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Nova Orleans, Luisiana – 2012

Amélia e Hayley andavam de um lado para o outro na sala, os passos ecoando pelo chão como marteladas da ansiedade. Seus olhos se cruzavam de tempos em tempos, e a tensão era quase palpável no ar pesado. Jackson e Oliver haviam saído em busca das pedras para o anel da lua, e agora estavam desaparecidos, sequestrados por Marcel e seus homens. Elijah e Klaus tinham ido atrás deles, mas o silêncio que se seguiu os deixava cada vez mais nervosas.

— O Elijah já devia ter ligado. — disse Amélia, mordendo o lábio, a voz embargada.

— Você acha que aconteceu alguma coisa com o Jack e o Ollie? — Hayley perguntou, sem conseguir esconder o medo que transparecia em seu rosto.

Amélia soltou um suspiro trêmulo.

— O Marcel tá irritado por ter sido banido do quartel... e agora, com os lobos tão perto de conseguirem os anéis da lua... — ela deixou a frase morrer no ar.

— Ele pode ter feito alguma besteira. — Hayley murmurou, quase para si mesma.

Antes que o pânico tomasse conta das duas de vez, a porta se abriu e Genevieve entrou com passos suaves, as mãos cruzadas à frente do corpo.

— Preocupação não vai ajudar. — disse a bruxa, encarando as duas com uma serenidade irritante. — Vocês deviam sentar e se acalmar.

Amélia bufou, cruzando os braços.

— Virou terapeuta agora?

Genevieve sorriu de leve.

— O tratamento de mulheres grávidas melhorou muito desde a época em que eu era enfermeira. Mas até eu sei que pressão alta é perigosa para vocês... e para os bebês. — ela olhou para as barrigas das duas, com um ar quase maternal. — Especialmente agora, tão perto do parto. Os bebês têm o quê? Uma ou duas semanas de diferença?

— Uma semana. — respondeu Hayley rapidamente.

— Ótimo. — Genevieve disse. — Então ouçam o que estou falando. Sentem. Respirem. Vocês precisam ficar bem.

— Odeio isso. — Amélia rosnou, passando as mãos pelo rosto. — Odeio me sentir inútil!

Genevieve deu uma risadinha.

— Não entendem? As duas são o motivo dessa cidade inteira estar de cabeça pra baixo. Elijah e Klaus correndo pelos becos, Marcel armando emboscadas... tudo por causa de vocês. Se querem saber, eu estou morrendo de inveja.

— Sorte a nossa. — Hayley soltou uma risada amarga.

— Querem que eu traga alguma coisa? — Genevieve perguntou, amigável demais.

— Que tal o anel da lua? — Amélia disparou, amarga.

Genevieve sorriu, como quem não se deixa abalar.

— Não posso fazer o feitiço até a lua cheia atingir o ápice. E preciso das pedras... que logo estarão aqui. Vocês precisam ter fé.

Amélia revirou os olhos e afastou-se.

— Vou ligar para o Elijah.

— Tente não se estressar. — Genevieve alertou.

— Tarde demais pra isso. — Amélia retrucou sem sequer olhar para trás.

Ela discou o número de Elijah com dedos trêmulos. O telefone tocou duas vezes antes de ser atendido.

Oi, amor.

A voz de Elijah soou, reconfortante, mas carregada de tensão.

— Elijah, o que está acontecendo? — Amélia perguntou de imediato, tentando manter a voz firme. — Cadê o Jack e o Ollie? E as pedras?

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