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Mystic Falls, Virgínia – 2010

Amélia e Elijah chegaram cedo à pensão Salvatore, com o amanhecer ainda espalhando tons alaranjados e rosados pelo céu de Mystic Falls. A brisa matinal era fresca, mas carregava um peso invisível, como se a própria natureza sentisse a tensão que pairava no ar. Os pássaros, normalmente melodiosos àquela hora, pareciam cantar com hesitação, suas vozes abafadas pela gravidade do dia que se desenrolava. Na varanda da casa, vasos de plantas exibiam gotas de orvalho que brilhavam como pequenas jóias à luz nascente. Apesar do cenário pitoresco, o ambiente era permeado por uma sensação de inquietação, cada detalhe servindo como um prelúdio silencioso para o que estava por vir.

A porta da pensão se abriu com um ranger suave, e a figura de Elena surgiu, iluminada pela luz pálida que vinha de dentro. Ela vestia um suéter que parecia apertá-la como um abraço, talvez na tentativa de conter a preocupação que transbordava em seus olhos. Ao ver Amélia, um sorriso genuíno, ainda que cansado, se formou em seus lábios, como um raio de sol atravessando as nuvens. Sem hesitar, ela avançou alguns passos e puxou a amiga para um abraço apertado, como se naquele momento precisasse da segurança de algo familiar.

— Amy, oi. — Elena puxou Amélia para um abraço apertado, quase como se quisesse protegê-la do que estava por vir.

— Oi. — Amélia respondeu, com um sorriso reconfortante, mas seu olhar revelava o peso que carregava.

Stefan apareceu logo atrás de Elena, com uma expressão de alívio misturada à cautela.

— Oi, Amy. — ele se aproximou, envolvendo Amélia em um abraço firme.

— Stefan. — respondeu ela, suavemente, enquanto seus olhos encontravam os dele por um breve momento.

Stefan olhou por cima do ombro de Amélia, como se procurasse outra figura. Sua postura ficou tensa ao ver Elijah parado à porta.

Amélia virou-se, o som de seus passos ecoando pelo chão de madeira. Ela acenou para Elijah, que estava parado à entrada como uma estátua, observando a casa com um olhar calculista.

— Elijah, pode entrar. — disse Amélia, avançando mais para dentro da sala.

— O quê? Não... Espera. — Stefan estendeu a mão instintivamente, tentando barrar o Original.

Mas Elijah já cruzava a soleira, caminhando com a elegância natural de um predador que não se intimidava com nada.

— Olá. — disse Elijah, inclinando levemente a cabeça, seus olhos passando por cada um na sala.

Stefan cerrava os punhos, mas antes que pudesse reagir, Amélia colocou uma mão reconfortante em seu braço, olhando-o diretamente nos olhos.

— Eu confio nele, Stefan. Tá tudo bem. — sua voz era firme, mas havia um calor tranquilizador.

— E eu confio na Amy. — Elena, ainda ao lado de Stefan, assentiu.

Elijah observava a cena, seus olhos impassíveis, mas algo em sua postura sugeria uma sutil aprovação.

— Temos muito o que conversar. — disse, finalmente.

Amélia caminhou até o sofá com passos decididos e sentou-se, gesticulando para que Elijah se juntasse a ela. Ele obedeceu, cruzando as pernas de forma elegante enquanto os demais se reuniam ao redor, ainda tensos.

— Primeiro, a maldição do sol e da lua é falsa. — Amélia declarou, sua voz cortando o silêncio pesado como uma lâmina.

O quê? — Stefan e Elena disseram quase ao mesmo tempo, suas vozes ecoando descrença.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora