Loren Colucci era a noiva de Mário Monteiro desde a adolescência, mas nenhum dos dois desejava a união.
Loren não suportava a ideia de se casar com o menino que viu crescer e com ele não era muito diferente, se existisse algum tipo de sentimento bo...
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LOREN SALVATTORE
O último dia na casa de buni passou mais rápido do que eu gostaria. Acordei mais cedo que o normal, esperando encontrar Leo, mas novamente estava sozinha na cama. Fiquei alguns instantes para me acostumar com a claridade e a brisa suave que entrava por uma das janelas que ficou entreaberta. Dormir e acordar pertinho do mar era revigorante.
Saí do quarto depois de escovar os dentes, indo para a sala para procurar por Leo. A casa estava vazia como na manhã anterior, mas então, pela porta da sala que estava aberta, eu vi, meu marido e buni caminhando na beira da praia.
Leo abraçava a avó pelos ombros, a ajudando a andar pela areia, eu não conseguia entender o que eles estavam falando devido a distância, mas via suas bocas se moverem e os via sorrir de forma suave.
A cena era adorável.
Corri de volta para meu quarto e peguei meu celular do fundo da mala, para registrar o momento e deixar guardado. Iria sentir falta disso, de ver Leo tão descontraído e tranquilo, iria sentir falta do lugar e principalmente sentiria muitas saudades de buni. Iria colocar a foto em um quadro quando chegássemos em casa.
Quando Leo ergueu o rosto na direção da casa, eu acenei para os dois da porta, ainda de pijamas e com o rosto amassado do sono, sem contar no meu cabelo, que devia estar uma bagunça completa.
Os dois voltaram para casa e buni me deu um abraço de bom dia. Enquanto ela servia nosso café, mesmo quando nós dois tentávamos fazer isso sozinhos, acabei descobrindo que seu nome era Evelina, mas ela disse que puxaria as orelhas de Leo se ele ousasse chamá-la assim de novo, então ela continuaria sendo apenas a nossa "buni".
Mais tarde, depois que ajudei com a louça após convencê-la de que eu sabia sim usar uma esponja, ela nos expulsou da cozinha para começar a preparar o almoço, algo muito muito especial, para nos despedirmos em grande estilo - palavras da própria buni -, eu fui arrumar nossas coisas, para não acabar deixando tudo para cima da hora.
Nosso voo estava marcado para o dia seguinte, logo de manhã bem cedinho, então teríamos que sair da ilha depois de anoitecer, para viajar mais seis horas de carro até o aeroporto e voltar para Pisa.
— A água está na temperatura ideal para um mergulho, mic - Leo apareceu na porta do quarto, e eu o olhei por cima do ombro. Ele já tinha tirado a camisa que usava mais cedo, claramente estava aproveitando o tempo longe dos ternos, blusas socais e sapatos apertados. Ele estava com os pés descalços, a calça de linho estava dobrada até quase seus joelhos. — Me acompanha?
Assenti, e comecei a procurar na mala uma das roupas de banho que comprei especialmente para esse momento. Ainda não tinha entrado nenhuma vez no mar desde que chegamos, então ia aproveitar e me despedir da ilha da melhor forma possível.
Leo estava me esperando do lado de fora, sentado nos degraus que separavam a casa da areia, olhando em direção ao horizonte, onde o céu e o mar igualmente azul pareciam um só.
Ele ergueu o olhar no instante em que passei pela porta e vi um sorriso lento surgir em seu rosto, mas então, seu olhar se intensificou e seu sorriso sumiu. Leo ficou de pé, sem desviar sua atenção, deslizando seu olhar por meu corpo como se nunca tivesse me visto e quisesse memoriza-lo. Sorri tentando disfarçar o formigamento no pé da minha barriga.
Buni estava a poucos metros de distância, eu tinha que me comportar.
Ele estendeu a mão e me guiando, caminhamos juntos pela praia até chegar ao mar. A água morna tocou meus joelhos, e então entramos mais no mar até eu estar coberta até a altura das coxas. As ondas estavam fracas, mas eu ainda tinha que segurar em Leo para não ser derrubada toda vez que uma nova se formava, já ele parecia estar se divertindo muito enquanto me via lutar pela minha vida.
— Venha aqui - ele disse divertido, me puxando para ficar com as costas colada em seu peito, para que eu o usasse como apoio. Suas mãos desceram para meu quadril, me segurando com firmeza.
Fechei os olhos e encostei minha cabeça nele, relaxando totalmente contra o seu corpo. Senti o sol na minha pele, a água que agora já me cobria até a cintura, o corpo de Leo e suas mãos. Por um momento, foi como se tudo ao meu redor ficasse desfocado, e apenas ele existisse.
— Ficaria pra sempre aqui - a voz de Leo não passava de um sussurro rouco, quase inaudível — com você.
Abri os olhos me me virei de uma vez para ele e segurando seu rosto entre minhas mãos, o beijei. Tinha gosto de água salgada e afeto. Foi lento e intenso. Uma sensação quente, que eu não sabia descrever tomou conta do meu corpo, rodopiando de forma descontrolada e fazendo minha pele arrepiar e meu coração acelerar.
Os olhos escuros de Leonardo estavam focados nos meus, a sensação se intensificou quando notei suas pupilas dilatadas. Ele não emitiu nenhum som, não disse mais nenhuma palavra, mas naquele momento, não precisava.
Leo apenas me puxou para perto e me abraçou com força, me sufocando contra o seu corpo, e eu o abracei de volta, o mais forte que consegui, dizendo, também de forma silenciosa, que eu não iria a lugar nenhum. Que ia ficar com ele. Em qualquer lugar. Na paz de uma ilha deserta, na correria de Pisa e nos problemas silenciosos da nossa vida.
— Está começando a esquentar - Leo disse, ainda sem me soltar — Vamos voltar antes que você pegue uma insolação.
Eu ri do seu exagero, mas o deixei me levar para fora da água.
Quando entramos para casa, depois de deixar a água escorrer para não molhar o chão da casa, Leo foi direto para o banho e eu fui separar as roupas que usaríamos na viagem, quando meu celular tocou.
Um número desconhecido brilhou na tela e eu franzi a testa. Sabia que não deveria atender, mas, por algum motivo, a curiosidade foi maior que eu.
— Oi?
— Preciso falar com você. - a voz de Mário soou abafada do outro lado e eu engoli seco. — Preciso de você.
Engasguei com minha própria respiração. O que diabos estava acontecendo?!
Ouvi a porta do banheiro abrir atrás de mim e encerrei a chamada rapidamente, desligando meu celular, para não correr o risco de receber outra ligação.
— Quem era? - Leo perguntou, e eu engoli seco. Claro que ele tinha ouvido o celular.
— Pietra - menti, sem consegui me virar e olhar para ele — Não era demais, ligou errado. - eu ri sem graça. — Você sabe como ela é. - Guardei o aparelho no fundo da mala e me virei para ele, tentando parecer calma. — Vou tomar um banho, buni esta nos esperando.