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Mystic Falls, Virgínia - 2012

O dia da formatura.
Para qualquer garota, deveria ser um marco alegre, um encerramento triunfante e uma celebração. Mas para Amélia Lockwood, não era nada disso.

Era apenas mais um lembrete cruel daquilo que foi tirado dela. Enquanto as outras garotas sonhavam com vestidos e selfies ao pôr do sol, Amélia pensava nos pais que não estariam lá para vê-la receber o diploma.

Nenhum sorriso orgulhoso. Nenhum abraço apertado.

Nenhum "estamos tão orgulhosos de você, filha".

Diante do espelho, ela ajustava lentamente a fita da beca. Os dedos estavam trêmulos, não por nervosismo, mas pela torrente de lembranças que insistia em invadir sua mente. Ela respirou fundo, tentando se recompor, quando uma batida leve soou na porta.

— Entra Ty! — ela disse sem desviar os olhos do reflexo.

A porta rangeu suavemente, e a voz que respondeu não era a que ela esperava.

— Eu não sou o Tyler. — disse Mason, com um meio sorriso nostálgico.

Amélia se virou de supetão, surpresa e emocionada. O tempo pareceu parar por um segundo, o ar ficou mais leve.

— Tio? Como? — ela exclamou, e antes que pudesse pensar, correu até ele, o abraçando forte, como se precisasse garantir que ele estava mesmo ali.

— Sua amiga bruxa tirou o véu do lugar, então todos os seres sobrenaturais mortos estão soltos por aí! — explicou Mason, passando a mão pelas costas dela com carinho, como costumava fazer nos velhos tempos.

Mas a alegria foi interrompida por uma pergunta que escapou dos lábios de Amélia como um sussurro de dor.

— Papai? — a esperança brilhou nos olhos dela, mas logo se apagou com a expressão suave e pesarosa do tio.

— Sinto muito. — respondeu Mason, sua voz carregando um lamento antigo.

— Por que ele não está aqui? — ela insistiu, quase em súplica.

— Ele encontrou a paz, lobinha. — disse ele com um pequeno sorriso melancólico.

— Com a mamãe? — a voz dela era frágil como vidro.

— Assim que vocês se vingaram. Ele achou a paz. — Mason assentiu, o olhar distante, como se ainda pudesse vê-los.

— Será que eles estão juntos? — ela perguntou, baixinho, como quem fala para o vazio.

— Eu acredito que sim. — Mason respondeu, e naquele momento, a dor de Amélia se acalmou, como um mar revolto que, por um instante, se aquieta.

O silêncio durou apenas até uma nova presença surgir. Tyler entrou no quarto devagar, confuso com o que via.

— Amy...? — ele chamou, entrando no quarto. — Tio Mason?

Sem hesitar, ele se aproximou e o abraçou. O reencontro dos dois era cheio de emoção contida, os dois Lockwoods trocando olhares que diziam mais do que palavras poderiam.

— Parece que a Bonnie fez besteira. — Amélia comentou, voltando a ajustar a beca no espelho com um suspiro cansado.

— Todos os seres sobrenaturais mortos estão de volta. — Mason confirmou com um tom de aviso.

— Por que a Bonnie faria isso? — Tyler perguntou, franzindo o cenho.

— Silas fez com que ela baixasse o véu. Silas quer tomar a cura e morrer. — explicou Mason, já se preparando para perguntas difíceis.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora