35

1.5K 155 125
                                        

Mystic Falls, Virgínia - 2011

A mansão Mikaelson estava mergulhada em um silêncio sepulcral. As sombras das chamas dançavam nas paredes enquanto o fogo consumia folhas de papel desenhadas com cuidado. Klaus observava os desenhos se desintegrarem em cinzas, os olhos fixos nas curvas que desapareciam em meio ao laranja quente. O cheiro de papel queimado preenchia a sala, junto com o estalo da madeira na lareira.

Ele não precisava olhar para saber que Elijah estava ali. O som de seus passos firmes e o suspiro pesado de quem carregava o peso do mundo o anunciaram antes mesmo de cruzar a porta.

— Como ela reagiu? — Klaus perguntou sem rodeios, ainda encarando as chamas.

— O que disse? — Elijah respondeu, hesitando por um instante.

Klaus se virou, cruzando os braços e inclinando a cabeça. O sorriso no canto dos lábios era tão afiado quanto uma lâmina.

— Como a lobinha reagiu quando você disse que ia embora? — O tom era casual, mas havia algo mais profundo ali.

— Como sabe o que fui dizer a ela? — Elijah estreitou os olhos.

— Te conheço há mil anos, irmão. — Klaus deu de ombros, como se a resposta fosse óbvia. — Vi nos seus olhos naquele dia... As palavras da nossa mãe criaram raízes no seu coração. E quem sofre com isso é a pequena loba Lockwood.

Elijah desviou o olhar, encarando as chamas que consumiam o que restava de mais um desenho.

— Ela também pensa como eu. — Ele suspirou, esfregando as têmporas. — Acha melhor ficarmos separados.

— Dois tolos. — Klaus soltou uma risada seca, sem humor.

— Niklaus... — Elijah começou, mas parou, como se as palavras pesassem demais para serem ditas. Finalmente, ele ergueu o olhar, os olhos sombrios e refletindo algo que ele raramente deixava transparecer: dor. — Há uma maldição no sangue da Amélia.

— A maldição do Alfa. — Klaus completou, sua expressão endurecendo. — Eu conheço a história. Passei mil anos tentando desbloquear meu lado lobo, sei tudo e mais um pouco sobre a espécie.

— Eu descobri o que significava nossa conexão, mas não contei a ela. — Elijah confessou, a voz baixa, quase um sussurro. — Deixei Amélia no escuro, achando que seria o ideal...

— E ela acabou te dando o sangue dela. — Klaus afirmou, com um leve arquejo de sobrancelha.

— Sim. — Elijah assentiu lentamente, os ombros rígidos como se carregassem um fardo insuportável. — Mas não quero fazer isso. Não quero estragar ainda mais a vida dela! Esta família já destruiu demais a vida da Amélia.

— Mas se não beber o sangue dela, vai dissecar. — Klaus deu de ombros, como se fosse algo trivial.

— Então enfie o punhal no meu coração e me coloque no caixão. — Elijah fechou os olhos por um momento, inspirando profundamente.

Klaus inclinou a cabeça, analisando o irmão como se tentasse decifrá-lo.

— Em algumas décadas, ela estará morta e você livre da maldição. — Ele disse, cruzando os braços atrás das costas.

— Ainda assim, não me tire do caixão. — Elijah abriu os olhos e os fixou no irmão. — Prefiro dormir para sempre a viver em um mundo onde ela não exista.

Klaus ficou em silêncio por um momento, o único som na sala sendo o crepitar da lareira. Então, ele riu, mas havia mais dor do que sarcasmo em sua voz.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora