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Mystic Falls, Virgínia  – 2010

Os gritos agudos de Carol ecoavam pelos corredores vastos e decorados da mansão Lockwood, quebrando o silêncio habitual com uma intensidade que ressoava até os cômodos mais distantes. Amélia, que estava no andar de cima, sentiu o incômodo crescer à medida que a voz da mãe insistia em chamá-la.

— Amélia! Desça aqui, amor. — o tom firme de Carol mostrava que era algo importante. — Amélia!

Amélia, ainda um pouco desconcertada pelos acontecimentos recentes, franziu a testa. Ela respirou fundo, tentando manter a compostura enquanto descia as escadas rapidamente.

— Por que tantos gritos, mãe? — Amélia perguntou, a irritação escapando em sua voz enquanto tentava mascarar a inquietação que ainda sentia da noite anterior.

Carol, com um sorriso que apenas ela conseguia exibir em momentos de tensão, ignorou o tom da filha e fez um gesto convidativo em direção ao escritório.

— Gostaria que conhecesse uma pessoa. — Carol disse, a voz carregada de entusiasmo.

Amélia entrou no cômodo, os passos hesitantes, e parou abruptamente ao avistar Elijah no centro da sala. Sua presença era imponente e impecável, a figura que havia dominado seus sonhos e assombrado sua mente nos últimos meses. O ar parecia denso, carregado de uma tensão quase palpável, enquanto seus olhos o estudavam, absorvendo cada detalhe com uma mistura de curiosidade e desconfiança.

— Amélia, este é Elijah. — Carol apresentou, quase com orgulho. — Ele está fazendo uma pesquisa sobre Mystic Falls.

Amélia, ainda processando a presença dele, mal conseguiu responder.

— Oi. — foi tudo o que disse, quase um sussurro.

Carol continuou, animada, aparentemente alheia à tensão no ar.

— Elijah, esta é a minha filha, Amélia. Ela vai te ajudar com tudo que precisar. — completou, com aquele sorriso encorajador que sempre usava.

Elijah, com sua elegância inata, inclinou-se ligeiramente e envolveu a mão de Amélia, depositando um beijo suave no dorso enquanto seus olhos permaneciam fixos nos dela, profundos e intransigentes.

— É um prazer finalmente conhecê-la, Senhorita Lockwood. Sua mãe falou muito sobre você. — disse, sua voz baixa e envolvente.

Amélia sentiu um leve calor subir pelo rosto, mas manteve a expressão neutra.

— Amélia... — Carol chamou, percebendo o silêncio prolongado da filha. — Diga alguma coisa, querida.

— Claro, desculpe. — Amélia respondeu rapidamente, um sorriso sem graça se formando em seus lábios. — É um prazer conhecê-lo também.

— Vou organizar tudo para vocês começarem amanhã. — Carol disse, interrompendo a troca de olhares entre os dois.

— Muito obrigado por me permitir estar aqui, Carol. E Amélia, espero que possamos nos ver novamente em breve. — Elijah acrescentou, a cortesia habitual evidente em seu tom.

— É... claro. — Amélia respondeu, ainda tentando processar a presença do vampiro.

Assim que ele saiu, Amélia se voltou para a mãe, os olhos carregados de preocupação.

— Mãe, por que você chamou um homem estranho pra entrar? — Amélia questionou, preocupada que agora o vampiro, cujas intenções ela não entendia bem, tinha acesso a sua casa.

— Não há nada para se preocupar, querida. Ele é um cavalheiro. — Carol disse, minimizando a situação.

— Com licença, vou me arrumar para sair. — anunciou, subindo as escadas com passos rápidos. A lua cheia se aproximava, e ela precisava sair dali o mais rápido possível.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora