Loren Colucci era a noiva de Mário Monteiro desde a adolescência, mas nenhum dos dois desejava a união.
Loren não suportava a ideia de se casar com o menino que viu crescer e com ele não era muito diferente, se existisse algum tipo de sentimento bo...
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LEONARDO SALVATTORE
Loren soltou-se do meu aperto no momento em que entramos no meu camarote, se aproximando da parede de vidro blindado, de onde tínhamos uma visão privilegiada da pista, dali, poderíamos ver toda a corrida sem auxilio dos telões, ou das telas que tinham no camarote
Eu projetei meu camarote exatamente para isso, as paredes de vidro cobriam do chão ao teto, tinham cortinas automáticas garantindo privacidade total, que fechavam-se com um comando de voz. Do lado de fora, ninguém enxergava nada, mas dali de dentro, a visão era absoluta. Podíamos ver tudo. Acompanhar em tempo real cada movimento da pista. Era seguro, blindado, havia uma sala segura, em caso de desastres naturais ou invasões. Era uma fortaleza, mas que não aparentava ser nada mais que uma sala comum; um sofá de couro italiano ocupava a parede oposta ao vidro, com almofadas em tons escuros. Havia uma lareira digital, quadros com fotos de corridas antigas, uma mesa com as bebidas que eu mais gostava, e no canto, um pequeno bar com cristais. O tapete era espesso, escuro, e abafava qualquer som de passos.
Além de Armando, Loren era a primeira pessoa que eu permitia a entrada.
Me servi um gim e sentei, observando pelo telão o que acontecia na pista. Os corredores estavam se preparando para o inicio da corrida, era uma final, o ganhador levaria para casa 500 mil euros. Eram três bons corredores, e eu tinha meu favorito, ele corria pela casa, os outros dois eram de fora, patrocinados por outras pessoas. Eu queria prestar atenção em tudo que estava acontecendo, mas eu não conseguia tirar meus olhos da minha esposa.
Ela não parecia pertencer a esse lugar, eu não conseguia associar sua aparência angelical e sua personalidade igualmente doce, a alguém que pudesse se encaixar em um local como aquele, mas, ela se encaixava, a excitação em seus olhos, vidrados na pista, eram a prova disso.
Loren olhou pra mim por cima do ombro e sorriu, foi impossível não sorrir de volta.
As luzes da pista se apagaram, apenas os faróis dos três corredores ficaram ligados, estava quase na hora da largada.
— Venha sentar, mic - chamei, sabendo que ela não sairia de onde estava. — Podemos ver tudo daqui - isso foi o suficiente para convencê-la.
Loren veio em minha direção, sentando-se ao meu lado.
— É incrível - ela disse, o sorriso indo de uma orelha a outra. — Não acredito que você nunca me contou sobre esse lugar - ela resmungou, fazendo um beicinho fofo e eu ri.
— Eu estava esperando por um momento oportuno - foi tudo o que eu respondi, não sabendo como demonstrar o quanto significava pra mim que ela estivesse ali, e que estivesse gostando de estar ali.
Loren deu de ombros, voltando sua atenção para os telões. Relaxei no sofá, bebericando minha bebida, quando a tabela com as informações de apostas ganhou destaque na transmissão.