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Mystic Falls, Virgínia — 2011

O preto geralmente simbolizava o luto, mas para Amélia, o luto era mais do que uma cor. Era um peso esmagador, um vazio que se agarrava ao seu peito e tornava cada respiração uma batalha. Era a dor crua e latejante que se infiltrava em cada pensamento, a certeza sufocante de que sua mãe nunca mais voltaria.

Não importava quantas vezes tentasse engolir o nó na garganta ou conter as lágrimas que ardiam em seus olhos. A perda estava ali, silenciosa e implacável, permeando tudo ao seu redor. O mundo continuava girando, as pessoas seguiam com suas vidas, mas para ela, o tempo parecia ter parado naquele instante cruel em que sua mãe se foi.

Era como se o ar estivesse mais pesado, como se as sombras fossem mais escuras. Cada batida do coração doía, ecoando o vazio que havia se instalado dentro dela. O silêncio da ausência era ensurdecedor.

Ela queria gritar, queria quebrar algo, queria fugir. Mas não havia para onde correr. A dor estava dentro dela, costurada em sua pele, enraizada em sua alma.

E, talvez, fosse ficar para sempre.

Assim que voltou à forma humana, pegou o celular com mãos trêmulas e ligou para Tyler. A voz embargada ao contar o que havia acontecido foi suficiente para que ele prometesse que estava a caminho, mas não chegaria a tempo do velório, apenas chegaria na hora da cerimônia.

O medo do que Klaus poderia fazer ao vê-lo de volta consumiu Amélia por dentro. Por mais que odiasse, precisava falar com ele.

Diante do espelho, ela terminou de abotoar a gola do vestido preto. Seu reflexo a encarava: olhos avermelhados, rosto pálido, o mesmo semblante devastado de quem estava esticada naquele caixão por baixo da terra.

Com um suspiro trêmulo, ela caminhou pelo corredor e empurrou a porta do quarto dos pais. O cheiro familiar da mãe ainda impregnava o ambiente. No closet, deslizou os dedos pelos vestidos pendurados, ainda ao lado dos ternos que nenhum deles havia tido coragem de se desfazer. Ela sentiu o tecido macio escorrer entre seus dedos como memórias de tempos que nunca mais voltariam. As lágrimas voltaram, descontroladas, cada gota carregando um pedaço de sua dor.

Pegando o celular de dentro da bolsa, digitou uma mensagem para Klaus com os dedos hesitantes.

Amélia:
É o velório da minha mãe.

A resposta veio quase imediatamente.

Klaus:
Ele tem um dia.

O peso em seu peito continuava sufocante, imutável, mas mesmo assim, ela guardou o celular, respirando fundo. O som de uma buzina cortou o silêncio do lado de fora, arrancando-a momentaneamente do torpor da dor e trazendo-a de volta à realidade.

Com passos lentos, ela desceu as escadas, cada degrau parecendo mais pesado que o anterior. Ao sair, fechou a porta atrás de si, como se, por um breve instante, pudesse trancar a dor lá dentro.

Elijah a esperava no carro. Seus olhos, sempre tão firmes, agora refletiam algo mais suave. Uma compreensão silenciosa, profunda, que só ele sabia oferecer. Ele não precisava dizer nada. Seu olhar dizia tudo.

— Como você está? — Elijah perguntou, sua voz calma tentando tocar a tempestade dentro dela.

— Enterrei minha mãe essa manhã, Elijah. — Amélia soltou uma risada amarga, sem emoção. — Não estou nada bem.

Ele assentiu, o olhar suave, mas carregado de uma empatia silenciosa que tocava profundamente. Quando sussurrou um "Eu sei, meu amor", sua voz era baixa, quase um conforto, e, ao dar partida no carro, o silêncio que se seguiu pesava no ar como um fardo invisível.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora