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Mystic Falls, Virgínia – 2011

A estrada sinuosa que levava de volta a Mystic Falls parecia mais longa do que Amélia se lembrava. Cada quilômetro percorrido aumentava o peso em seu peito, como se a cidade estivesse puxando-a para dentro de um passado que ela tentou, em vão, deixar para trás. O reflexo de seu próprio rosto no vidro da janela mostrava olhos cansados, perdidos em pensamentos que se embaralhavam entre ansiedade e medo.

Nova York havia sido um refúgio. Um mundo distante onde ela pôde respirar sem o peso das lembranças, sem os olhares carregados de expectativas e sem a dor sufocante da perda. Mas agora, o refúgio ficava para trás, e Mystic Falls a chamava de volta, com tudo o que ela havia deixado pendente.

Elijah dirigia em silêncio ao seu lado, os dedos relaxados no volante, mas sua expressão serena não enganava Amélia. Ele estava atento, como sempre, observando-a através de breves olhares discretos.

Quando finalmente chegaram à cidade, ele manobrou o carro pelas ruas familiares, desacelerando ao se aproximarem da casa dela. O motor ronronou suavemente antes de se calar completamente.

Amélia permaneceu imóvel, os olhos fixos na fachada da casa, imponente e elegante, a varanda onde costumava se sentar nos finais de tarde, as cortinas levemente balançando na janela do quarto. Tudo ali parecia igual, mas dentro dela, tudo estava diferente.

Elijah virou-se para ela.

— Está pronta? — Sua voz era calma, quase um sussurro, mas carregava um peso que fez os ombros dela enrijecerem.

Ela apertou os lábios, as mãos instintivamente fechando-se sobre o tecido da saia.

— Eu nem sei. — O suspiro que escapou de seus lábios era carregado de incerteza.

Elijah manteve-se em silêncio por um momento, apenas observando-a, então inclinou-se levemente para frente, apoiando um braço no volante.

— Se precisar de mais tempo...

— Não. — Amélia ergueu uma mão, como se quisesse interromper qualquer alternativa de fuga. Seus olhos finalmente se voltaram para ele, cheios de um cansaço que ia além do físico.

Elijah segurou seu olhar por um instante antes de assentir lentamente.

— Vai ver seu irmão? — ela perguntou, apertando a alça da bolsa em seu ombro, tentando se agarrar a algo tangível em meio ao turbilhão dentro dela.

— Sim. — ele respondeu, desviando o olhar para a estrada à frente.

O canto da boca de Elijah se curvou ligeiramente, um gesto quase imperceptível, mas que a fez prender a respiração. Em um movimento instintivo, ele ergueu a mão e afastou uma mecha de cabelo que o vento jogou sobre o rosto dela. Seu toque foi breve, mas intenso o suficiente para fazê-la estremecer.

— Depois eu passo na sua casa. — Sua voz saiu quase hesitante, como se parte dela temesse essa promessa.

Elijah segurou seu olhar por um segundo a mais do que deveria antes de murmurar.

— Estarei esperando. — as palavras deixaram a boca dele, seus olhos ainda fixos nos dela.

Por um momento, ficaram ali, presos na quietude de um sentimento não dito, até que Amélia piscou, quebrando o momento. Ela abriu a porta e saiu, sentindo o cascalho ranger sob seus pés. Elijah permaneceu no carro, observando-a caminhar até a varanda antes de, enfim, dar partida e partir.

O coração de Amélia batia tão forte que ela sentia o pulso nas pontas dos dedos.

Quando ergueu a mão para tocar a maçaneta, a porta se abriu abruptamente.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora