Nova Orleans, Luisiana – 2012
O sol já tingia o céu de dourado lá fora, anunciando o amanhecer.
Dentro do cemitério, porém, Elijah e Klaus continuavam vagando pelas criptas, prisioneiros de um feitiço implacável.
As bruxas haviam tecido uma ilusão tão astuta que os fazia caminhar em círculos, presos em um labirinto invisível sem se darem conta.
O tempo escorria como areia entre os dedos, implacável e silencioso.
— Há dois dias... — Elijah murmurou, a voz falhando enquanto adentravam mais uma cripta idêntica às anteriores — Há dois dias, eu pedi ela em casamento. Como tudo pôde desabar assim?
Seu olhar vazio percorria o lugar sombrio.
Ele parou diante de um túmulo esquecido, os olhos baixos.
— Quando eu achei que... que tinha conquistado o mínimo de felicidade...
Klaus, caminhando atrás dele, fechou os olhos brevemente, sufocando a própria dor.
— Nós vamos recuperar as crianças. — disse com firmeza — E depois, Elijah, nós vamos vingar as lobinhas.
O mais velho chutou com raiva um vaso de flores murchas no canto da cripta, os estilhaços ecoando entre as paredes frias.
— Já passamos por aqui antes. — rosnou Elijah — Estamos presos. E ficando sem tempo.
— Então vamos acelerar. — Klaus rebateu, os olhos brilhando com fúria contida.
— Ou pensar. — disse uma voz familiar à porta.
Ambos se viraram como predadores em alerta.
— Hayley? — Klaus chamou, descrente.
Hayley estava ali, pálida, com o vestido rasgado, os olhos ardendo de dor, mas de pé.
— Amélia... — Elijah avançou, o coração se apertando. — Onde ela está?
A loba mordeu o lábio, a respiração trêmula.
— Eu acordei na igreja... — começou, a voz arranhando — E senti fome. Amy... ela estava do meu lado. Morta.
Silêncio mortal caiu sobre a cripta.
— Eu... eu a coloquei sobre a mesa. — Hayley continuou, a dor escorrendo em cada palavra — E então vim até aqui. Eu sinto... sinto minha filha. Ela está perto.
Elijah cambaleou para trás, como se tivesse levado um soco.
— Ela não acordou... — sua voz quebrou — Por quê?!
— Eu não sei... — Hayley murmurou, os olhos marejados — Ela estava fria. Sem batimentos.
— Não... — Elijah sussurrou, o desespero transbordando — Não, não pode ser...
Klaus, com o maxilar cerrado, tentou raciocinar.
— Hayley... você morreu com sangue do bebê no organismo. Está em transição. Precisa do sangue do bebê para sobreviver.
Hayley piscou rápido, tentando compreender.
— A Amy... — ela murmurou — Foi o sangue do Klaus no bebê que me pôs em transição. Então... isso significa que ela...
Klaus cerrou os punhos.
— Ontem... — disse com um nó na garganta — Ela se cortou tentando cozinhar. Vocês sabem como a Amy é péssima na cozinha. Dei meu sangue a ela.
Um pequeno sorriso amargo cruzou os lábios de Hayley por um instante.
Mas Klaus continuou, frustrado.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lua de Sangue
FanfictionAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
