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Mystic Falls, Virgínia - 2011

A ligação dos híbridos com Klaus representava um grande problema para Amélia e Tyler, mas as motivações de ambos eram distintas. Tyler queria libertá-los, mas movido pela vingança contra Klaus. Ele via nos híbridos uma oportunidade de se vingar do homem que os havia manipulado. Já para Amélia, o instinto de protegê-los era inegociável. Antes de serem híbridos, aqueles homens e mulheres eram lobos, e o simples fato de ver Klaus usá-los como marionetes a deixava tomada pela fúria.

Eles estavam em um galpão escondido na floresta, próximo à antiga adega dos Lockwood. Amélia, Tyler, Hayley e Kim observavam atentamente Adrian, o último híbrido que ainda mantinha o elo com Klaus, tentando quebrá-lo.

A cena era angustiante, um sofrimento que se fazia visível a cada movimento. Adrian, em sua dor crescente, precisava quebrar os próprios ossos repetidamente, cada vez que tentava forçar o elo a se partir. Não havia dignidade naquele processo, só dor pura e uma luta constante contra os próprios limites.

— Chega, por favor. — Adrian sussurrou, quase desesperado, seus olhos lacrimejando de tanto esforço. Ele já não sabia mais até onde podia ir.

Amélia se abaixou até ele, com o olhar firme, mas cheia de compaixão. Ela estava determinada, mas também sentia o peso de cada momento que passava ali.

— Bloqueie a dor, Adrian. Você pode fazer isso! — Sua voz era suave, mas autoritária. 

Ela sabia que ele poderia vencer aquilo, que poderia libertar a si mesmo da prisão invisível que Klaus havia imposto sobre ele.

Mas, antes que ele pudesse responder, Kim, que estava observando a cena com crescente indignação, não conseguiu mais ficar em silêncio. Ela avançou até ele, tirando as correntes que o prendiam, sem nenhuma consideração pelas palavras de Amélia.

— Não! Isso é tortura! — Kim exclamou, sua voz cheia de raiva.

— Kim, para! — Hayley gritou, tentando controlar a situação. Sabia que Kim tinha razão, mas também entendia que Amélia estava tentando alcançar algo muito maior com esse sacrifício.

 Era o único caminho para Adrian e para os outros híbridos se libertarem.

Mas Amélia não vacilou. Seu olhar ainda estava fixo em Adrian, vendo a dor dele.

— Ele tem que terminar. — Amélia disse, com a voz firme. Ela não estava disposta a parar agora. Era isso ou o elo continuaria a controlá-los. 

— Hoje não! — Kim continuou, com a voz mais tensa. Ela estava exasperada, querendo terminar aquilo logo, mas Amélia sabia que não podia ceder. Não agora.

— Nate, Jhony, Dean e Chris estão mortos. — Tyler olhou para Adrian, como se o peso da morte de seus amigos tivesse sido uma consequência direta de Klaus e sua manipulação. — Isso torna o Adrian o braço direito de Klaus.

Amélia respirou fundo, seu olhar se suavizando por um momento. Ela sabia que aquilo não era só sobre libertar os híbridos. Era sobre os lobos e a responsabilidade dela em relação a eles.

— Klaus é meu amigo. — Ela murmurou, sua voz carregada de uma tristeza que só ela compreendia. — Mas os lobos são minha responsabilidade. Não vou deixar o Adrian voltar para lá sem quebrar o elo.

Tyler, colocando uma mão no ombro de Adrian, se inclinou um pouco mais perto.

— A minha irmã tem razão. — Ele disse, a voz tranquila. — O elo só se quebra quando você não sentir mais a dor da transformação.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora