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Mystic Falls, Virgínia  -  2010

Amélia havia removido o punhal do coração de Elijah, mas ele ainda não havia acordado. Encostada contra a parede, ela tentava controlar a respiração enquanto o silêncio pesado preenchia o cômodo. Seus olhos estavam fixos nele, imóvel no chão, enquanto a luz trêmula das velas iluminava os contornos do rosto dele.

De repente, algo mudou. Amélia percebeu que as veias negras que antes marcavam sua pele estavam desaparecendo lentamente, e a cor natural começava a retornar. Ansiosa, ela se levantou, hesitante, e deu alguns passos até ele.

— Elijah? — ela sussurrou, a voz carregada de expectativa.

O corpo dele arqueou violentamente, arrancando um grito que ecoou pelo ambiente. O som era tão visceral que fez Amélia recuar instintivamente, o coração disparado.

— Elijah... Elijah... — ela chamou, aproximando-se novamente, as mãos trêmulas tocando seu rosto.

Os olhos dele se abriram de repente, vidrados e fixos em algo que ela não conseguia ver.

— Elleonora. — Ele murmurou, com a voz rouca e distante, como se estivesse preso em um sonho.

— Elijah... sou eu, Amélia. — ela respondeu, a esperança tingindo cada palavra enquanto buscava algum sinal de reconhecimento.

Ele se levantou bruscamente, os movimentos descoordenados e selvagens. Amélia tropeçou para trás, caindo sentada, o coração disparado.

— Eu... não posso... respirar. — Ele arfava, os joelhos cedendo enquanto caía no chão, a mão no peito como se tentasse conter algo invisível. — O que... aconteceu... comigo?

Amélia hesitou, tentando formular uma resposta, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Elijah tentou usar sua velocidade sobrenatural. Ele acelerou para a saída, mas seu corpo desorientado o lançou contra a parede, o impacto rachando a madeira.

— Eu não posso estar nessa casa. — Ele disse, a voz entrecortada, os olhos procurando desesperadamente uma saída.

— Não foi convidado. — Amélia murmurou, mais para si mesma, antes de correr até ele. Com esforço, passou o braço dele sobre os ombros.

— Tire-me daqui. — Ele pediu, a voz quase suplicante.

Reunindo toda a força que possuía, Amélia começou a arrastá-lo escada acima. Cada degrau parecia um desafio, o peso dele tornando a tarefa quase impossível. O suor escorria por sua testa quando, finalmente, alcançaram o andar superior.

Assim que chegaram ao corredor, Elijah se desvencilhou dela, cambaleando até a porta e saindo em um borrão instável. Amélia o seguiu, parando na entrada para observá-lo ajoelhado no chão do lado de fora, respirando com dificuldade.

Quando ele finalmente ergueu o olhar para ela, algo mais tranquilo parecia ter voltado aos seus olhos. Ele se levantou lentamente, os movimentos ainda tensos, mas controlados.

— O que aconteceu? — Ele perguntou, fixando-a com uma expressão severa.

Xiii. — Amélia colocou um dedo sobre os lábios. — Eu te conto, não aqui.

— E eu devia confiar em você? — Ele sussurrou, o tom frio, embora os ombros denunciassem exaustão.

Amélia deu um passo à frente e estendeu o punhal para ele, sua mão firme apesar do nervosismo.

— Isso é suficiente? — ela perguntou em um sussurro, tomando cuidado para que ninguém ao redor pudesse ouvi-los. Ela indicou o carro estacionado mais à frente. — Meu carro está ali, vamos.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora