EM ALGUM LUGAR ENTRE O MUNDO DOS VIVOS E DOS MORTOS
Amélia despertou com o som suave de folhas dançando ao vento, um farfalhar quase ritmado, como uma canção antiga. O cheiro de madeira queimada e ervas secas invadia suas narinas, e quando abriu os olhos, estava deitada sobre uma cama coberta por peles macias. O teto era de madeira rústica, e a luz entrava suavemente pelas frestas das janelas cobertas por tecidos finos.
Lá fora, havia apenas floresta. Densa, viva. Mas não era qualquer floresta. Havia algo ali, algo ancestral. Os galhos pareciam sussurrar, e o ar carregava uma energia antiga, pulsante, como se a própria terra respirasse.
— Finalmente acordou. — disse uma voz.
Amélia virou-se com um susto, e então a viu. Sentada junto ao fogo aceso no centro da cabana, uma mulher de longos cabelos negros como a noite e olhos que lembravam a luz da lua cheia. Vestia-se com túnicas fluidas, e seus dedos mexiam calmamente um pequeno caldeirão de ferro, de onde subia um vapor perfumado.
— Selene... — sussurrou Amélia, como se nomear a presença a tornasse mais real.
Selene se levantou com graça, caminhando até ela com passos quase silenciosos.
— Você é mais do que imagina, criança. — disse, colocando a mão sobre a marca em forma de lua que ardia, sob a pele da loba. — A marca arde porque o tempo começou a girar. O ciclo recomeça. E você está no centro dele.
— Onde estamos? — Amélia perguntou, sentando-se devagar.
— Num lugar entre mundos. Um refúgio da minha criação. Aqui, o tempo não te alcança. Aqui, posso te mostrar o que foi... e o que será.
Selene se aproximou da lareira e jogou um punhado de ervas nas chamas. Uma fumaça azulada se ergueu, dançando no ar, e a imagem de um rio vermelho, vasto e profundo, surgiu entre elas. Dele emergiram visões: Elijah, com sangue nas mãos. Amélia, gritando. Um bebê com olhos dourados.
— Eu vi você antes de nascer, Amélia. Vi você antes mesmo de mim. Você é o fio que sobrou de um tecido que tentei desfazer. — disse Selene com uma voz carregada de dor antiga. — E agora você precisa entender quem você é... antes que o mundo também descubra.
— Por que eu? — Amélia engoliu em seco.
— Porque a profecia começou a se cumprir. — Selene olhou para ela com seriedade. — Porque o rio de sangue já está se movendo. E porque o amor que você carrega, aquele que atravessou mil invernos... vai romper o equilíbrio. Ou restaurá-lo.
O fogo crepitou com força, lançando sombras nas paredes.
— Mas há um preço para o que você é, Amélia. E o tempo de escolher está chegando. Você vai amar. Você vai sofrer. E quando o sangue tocar a terra... você vai perecer.
Amélia se levantou devagar, ainda sentindo o corpo pesado, como se parte de si tivesse caminhado entre sonhos e realidades. Selene estendeu a mão para ela, e, quando seus dedos se tocaram, a marca da lua pulsou com um brilho prateado.
— Vem comigo. — disse a híbrida imortal. — Há mais para ver.
Elas saíram da cabana, adentrando a floresta viva. As árvores pareciam inclinar-se para ouvir, e o vento soprava palavras que nenhuma língua humana conhecia. A vegetação se abria por onde Selene passava, como se reconhecesse sua criadora.
Chegaram até um pequeno lago, espelhado e silencioso. Selene tocou a água com a ponta dos dedos e a superfície se abriu, revelando visões ocultas: Amélia correndo sob a lua cheia, Elijah esperando em silêncio, o bebê envolto em uma luz dourada... e, por um instante, uma flor branca murchando em meio ao sangue.
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Lua de Sangue
FanfictionAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
