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Mystic Falls, Virgínia - 2010

Três dias se passaram desde o enterro de Mason, e a mansão Lockwood parecia ter mergulhado em um silêncio ainda mais profundo. A ausência dele era como uma sombra pesada que pairava por todos os cantos. Amélia passava os dias lutando contra a sensação de culpa que a consumia, sabendo que ele havia sacrificado a própria vida por ela. Mas esse pensamento não trazia conforto, apenas agravava o vazio.

Naquela tarde, Caroline insistiu para que Amélia a acompanhasse na praça central para assistir a um filme ao ar livre. Caroline era teimosa, e sua persistência não deixou espaço para recusas.

Amélia passou a manhã inteira na cama, envolta em pensamentos sombrios, mas, eventualmente, forçou-se a sair. Depois de um banho, ela se arrumou com uma lentidão quase mecânica. Quando voltou ao quarto, seu coração deu um pequeno salto ao ver Damon sentado em sua cama. Ele tinha uma expressão que ela raramente via nele: culpa genuína. Seus olhos estavam cansados, e a pele pálida reforçava a impressão de que ele parecia doente. Se ela não soubesse que ele era um vampiro, poderia ter acreditado.

— Sinto muito pelo seu tio. — Damon murmurou assim que percebeu a presença dela. Sua voz era quase um sussurro. — Fica mais fácil com o tempo, sabe disso.

Amélia não respondeu imediatamente. Em vez disso, caminhou até a penteadeira e começou a colocar seus acessórios, tentando ignorar a inquietação que crescia dentro dela.

— O que você quer? — ela perguntou finalmente, sem encará-lo.

Damon se levantou devagar, aproximando-se até ficar a poucos centímetros dela.

— Pedir desculpas. — Sua voz estava mais firme, mas ainda carregava um peso evidente.

Amélia parou, erguendo os olhos para o reflexo dele no espelho.

— Damon... — ela começou a dizer, mas foi interrompida.

— Por favor. — Ele a pegou pelos ombros, virando-a gentilmente para que ela o encarasse. Seus olhos azuis encontraram os dela, carregados de sinceridade. — Eu estava errado em tentar dar meu sangue a você. E errado em ter dado a Elena.

Ela soltou um suspiro cansado, afastando as mãos dele de seus ombros.

— Você errou, Damon. Não pelo sangue em si, mas pela maneira como tentou me obrigar. — Sua voz era firme, mas seu olhar desviou. — Mas, no final, você estava certo sobre Elijah. Eu estava errada.

Damon pareceu surpreso com a admissão, mas a preocupação logo tomou conta.

— Acha que ele volta? — ele perguntou, tentando interpretar a expressão dela.

Amélia hesitou, como se lutasse contra si mesma para decidir o que poderia ou não compartilhar.

— Eu não contei isso a ninguém, então, por favor... — Ela respirou fundo antes de continuar.

Damon assentiu, voltando a se sentar na cama. Ele sabia que ela confiava nele, mesmo que estivesse magoada.

— Os lobos têm companheiros. Almas gêmeas, se preferir. — A voz dela era baixa, quase um sussurro. — Elijah é o meu.

As palavras dela pairaram no ar como uma revelação pesada. Damon piscou, incrédulo.

— O quê? — Ele parecia tentar processar a informação, mas a ideia parecia esmagar qualquer esperança que ele ainda tivesse de conquistá-la.

— Sem saber, eu... compartilhei meu sangue com ele. Agora, ele só pode se alimentar de mim. — A confissão saiu em um fio de voz.

Damon levantou-se de repente, andando de um lado para o outro, claramente frustrado.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora