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Nova Orleans, Luisiana - 2012

O Rosseau's estava cheio de vida, mas a atmosfera era pesada. As velas acesas tremeluziam sobre as mesas, tentando iluminar a tristeza que pairava no ar. O cheiro forte de bebida e flores frescas misturava-se ao murmúrio das conversas contidas. O velório do padre havia terminado minutos antes, mas o enterro estava marcado apenas para o dia seguinte.
Amélia e Tyler estavam em uma mesa mais afastada, ela beliscando algo no prato, ele girando um copo de uísque na mão.

— O padre morto, os lobos atacados... — Amélia suspirou, empurrando a comida no prato. — Será que isso pode piorar?

— Nada é tão ruim que não possa piorar, irmãzinha. Nós dois sabemos disso. — Tyler respondeu, dando um gole longo no copo.

— O Padre Kieran não era uma pessoa ruim. — Amélia murmurou.

— Essa cidade é estranha. — Tyler resmungou, olhando ao redor. — O padre acabou de morrer e eles dão uma festa.

— É costume. — Amélia deu de ombros, já acostumada às tradições de Nova Orleans.

O olhar de Tyler se desviou para a porta, onde Hayley acabara de entrar.

— Vou falar com a Hayley. — ele anunciou, se levantando.

— Vocês estão próximos. — Amélia observou, arqueando uma sobrancelha.

— Acho que sim. — Tyler sorriu, meio envergonhado.

— Gosta dela? Esqueceu a Caroline? — Amélia perguntou com um tom leve, mas curioso.

— A Caroline e eu... — Tyler suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Eu não estava pronto pra dar a ela o que ela queria. E a Hayley... bom, ela é igual a gente. Entende a dor. Caroline é como um raio de sol... que mais me queimava do que me aquecia.

— Não estou te condenando, Ty. — Amélia disse com sinceridade. — Só quero sua felicidade, mais do que qualquer coisa.

— Eu sei... amo vocês. — Tyler disse, beijando a cabeça da irmã antes de se afastar.

— Amamos você também. — ela respondeu, acompanhando-o com um sorriso carinhoso.

— Isso não parece civilizado. — Klaus comentou, sentando-se ao lado de Amélia, observando a comemoração ao redor. — Dançar e brindar ao redor do corpo de um ente querido.

— Melhor praticar seu processo de luto, Niklaus. — Elijah disse, sentando-se do outro lado dela. — Negação, raiva... e pilhas de caixões em porões.

— Me deixe em paz. — Klaus resmungou, entediado.

— Pelo menos vocês podem beber. — Amélia comentou. — O cheiro do uísque chega a me dar água na boca.

— Em breve poderá se embebedar novamente, pequena loba. — Klaus piscou para ela.

Amélia riu, mas logo voltou ao assunto sério.

— Então... qual é a desses anéis da lua? Depois do ataque, os lobos querem começar uma revolução a cada cinco minutos. O povo está assustado, bravo... e sinceramente, eu tô grávida de quase nove meses e sem energia pra lidar com isso.

— Hoje é um dia de paz entre todos os povos, meu amor. Aproveite! — Klaus respondeu, erguendo a taça. — Mas, com todo tipo de inimigo desconhecido conspirando contra nossa família, você e a Hayley deveriam parar de ir naquele pântano.

— Concordo. — Elijah apoiou.

— Eu não sou a princesa presa na torre. Sei cuidar de mim. — Amélia rebateu com um olhar afiado. — E a Hayley também.

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