Mick
Procurei pelas chaves do carro no bolso, apressado, enquanto tentava não acordar Zach e seu pai com o barulho. Droga, eu ainda estava tonto pra caralho, e não conseguia ficar em pé por alguns minutos sem derrubar algo.
Mas que porra, Mick! Censurei a mim mesmo, lembrando-me da mensagem da minha mãe.
Meu pai queria me ver. O que significava que algo ruim estava acontecendo. Ou ia acontecer. O que significava que eu era um idiota por estar bêbado. E drogado, pensei, me lembrando do que Tray me dera.
Idiota o bastante para perder Alison, me lembrei.
Idiota o bastante para não conseguir lidar com o fato de meu pai estar doente. Doente para caralho.
Idiota o bastante para beijar uma garota e deixá-la dirigir, bêbada, pra casa sozinha.
Sim, eu era idiota pra caralho. E boca-suja.
Joguei um pouco de água fria no rosto, respirando fundo. Eu não devia ter bebido tanto.
Coloquei as chaves do carro de volta no bolso, e peguei, ao invés, as chaves da moto de Zach, que eu regularmente pegava emprestada. Ele ficaria puto por eu dirigi-la naquele estado, mas eu precisava de um pouco de velocidade. Era difícil explicar.
Dirigi com certa pressa, porém, tendo o cuidado de não bater em nada. Ou talvez fosse sorte. De qualquer forma, suspirei aliviado ao chegar no hospital, dizendo a mim mesmo para não estragar tudo.
A garota da recepção, com uma cara de sono e tédio, nem se deu ao trabalho de me encarar, dizendo que já era muito tarde pra visitas.
- É importante - eu disse, com certa urgência, e ela murmurou algo sobre ter normas a seguir, não tirando os olhos de seu livro.
Disse a mim mesmo para ficar calmo, e a encarei.
- Olha - procurei por seu crachá, pendurado na blusa gasta - Lucy. Isso é realmente importante.
Ela se deu ao trabalho de levantar os olhos, e parecia um pouco irritada. Notando minha urgência, ela suavizou sua expressão.
- Sinto muito, eu não posso fazer nada... - ela pareceu um pouco indecisa, o que me deu um pouquinho de esperanças.
- Ele está morrendo - afirmei, pela primeira vez, de certa forma, mais para mim mesmo do que para ela.
- Sinto muito - ela murmurou novamente, parecendo um pouco triste.
Tentei me acalmar. A culpa não era dela, repeti para mim mesmo algumas vezes, antes de me afastar.
Tudo estava ficando escuro novamente. Fechei os olhos, tentando me concentrar, e peguei um café da máquina.
Me sentei naquelas cadeiras da sala de espera, tentando não cair. Tudo estava girando, e milhões de coisas passavam pela minha cabeça, como se ela fosse explodir. Que merda fora aquela que Tray me dera?
Fechei os olhos, e percebi, ao os abrir novamente, que duas senhoras me encaravam, preocupadas. Então tudo começou a girar novamente.
Não sei ao certo quantos copos de café eu peguei naquela máquina, mas depois do que pareceu uma eternidade, passou. Eu só me sentia... alerta.
Consultei o relógio, e já passava das cinco da manhã. Eu havia dormido, em algum momento?
Peguei mais um café, e a garota da recepção me encarava, preocupada.
- Ei - ela me chamou, e notei que também carregava um copo de café nas mãos. - Você pode entrar um pouco.
Ela me deu um crachá, ou algo parecido. Na verdade, não prestei atenção.
Lembrei-me de agradecê-la, ao chegarmos ao elevador, e ela me ofereceu um meio sorriso. Talvez eu estivesse péssimo, porque ela quase parecia com pena de mim.
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Perto do limite
Roman d'amourEu passei muito tempo tentando entender o que essa história representa - para os leitores e para mim, mas acho que, no fim, é uma história sobre se apaixonar. Sobre como o amor pode trazer de volta cores para uma parte da sua vida que estava em somb...
