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Em algum lugar muito, muito longe de Nova Orleans - 2013

A luz dourada da lareira acesa dançava suavemente pelas paredes, projetando sombras que se moviam ao ritmo das chamas. Rebekah sentava-se em uma poltrona acolchoada, o olhar terno voltado para o carrinho duplo diante dela. Hope e Nik a observavam com olhos grandes e curiosos, encantados com a voz suave que lhes contava uma história. Já se passavam oito meses desde que Klaus os havia deixado sob seus cuidados, e desde então, aquela sala se tornara um refúgio de amor e esperança.

— Era uma vez um rei majestoso. — começou Rebekah, com um leve sorriso. — Que vivia ao lado de seu nobre irmão e de duas rainhas-lobo, em um reino onde a música e a arte floresciam como a primavera eterna.

As palavras fluíam como um feitiço doce, embalando os pequenos.

— Nenhum dos dois irmãos pensava em ter filhos de seu próprio sangue... Mas viviam em uma terra encantada, onde tudo era possível. E então, o milagre aconteceu. Um deles foi agraciado com uma linda filhinha, e o outro, com um valente filhinho.

Hope bocejou baixinho, mas mantinha os olhos fixos na tia. Nik brincava com os dedinhos, ouvindo atento.

— Eles desejavam apenas paz e felicidade para seus pequenos. Mas o mundo... o mundo era cruel. A família foi caçada por demônios implacáveis. Uma fera selvagem, com seu exército de criaturas das trevas, tomou o reino. E uma feiticeira maligna, com pedras encantadas, drenava a força do rei a cada lua cheia.

Rebekah fez uma breve pausa, os olhos marejando sem que percebesse.

— Para proteger as crianças, os irmãos e as rainhas-lobo tiveram que escondê-las do mundo. Fizeram todos acreditarem que os haviam perdido para sempre. E, assim, mergulharam em luto. O castelo fechou suas portas. O reino caiu em silêncio. As rainhas uivavam à lua, noite após noite, com saudades dos filhos.

Ela respirou fundo, fitando os pequenos agora com os olhos pesados de sono.

— Mas o que os inimigos não sabiam... era que os irmãos não descansariam até derrotarem cada um deles. E, um dia, restaurariam o reino. E trariam de volta para casa o príncipe e a princesa. E então... enfim, seriam felizes para sempre.

Quando terminou, Hope e Nik dormiam profundamente. Um silêncio doce tomou conta da sala. Rebekah se levantou com cuidado, empurrando o carrinho pelo corredor até o quarto onde dois berços brancos a esperavam. Com delicadeza, colocou primeiro Hope, depois Nik, em seus lugares. Beijou a testa de cada um, um leve sussurro de amor escapando de seus lábios.

— Boa noite, meus pequenos.

E então, com um último olhar terno, fechou a porta atrás de si.

[...]

Nova Orleans, Luisiana - 2013

Tyler empurrou os portões do complexo com força, os passos pesados ecoando pelo pátio silencioso. Sua expressão era uma mistura de fúria e frustração. Na biblioteca, Elijah permanecia sentado em uma poltrona de couro, segurando um copo de uísque quase vazio. Era assim todas as noites nos últimos oito meses, afogado em lembranças e culpa.

— Você tem que fazer alguma coisa! — a voz de Tyler cortou o silêncio como uma lâmina.

Elijah ergueu os olhos lentamente, sem se mover.

— Sobre o que exatamente, Tyler?

— A minha irmã está louca! — explodiu Tyler, caminhando de um lado para o outro — Ela mata tanta gente que eu mal consigo acompanhar os corpos! E Hayley... Hayley está quase igual! As duas estão afundando, e eu não estou dando conta de segurar isso sozinho!

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora