Mystic Falls, Virgínia — 2011
A campainha tocava insistentemente, mas Amélia, completamente imersa na preparação de um bolo, permaneceu alheia ao som até a quarta tentativa. Quando finalmente percebeu, ergueu a cabeça com uma expressão irritada, afastando uma mecha de cabelo que teimava em cair em seu rosto coberto por um leve rastro de farinha. O caos na cozinha era um reflexo direto de sua mente inquieta: farinha espalhada como uma fina poeira de neve, utensílios abandonados em todas as superfícies disponíveis e uma tigela de massa pela metade repousando no balcão, enquanto uma espátula pingava restos de glacê sobre o avental sujo que usava.
Seu novo hobby culinário não estava exatamente fluindo como o esperado. Era desajeitada com as medidas, impaciente com os tempos de descanso e, claramente, mais focada em descontar sua frustração do que em seguir receitas. Ainda assim, Amélia preferia enfrentar essa bagunça do que recorrer a métodos mais... destrutivos para lidar com sua raiva. Afinal, socar uma parede ou a cara de seus amigos não parecia muito civilizado. Mexer em tigelas e medir ingredientes era, ao menos, um esforço digno para manter a paz, ou algo próximo disso.
— TYLER! — gritou, desligando a batedeira. — Tô ocupada! Dá pra atender?!
— Já vou! — respondeu Tyler, descendo as escadas em um piscar de olhos, exibindo sua velocidade sobrenatural. Voltou para a cozinha segundos depois. Olhou a irmã com uma expressão divertida e arqueou uma sobrancelha. — Desde quando você cozinha?
— Desde que é melhor descontar minha raiva em receitas do que matar nossos amigos.
— Faz sentido. — Tyler deu de ombros.
— Quem era na porta? — perguntou ela, limpando as mãos em um pano.
— Ninguém. — Ele ergueu um envelope. — Só isso aqui, com "Família Lockwood" escrito do lado de fora.
Amélia pegou o envelope, lavando rapidamente as mãos antes de abri-lo. A caligrafia elegante no convite chamou sua atenção.
— "Reúnam-se com a família Mikaelson hoje às sete da noite para danças, coquetéis e comemoração." — leu em voz alta, franzindo a testa enquanto analisava o convite.
— Quem são os Mikaelson? — perguntou Tyler.
— A família original. — respondeu Amélia, mais séria.
— Ótimo, além de se mudarem pra cá, ainda querem festa de boas-vindas?
— Tem algo escrito atrás. — notou ela, virando o convite.
— O quê?
Amélia leu devagar:
— "Amélia, acho que é hora de nos conhecermos. Esther."
— Quem?! — Tyler parecia perdido.
— A bruxa original. Mãe do Klaus.
— Sério? Precisamos ir? Mamãe nem tá aqui, dá pra ignorar.
— Não somos vizinhos mal-educados. — rebateu ela, tirando o avental. — Pega uma das melhores garrafas de vinho da coleção do papai. Vou achar algo adequado pra vestir. Coloque um smoking.
— Sim, senhora capitã. — brincou Tyler, fazendo uma saudação exagerada.
Amélia riu de leve antes de pedir a uma das serviçais que arrumasse a bagunça na cozinha. Subiu as escadas rapidamente e, ao entrar no quarto, parou ao notar uma caixa branca sobre a cama.
— O que é isso...? — murmurou, caminhando até a cama. Um pequeno cartão estava preso na tampa. Ela o retirou, lendo:
"Começamos da forma errada.
Por favor, aceite meu presente e use-o esta noite.
Guarde uma dança para mim.
Atenciosamente, Klaus Mikaelson."
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Lua de Sangue
أدب الهواةAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
