Mystic Falls, Virgínia 2010
A propriedade Lockwood, normalmente uma visão de imponência e vida, agora estava envolta em uma atmosfera densa e sombria. As luzes, acesas, temporariamente incapacitantes de dissipar o peso do luto que pairava como uma nuvem sobre todos os presentes. Os convidados, em um desfile silencioso de respeito, trocaram cumprimentos breves e olhares cúmplices de solidariedade, suas vozes abafadas como se temessem perturbar o ambiente carregado.
Amélia e Tyler permaneceram lado a lado em uma sala afastada, uma tentativa de escapar da multidão, mas não da dor que os acompanhava. O silêncio entre eles era tanto um reflexo de exaustão quanto uma forma de conforto mútuo. Tyler, com o olhar perdido, mantinha os punhos cerrados sobre os joelhos, uma tensão evidente em cada músculo do seu corpo. Amélia, por sua vez, observava distraidamente as figuras que se moviam pelo corredor, o murmúrio distante das conversas preenchendo o vazio deixado pelas palavras que ambos não conseguiam dizer.
— Eu não aguento mais receber abraços e apertos de mão. — Amélia confessou, sua voz um sussurro cansado.
— Nem eu. — Tyler respondeu, compartilhando o fardo invisível que ambos carregavam.
Amélia abaixou a cabeça, os olhos fixos no chão polido da mansão, como se a superfície pudesse oferecer alguma forma de consolo. O desejo de estar longe dali, longe dos sussurros abafados e da presença constante da morte, era quase sufocante. Mais do que isso, ela ansiava por estar ao lado de Caroline no hospital, onde, apesar da incerteza, havia ao menos algo que ela pudesse fazer: apoiar sua amiga.
A preocupação com Caroline, embora dolorosa, serviu como um intervalo temporário da tristeza opressiva que consumia seu coração. Era mais fácil se concentrar no estado de saúde da amiga do que enfrentava a perda e o luto que a cercavam.
— O Matt disse que a Caroline está se recuperando bem. — Tyler tentou confortá-la, sua voz suave como um bálsamo.
— Que bom. — Amélia murmurou, embora a notícia trouxesse apenas um alívio momentâneo.
O sentimento de perda era um peso insuportável no peito de Amélia, como se o ar ao seu redor houvesse se tornado sólido e difícil de respirar. O luto se envolvia como uma névoa espessa, obscurecendo tudo o que antes parecia claro e tangível. Seus pensamentos levaram até o pai, a figura que sempre fora sua fortaleza, o homem que, apesar de suas falhas, havia sido seu porto seguro em momentos de tempestade.
Por um instante, fechou os olhos e permitiu que a lembrança o trouxesse de volta: o som reconfortante de sua voz grave, o calor de um abraço que parecia capaz de afastar qualquer medo. A memória era tão vívida que quase podia sentir o cheiro familiar de colônia que ele usava, misturado com o aroma de madeira que sempre impregnava suas roupas.
Uma lágrima escorreu silenciosamente por seu rosto. Se ao menos tivesse mais um momento... Um minuto para dizer o quanto ele era importante, o quanto ela o amava, apesar das discussões, das diferenças.
Mas a realidade era implacável, uma força cruel que não oferecia segundas chances. A ausência do pai era uma dor física, uma lacuna em sua alma que nenhum tempo parecia capaz de preencher.
Amélia abriu os olhos, olhando o vazio à sua frente, como se desafiasse o destino que lhe havia tirado tanto. O salão ao redor, cheio de pessoas murmurando palavras de conforto que mal registravam, pareciam um universo distante. Ela estava sozinha com sua dor, um isolamento que só o luto é capaz de criar.
Respirou fundo, tentando reunir forças.
"Ele teria me dito para ser forte".
Ela pensou, segurando o pingente no pescoço, um presente do pai em seu último aniversário. Mesmo que a tristeza tentasse consumi-la, ela decidiu que continuaria, por ele, por si mesma, e por aqueles que ainda precisavam dela.
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Lua de Sangue
FanfictionAmélia Lockwood sempre viveu uma vida normal em Mystic Falls ao lado de seu irmão gêmeo, Tyler. Inteligente e de língua afiada, ela nunca se envolveu com o que não podia explicar, até começar a ter sonhos sombrios e perturbadores: um homem de terno...
