Leah
Meus pais e Rebeca estava rindo quando cheguei em casa, e não prestaram muita atenção em mim, o que foi bom, porque eu ainda estava com a jaqueta de Mick, e fui me lembrar disso quando já havia entrado.
- Você perdeu - Rebeca disse, entre risadas, quando notou minha presença. Quando ela ria de algo, não havia nada que a fizesse parar.
- O que? - perguntei, e minha mãe tentou segurar o riso.
- A idiota da Sally levou um tombo com aqueles saltos enormes. E até Richard riu. Meu Deus, foi hilário!
Revirei os olhos, rindo. Eu não tivera tempo de falar com aquela garota, mas estava curiosa pra conhecê-la.
- O nome dela é Molly, querida - minha mãe disse, fazendo uma careta. Ela sempre nos repreendia por falar mal de alguém ou algo do tipo. Minha mãe era o tipo de pessoa que nunca falava pelas costas, nem mesmo de quem não gostava.
- De quem é essa jaqueta? - Rebeca perguntou, me lançando um olhar malicioso, e revirei os olhos. Obrigada, maninha, pensei, com uma dose de sarcasmo.
- Um amigo - eu disse, enquanto pegava uma garrafa de água na geladeira, não os encarando. Meu Deus - Um dos garotos. Do show.
- Hmm, tome cuidado com esses garotos de banda... - minha mãe parecia prestes a começar com seu discurso sobre "esse tipo de garoto" (ela sempre os classificava. Garotos inteligentes, garotos arruaceiros, garotos de igreja, garotos de banda).
- Ele é legal, mãe - eu disse, e me arrependi, porque eu podia ver pelo olhar curioso de Rebeca que ela me perguntaria sobre isso mais tarde, e quando Rebeca perguntava coisas sobre algo...bem, você podia se sentir num banco de testemunha daqueles julgamentos enormes. Por horas.
- Esse garoto te trouxe pra casa? Você não devia ficar andando por aí sozinha tão tarde, querida...
- Sim - respondi, sentindo minhas bochechas queimarem, e lancei um olhar à Rebeca para que mudássemos de assunto, que ela fingiu ignorar.
- Devia ter convidado ele pra entrar - meu pai se levantou, pegando uma cerveja da geladeira, e bagunçou meu cabelo enquanto voltava para o sofá. Ele sempre fazia isso, desde que éramos crianças.
- Podemos voltar a falar sobre a amiga da Beck? - perguntei, dando certa ênfase à palavra 'amiga' e Rebeca riu.
- Não, mas aquela moça precisa de modos - minha mãe disse, balançando a cabeça. Essa era uma das coisas que só minha mãe dizia às vezes - Querida, amanhã vou sair bem cedo pra fazer umas compras. Quer me acompanhar?
Rebeca riu, e a fuzilei com o olhar. Ela sabia o quanto eu odiava fazer compras - ela e minha mãe demoravam horas pra escolher algo.
- Não podemos ir ao cinema ou algo assim? - perguntei, olhando pro meu pai en busca de ajuda. Sair pra comprar coisas com minha mãe e Rebeca o entendiava tanto quanto a mim - O cinema daqui tem aqueles filmes 4d que você gosta.
Eu esperava que aquilo a convencesse, porque se havia algo que minha mãe gostava mais do que sair para comprar - ou na maioria das vezes, apenas ver, já que ela adorava ficar andando pelas lojas, mas raramente comprava algo para ela mesma - era ver filmes. Na verdade, todos nós adorávamos, e sempre fazíamos coisas assim nos feriados, apesar de haver brigas sobre o gênero do filme em questão. Meu pai sempre perdia.
- É claro. Mas depois podemos fazer umas comprinhas, não acha?
- Tudo bem - concordei, relutante, e eu e meu pai trocamos um olhar. Minha mãe sempre conseguia nos convencer.
Mas na verdade, aquilo não importava. Meus pais iam embora no domingo, e eu precisava aproveitar todo o tempo que tínhamos - pois eu duvidava que voltasse para visitá-los tão cedo. Eu não podia. Não depois da última vez, e daquele incidente que ainda me assombrava.
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Perto do limite
RomanceEu passei muito tempo tentando entender o que essa história representa - para os leitores e para mim, mas acho que, no fim, é uma história sobre se apaixonar. Sobre como o amor pode trazer de volta cores para uma parte da sua vida que estava em somb...
