades, discreta e afastada do olhar curioso de qualquer um que pudesse procurá-los.

Assim que entraram, ele acendeu algumas luzes baixas, tirou o casaco e olhou para Amélia, esperando que ela dissesse algo. Mas ela apenas caminhou em silêncio até o sofá, sentou-se com os joelhos juntos ao peito e ficou encarando o chão.

— Precisa de alguma coisa? — Elijah perguntou, a voz baixa, quase hesitante.

Amélia demorou a responder.

— Quero um banho. — murmurou por fim.

Ele apenas assentiu e desapareceu pelo corredor, voltando minutos depois para guiá-la até um quarto amplo e elegante, onde o banheiro já estava preparado.

O vapor do banho quente se misturava ao aroma amadeirado do sabonete caro, mas nada parecia capaz de arrancá-la daquele torpor. Ela entrou, fechou a porta e ficou parada ali, olhando o próprio reflexo no espelho. Os olhos estavam inchados, a pele sem vida, os ombros curvados como se o peso da perda fosse esmagá-la.

Enquanto a água escorria por seu corpo, as imagens se repetiam como um filme torturante. Tyler. Seu irmão. Morto. A última ligação, o som da voz dele falhando até sumir. Klaus queimando, desaparecendo diante de seus olhos. O grito preso na garganta, o vazio.

Quando saiu do banho, Elijah já havia deixado roupas confortáveis para ela sobre a cama. Ela se vestiu sem pensar muito e voltou para a sala, encontrando-o onde o deixara, encostado no balcão da cozinha, um copo de uísque na mão. Ele ergueu os olhos ao vê-la, mas não disse nada.

— E agora? — a voz dela soou rouca, frágil.

Elijah estudou seu rosto por um momento antes de responder.

— Agora, você descansa.

Ela soltou uma risada sem humor.

— Meu irmão morreu. Klaus morreu. Como eu simplesmente... descanso?

Ele não tinha resposta para isso.

— Então finja. — disse por fim, colocando o copo sobre o balcão e caminhando até ela. — Finja por um tempo. Até que se torne realidade!

Amélia queria contestar, mas estava cansada demais. Cansada de lutar contra a dor, contra ele, contra si mesma.

— Só por um tempo. — ela sussurrou.

[...]

Nos dias seguintes, Nova York continuou a girar ao redor deles, como se nada tivesse acontecido.

Amélia e Elijah desligaram os celulares e se isolaram do mundo. Ele fazia questão de garantir que ela comesse algo, mesmo que fossem apenas algumas mordidas.

Às vezes, ele saía e voltava com sacolas de lojas sofisticadas...roupas, sapatos, perfumes, como se pudesse distraí-la com coisas mundanas. Ela olhava para os itens, mas nunca se importava em abrir as caixas.

À noite, ele se sentava ao lado dela no sofá, sem tocar nela, sem pressioná-la a falar. Apenas ficava ali, uma presença silenciosa e sólida. Às vezes, ela deitava a cabeça sobre seu ombro e, por um instante, fingia que a dor não estava ali.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora