30

1.5K 146 94
                                        

Mystic Falls, Virgínia - 2011

Tyler parecia estar se adaptando perfeitamente à sua nova vida como híbrido, de uma forma que Amélia jamais imaginaria. Para ele, o vampirismo era um presente, uma liberdade que antes não tinha. Agora, podia se transformar em lobo quando quisesse e, caso não desejasse, não precisava mais sofrer a dor das transformações involuntárias. Ele acreditava que devia essa liberdade a Klaus, e isso inquietava profundamente Amélia.

Ela sabia que gratidão ao híbrido original nunca traria nada de bom.

Após muita insistência de Tyler, Amélia concordou em acompanhá-lo à festa da fogueira. Ela não queria estar ali, mas preferia vigiá-lo de perto.

Assim que chegaram, com o calor das chamas iluminando os rostos ao redor, os olhos de Amélia foram imediatamente atraídos para uma figura conhecida sentada em frente à fogueira.

Rebekah Mikaelson.

Klaus havia partido, mas deixado sua irmã para trás. Ela estava acompanhada de Stefan, sem humanidade, que agora desempenhava o papel de cão de guarda, vigiando Amélia e Elena de perto, tornando qualquer tentativa de escapar quase impossível.

Tyler se afastou, murmurando algo sobre buscar bebidas. Amélia apenas assentiu, mas o desconforto crescia em seu peito. Seus olhos se voltaram a Rebekah. Ela parecia deslocada, encarando o fogo com um olhar distante e vazio depois que Stefan se afastou.

Por um momento, Amélia hesitou. Algo na expressão de Rebekah a incomodava. Uma parte dela queria ignorar, fingir que não via a melancolia nos olhos da vampira original. Mas outra parte, mais profunda, sentia... pena.

Não seja ridícula. — murmurou para si mesma, bufando.

Rebekah era uma Mikaelson. Uma imortal que, como Klaus, só sabia causar dor e sofrimento.

Mas, no fundo, Amélia não conseguiu afastar o pensamento de que, talvez, aquela solidão que via nos olhos de Rebekah fosse algo com o qual ela mesma podia se identificar. Afinal, ambas, de formas diferentes, haviam sido peças em um jogo maior do que podiam controlar.

Amélia relutou até o último momento, mas decidiu que precisava falar com Rebekah. A tensão no ar não era confortável, mas talvez, apenas talvez, a vampira original pudesse ajudá-la. Com passos lentos, ela caminhou até a fogueira e sentou-se ao lado da loira, que parecia tão perdida quanto Amélia se sentia.

— Você é a duplicata lobisomem. — Rebekah disse, sem sequer virar o rosto.

— Amélia. — disse calmamente, olhando para o fogo. — Por que seu irmão te deixou pra trás?

— Porque ele é um idiota. — Rebekah respondeu com indiferença, mas havia uma ponta de mágoa em sua voz.

— Sabe onde está o caixão onde ele prendeu o Elijah? — Amélia perguntou diretamente, sem rodeios.

— Você conhece meu irmão? — Rebekah finalmente a olhou, estreitando os olhos.

— Temos uma... ligação. — Amélia desviou o olhar por um segundo. — Apesar de ele ter sido um idiota, não quero deixá-lo lá.

— Que tipo de ligação meu irmão poderia ter com você? — Rebekah perguntou, intrigada.

— Se eu te contar, vai me ajudar a encontrá-lo? — Amélia propôs, tentando medir a reação da Mikaelson.

— É, posso te ajudar. — Rebekah hesitou, mas acabou dando de ombros.

Amélia respirou fundo, sabendo que estava prestes a abrir uma parte de si que raramente compartilhava.

Lua de SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora