Capítulo 30

67 5 0
                                        

Leah

Tomei um banho rápido no vestiário, tentando tirar os vestígios do cloro do meu cabelo, e não pensar em Mick, o que era bastante difícil, levando-se em conta nossa discussão de alguns minutos antes.
Porque eu quero conhecer você, ele havia dito, me encarando com aquele seu olhar intenso e perturbador, e não pude deixar de me perguntar sobre o que aquilo significava.
Mas a verdade é que ele não podia. Porque me conhecer significava enxergar quão bagunçada minha vida era. Quão bagunçada eu era.
E eu não podia envolvê-lo naquilo.
Mick era perigoso - agora eu havia finalmente percebido. Não no sentido mais usual. Mas ele era. Para mim. Porque, perto dele, eu não conseguia me controlar. Eu não conseguia pensar. E eu não podia perder o controle.
Mick era perigoso porque tudo nele me atraía. E aquilo podia acabar mal para mim.
Pensei nisso, novamente, enquanto ele me encarava, encostado em seu carro no estacionamento. Ele estava me esperando.
- Não vou mais fazer perguntas - ele disse, assim que me aproximei - E você não vai se afastar. Certo?
Enquanto eu me perguntava se aquilo era uma espécie de combinado, ele se aproximou, diminuindo o espaço entre nós, e tocou uma mecha do meu cabelo, daquele jeito irritante.
Ele ia me beijar. Eu sabia, porque ele estava se aproximando daquele jeito - me olhando daquele jeito, como naquela primeira noite. E na segunda. E em sua casa. E agora.
Ele colocou sua mão em meu pescoço, roçando os dedos levemente, e então eu soube. Mas dessa vez, eu precisava parar. Embora tudo em mim gritasse sim, eu tinha que parar.
- Para - eu disse, tentando soar com raiva, mas minha voz saiu baixa, e incerta, como se eu não pudesse controlá-la. Como se nem eu tivesse certeza do que queria.
- É só um beijo, Leah - ele disse, encostando seus lábios nos meus, bem devagar, como se estivesse esperando minha reação.
E então, pronto. Tudo em mim estava queimando de novo.
Tentei afastá-lo, mas acho que não soei convincente nem para mim mesma, porque de repente eu estava assentindo, encostada em seu carro, puxando-o para mais perto, e ele tinha os lábios em meu pescoço.
Abri os olhos, observando-o enquanto tentava me lembrar de como respirar.
Tudo o que eu conseguia pensar era que não queria que ele parasse. E que ele cheirava à sabonete. E seu cabelo estava úmido. E ele era atraente. Céus, ele realmente era.
Tudo bem, eu pensei. Era só um beijo.
Então estávamos em seu carro, e o puxei em minha direção, minhas mãos em seu abdômen, por baixo da camisa. E suas mãos em minha cintura, e nas minhas costas, e em minhas coxas, e de repente éramos só eu e ele. Eu não conseguia pensar em mais nada.
Ele me encarou, com aquele mesmo olhar misterioso e brincalhão, e me beijou mais uma vez antes de se afastar.
E, nossa, aquilo não havia sido, nem de longe, um beijo.

Perto do limiteOnde histórias criam vida. Descubra agora