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Chicago, Illinois – 2012

2 MESES DEPOIS

O quarto de hotel era pequeno e mal-iluminado, o cheiro de sangue e suor impregnando o ar. Adrian estava amarrado à cadeira no centro do cômodo, o rosto coberto por hematomas e cortes, a cabeça pendendo para frente. O tempo ali dentro parecia se arrastar, pesado e sufocante.

Nos últimos dois meses, os celulares de Amélia e Tyler não pararam de tocar. Caroline, Elena, Bonnie, Damon, Stefan, Klaus, Elijah... todos tentaram entrar em contato inúmeras vezes. Mas nenhuma ligação foi atendida. Nenhuma mensagem foi respondida.

Até aquela manhã.

Amélia entrou no quarto, ainda segurando o celular na mão. Seus passos eram lentos, como se carregassem o peso da conversa que acabara de ter. Tyler levantou os olhos para ela do sofá, a tensão evidente em seu rosto.

— Quem era? — ele perguntou, direto.

Ela hesitou por um instante antes de responder.

— Caroline.

— O que aconteceu? — O maxilar dele se contraiu.

Amélia soltou um suspiro cansado, caminhando até a mesa e pegando um copo de uísque já pela metade. Virou o líquido âmbar na boca antes de finalmente dizer.

— Jeremy morreu. — Amélia continuou, encarando-o. — Katherine entregou ele pro Silas, ele foi drenado até a morte. Elena desligou a humanidade. Eles encontraram a cura, mas só tinha uma dose. E, pra completar, libertaram Silas e Selene no processo. Ninguém sabe onde eles estão. Ninguém nem viu o rosto deles.

Tyler piscou, o choque o atingindo como um soco no estômago.

— O quê?

Amélia apertou o copo vazio entre os dedos, a expressão tensa.

— Elena e Jeremy mataram Kol antes de tudo isso acontecer.

Silêncio. Um silêncio pesado, sufocante. Tyler abriu a boca para falar, mas fechou de novo. Ele passou a mão pelo rosto, soltando uma risada sem humor.

— Meu Deus... — Ele murmurou, andando até a mesa e pegando a garrafa de uísque.

Encheu um copo até a borda e virou de uma vez, como se o álcool pudesse ajudá-lo a digerir tudo aquilo.

A mente dele girava com a quantidade de informações. Jeremy estava morto. Elena sem humanidade. Silas e Selene soltos.

— Isso é uma piada, né? — Ele perguntou, a voz amarga.

Amélia não respondeu. Apenas o encarou, e no olhar dela havia a confirmação de que aquilo não era uma piada.

— Klaus, Elijah e Rebekah deixaram Mystic Falls. — Amélia suspirou, fixando o olhar em Adrian.

— Pelo menos algo bom, nisso tudo. — Tyler soltou um suspiro trêmulo, passando a mão pelos cabelos. — Caroline perguntou por mim?

Amélia assentiu.

— Perguntou se a gente vai voltar pra formatura do colégio.

Tyler soltou uma risada curta, cínica. Como se aquilo fosse sequer uma preocupação no meio de todo esse caos.

Amélia cruzou os braços, exausta.

— O que a gente vai fazer, Ty?

Ele apertou o maxilar, os olhos escuros indo até Adrien, que continuava imóvel na cadeira.

— Primeiro, a gente termina o que começou aqui. Depois... a gente decide.

Amélia assentiu lentamente, deixando o silêncio se acomodar entre os dois.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora