63

624 80 32
                                        

Nova Orleans, Luisiana – 2012

Amélia descansava com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Seu pequeno filho mamava tranquilo em seu seio, os olhinhos abertos, presos nela como se reconhecesse cada traço de seu rosto.

Tyler, sentado ao lado da irmã, sorria com ternura diante da cena.
Hayley, na cadeira de balanço próxima, embalava sua filha com delicadeza, os olhos cheios de amor.
No canto do quarto, Elijah e Klaus permaneciam nas poltronas, atentos e silenciosos.

— Devíamos saber que havia o dedo da nossa mãe nisso. — Elijah comentou, a voz pesada.

— Devíamos saber que ela não se prenderia a algo tão comum quanto a morte. — Klaus completou, com um sorriso amargo. — Agora ela controla as bruxas. Elas nunca vão parar.

— Não. — Elijah meneou a cabeça. — Genevieve disse que enquanto as crianças viverem, serão caçadas.

— Um dia de vida... e já são perseguidos pela própria avó. — Amélia sussurrou, com um nó na garganta, acariciando o cabelinho de seu filho.

— Nossa mãe daria tudo pra protegê-lo... enquanto Esther quer destruí-lo. — Tyler disse, brincando de leve com o pezinho do sobrinho, tentando manter o clima um pouco mais leve.

— Nem espero que os lobos Guerreira mudem de ideia. — Klaus murmurou. — Pra eles, Amy, Hayley e os bebês representam a realeza... e são uma ameaça à liderança da Francesca. Eles nunca estarão seguros aqui.

— Escondidos sob outro sobrenome, esperando a hora certa de atacar. — Amélia disse, amarga. — Maldita Francesca.

— Você me disse mais cedo que eu fiz inimigos todos os dias da minha vida miserável — Klaus olhou para Elijah. — Acontece que o pior deles sempre esteve dentro da nossa própria família. Tanto o meu... quanto o seu.

— Trouxemos ao mundo as armas que podem usar pra nos destruir. — Elijah disse com tristeza, olhando o filho. — Vamos nos armar. Já vencemos todos os nossos inimigos antes, e venceremos de novo. Ninguém vai pôr as mãos no meu filho.

— Mas não podemos deixá-los crescer como prisioneiros. — Amélia disse com firmeza, envolvendo seu bebê em seus braços com proteção.

— Então vamos embora daqui. Juntos. Todos nós. — Elijah sugeriu.

— Onde forem, por mais longe que seja, os que desejam vingança vão caçá-los. — Tyler disse, sério.

— Tyler tem razão. — Hayley acrescentou, a voz baixa.

— Eles herdaram todos os nossos inimigos, mas nenhuma de nossas defesas. — Klaus disse, com amargura.

— Se ficarmos ou fugirmos, o peso de serem um Mikaelson vai persegui-los. — Amélia suspirou.

— Existe uma terceira opção. — Hayley disse, endireitando-se na cadeira de balanço. — Eu cresci em uma zona de guerra. Meus pais tentaram me proteger, mas foram mortos. E eu cresci sozinha, sem amor. Eu prometi pra minha filha que ela teria um destino diferente. Ela vai crescer segura. Ela vai ser amada.

— Eu tive o privilégio de crescer num lar cheio de amor. — Amélia disse, as lágrimas represadas na voz. — E é isso que eu desejo pro meu filho. Não quero que ele viva cercado de ódio... ou sendo caçado pelo próprio sangue.

— E aqui estão nossos milagres... tão inocentes. — Hayley murmurou, olhando para os dois bebês. — E mesmo assim, a avó deles quer sacrificá-los. Como se não bastasse, a minha filha... é o sangue dela que vai completar a nossa transição.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora