Capítulo 57

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Capítulo 57

Mick

Há uma parte de mim que quase consegue respirar quando Leah está por perto. Como se ela pudesse tornar tudo melhor - com seus abraços no meio da noite, sua mão encontrando o caminho da minha depois de um pesadelo, nossos corpos próximos o bastante para eu desejá-la de uma forma que não poderia descrever. Há uma parte de mim que fica feliz por ela se preocupar - por ela conseguir ver algo bom quando nem eu mesmo consigo, e, ainda assim, ficar. Mas há uma parte de mim que quer dizer à ela que nada daquilo vai dar certo - aquela coisa que tínhamos e nenhum de nós sabia rotular, e às vezes, quando esses dois opostos brigam, eu preciso fechar os olhos por algum tempo. Nesses momentos, eu me pergunto se não seria mais fácil simplesmente ligar o foda-se. Eu sei que a magoa me ver daquele jeito - caralho, eu vi o olhar em seu rosto quando ela entrou naquela festa, e eu estava chapado, com aquela garota, mas ela precisa saber. Eu não sou quem ela pensa que sou. Quando penso sobre isso, percebo que sou completamente errado pra garota. Eu estou completamente fodido, e é tão fácil voltar pra escuridão, que às vezes me pergunto porque ainda não o fiz. Sim, porque ela está aqui. Droga. E eu preciso dela aqui. Eu simplesmente preciso dela aqui.
Leah trouxe cores para toda aquela escuridão que me cercava - ou me fez enxergá-las, por mais piegas que aquilo pudesse soar. A garota fazia eu me sentir como se as coisas pudessem valer a pena, e eu não queria perder aquilo. Eu não queria perdê-la - a garota que tornava tudo simples e divertido, e fazia eu me sentir como se eu valesse a pena. Eu não queria perdê-la, mas sabia que aquilo acabaria mal - ela não queria se envolver, e porra, eu já estava envolvido.
Tive certeza daquilo quando a vi abrir a porta, caminhando em minha direção com seu sorriso destruidor e os olhos grandes, tão escuros que pareciam brilhar, e não pude deixar de pensar que ela era linda pra cacete.
Eu a havia convidado para jantar - depois de passarmos a tarde juntos, tentando curar sua ressaca e ouvindo músicas ruins - em parte porque não queria passar a noite em casa, com Miranda e seu novo namorado, porque eu não gostava de conversa fiada, e não queria conhecê-lo, e em parte porque eu realmente queria sair com a garota. Leah e eu passávamos bastante tempo juntos, e sempre nos divertíamos, com suas piadas ruins, provocações e conhecendo lugares aleatórios. Ela também era uma boa companhia para beber, e nós nos dávamos bem.
Droga, eu estava tentando convencer a mim mesmo. Eu gostava dela. Sim, eu sabia...a garota fazia eu me sentir...vivo. Leah fazia eu sentir coisas que nunca havia sentido.
Desde Alison, eu não havia me envolvido verdadeiramente com ninguém - com excessão de Luiza, que era uma garota legal, mas nós não tínhamos nada a ver, e ela havia dormido com Tray. Não que eu pudesse culpá-la - nós não tínhamos nada, de qualquer forma. E com Leah era...diferente. Eu sentia como se pudesse falar sobre qualquer coisa com ela, e a garota não me olharia como se eu fosse maluco.
Eu sabia que a garota não queria um relacionamento. Pelo o que eu podia deduzir de nossas raras conversas sobre seus sentimentos - ela não gostava de falar sobre isso - eu podia arriscar que a garota havia saído de um relacionamento recentemente, que provavelmente não acabara bem, e ainda parecia magoada.
E tudo bem. Eu também não sabia que porra eu queria, mas eu gostava dela. Cacete, eu realmente gostava.
Então a levei pra jantar, ansioso por passar mais tempo com ela. Pensei que talvez eu devesse dizer a ela, mesmo achando que não conseguiria colocar em palavras toda aquela loucura, mas talvez ela soubesse.
Não pude ignorar a hipótese quando a garota, depois de insistir para que eu cantasse no karaokê do restaurante, mesmo eu dizendo que não havia preparado nada, colocou seus braços ao redor do meu pescoço e me puxou para um abraço, trazendo o cheiro de seu shampoo para perto. Então eu coloquei meus braços ao redor dela, desejando prolongar aquilo. Não era um encontro, nós havíamos dito, mas caralho. Como definir o modo com aquela garota fazia eu me sentir?
Eu estava nervoso pra cacete sobre cantar em público, porque geralmente era Lucas quem fazia o trabalho, e ele se saía bem pra caralho naquilo. Eu sabia que mesmo que eu desafinasse ou esquecesse a letra da música, a garota diria gostar, e estaria sendo sincera.
Eu gostava de cantar - aquele não era o problema - mas sempre que terminava eu ficava pensando no que poderia ter mudado ou feito melhor - como nos shows, ou no casamento, mas, naquela noite, aquela insegurança maluca desapareceu quando Leah sorriu, me encarando daquela maneira como se ela estivesse orgulhosa de algo - orgulhosa de mim, e então eu já não me importava com o fato de ter saído do tom da música pelo menos uma vez. Eu não sabia o que a garota via quando eu cantava, mas eu gostava quando ela me encarava daquela maneira. Como se eu fosse bom pra caralho em algo.
- Se esse fosse um encontro, você já teria me impressionado - ela disse, então, eu seu tom brincalhão habitual, e a encarei, dizendo o quanto ela estava incrível pra cacete. Não pude deixar de pensar que cada parte daquilo era verdade. Leah era fantástica - tudo sobre ela era.
- E você é muito talentoso, Mick Young. - ela sorriu, seus olhos grandes e escuros brilhando, e nós estávamos tão próximos que eu me perguntei se ela queria que eu a beijasse. Então me lembrei de que era Leah, e ela diria. E eu não queria estragar tudo.
- E faz elogios bons pra cacete - ela continuou, e deu um gole no meu uísque. Notei que a garota deixou um pouco de seu batom escuro no copo, e olhei para seus lábios, que pareciam ainda mais sexy um pouco borrados, e novamente quis beijá-los a noite toda.

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