Loren Colucci era a noiva de Mário Monteiro desde a adolescência, mas nenhum dos dois desejava a união.
Loren não suportava a ideia de se casar com o menino que viu crescer e com ele não era muito diferente, se existisse algum tipo de sentimento bo...
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LEONARDO SALVATTORE
— Você a assustou - Loren brigou, balançando um bebê nos braços. O bebê de Mário. O indivíduo, estava sentado no chão, parecendo péssimo, olhava para a minha esposa como se ela fosse sua salvação e isso não era nada bom.
Eu não o queria por perto nem quando ele tinha a própria esposa, muito menos agora, que ele estava sozinho e tinha uma filha. Que estava sendo ninada pela minha mulher.
Eu não estava arrependido de ter mentido para Loren sobre a morte de Miranda. Meu único erro foi não ter sido cauteloso o suficiente e deixado que ela descobrisse. Por mim, estaríamos em casa, lidando com a nossa própria vida, não em um maldito velório, enquanto minha esposa consolava o ex-noivo. Talvez eu até a contasse, algum tempo depois, ou deixasse que ela descobrisse eventualmente.
Eu sabia que, Loren não ia conseguir ficar longe dele quando colocássemos o pé em Caserta e eu odiava que não era apenas meu ciúmes me fazendo imaginar coisas. Era real. Eles tinham um maldito vínculo, mas eu ia dar um fim naquilo. Claro que ia, porra. Já estava passando da hora.
Mário teve a chance dele e a desperdiçou durante anos, eu não ia me compadecer da desgraça dele e permitir que ele se aproximasse da minha esposa, seja qualquer que fosse a sua intenção.
— Eu não sei o que fazer - Loren sussurrou. Ela tinha vindo até mim, ainda com a criança choramingando em seus braços.
— Você não tem que fazer nada - eu disse o mais calmo que consegui, tentando não demonstrar o incômodo irracional que sentia ao ver ela segurando um bebê. Um bebê que não era nosso. Engoli seco, afastando a ideia que surgiu em minha mente, e continuei, tentando manter a calma. — Não é sua responsabilidade.
Ela ficou em silêncio. Loren precisava entender que Mário não era responsabilidade dela, assim como a mãe dele não deveria ter sido e, como aquela criança não seria. Eu não ia permitir que fosse. A criança não tinha culpa de ser filha de Mário, mas isso não mudava o fato de que ela era e do que significava.
— Ela é só uma bebê inocente - Loren disse, a voz tão baixa que quase não consegui ouvir — Acabou de nascer e não tem uma mãe, nem mesmo um nome...
Eu queria segurá-la pelos ombros e a sacudir até que ela entendesse que ela não tinha mais nada haver com a família Monteiro, mas minha esposa tinha um coração bom e estava emocionalmente fragilizada naquele momento, então eu tinha que morder a língua e aguentar por mais um tempo.
Um choro penoso interrompeu nosso momento. A pequena coisa estava aos berros, movendo-se como se fosse tudo fosse desconfortável.
— Acho que ela esta com fome - Loren disse, e a vi respirar fundo. — Talvez Layla saiba o que fazer. - e sem esperar por uma resposta minha ou do pai da criança, ela passou por mim e saiu, me deixando parado no meio do corredor, a poucos metros do outro.
Encarei Mário por alguns instantes, e, bufei, caminhando até ele. Mário estava disperso o suficiente para não notar que eu estava me aproximando.
Me curvei para alcançar o colarinho de sua blusa e o puxei para cima em um solavanco, ele arregalou os olhos e tentou se afastar, mas eu não permiti.
Mário era um maldito cachorro louco, sua fama não era exagero, eu já o tinha visto em ação e sabia que era praticamente impossível ganhar uma luta corpo a corpo com ele, mas naquele momento, o grande Monteiro não passava de uma carcaça despedaçada.
— Escute aqui, seu desgraçado - eu o puxei para perto, o olhando nos olhos. O homem estava claramente atordoado. — Eu entendo o que você está passando, entendo pra um caralho, mas agora, você tem deveres que antes não tinha. Você vai se levantar, tomar um banho, fazer a barba e ir cuidar da sua criança. Você não é mais um moleque, tem que começar a agir como tal. - eu o sacudi um pouco — Ninguém tem que cuidar de você ou daquela criança, então tome uma posição. Está passando da hora.
O soltei de uma vez e ele cambaleou para trás. Era bom que uma simples conversa resolvesse, mas eu não me importaria em dar uns bons chutes nele, caso fosse necessário. Mário me olhou com fogo nos olhos e eu sabia que ele estava voltando a si.
— Quem você pensa que é pra falar assim comigo, porra? - ele veio em minha direção e eu dei um passo a frente e ficamos perto demais um do outro.
— Eu quero muito que você se foda, - eu disse, sem me importar com a raiva em sua voz. Estava louco para quebrar a cara dele fazia tempo demais. — Mas sua filha precisa de um pai. Dê pelo menos um nome para a criança e ache uma babá para ela, já que você é inimigo de responsabilidades.
Sem esperar uma resposta, eu passei por ele esbarrando de propósito em seu ombro.
Acorda pra vida, desgraçado.
***
Encontrei Loren no primeiro andar, perto das escadas, ela estava olhando de longe para os caixões fechados, como se não tivesse coragem de se aproximar.
Pare no meio da escadaria, segurando com força o corrimão. A cena inconscientemente me fez lembrar de anos atrás, quando eu ainda era um menino e haviam três daqueles na minha sala.
Eu estava ao lado do meu irmão mais velho, recebendo os convidados que nos davam as condolências copiosamente, como se fossem apenas robôs repetindo as mesmas frases vazias. Algumas pessoas pareciam realmente tristes, outras, olhavam para nós com pena, "os únicos dois sobreviventes de uma grande tragédia", eles sussurravam entre si, como se não fôssemos capazes de ouvir.
— Layla está com a bebê - Loren disse, sua voz me afastou das memórias que raramente apareciam. Eu terminei de descer as escadas e olhei para seu rosto bonito, estampado por uma expressão mista de cansaço e preocupação.
— Não é sua responsabilidade - repeti contido, erguendo minha mão para acariciar seu rosto — Você não tem nenhuma dívida a pagar com Mário. Você já fez mais do que o suficiente por ele.
Loren abaixou o olhar, mas antes eu vi claramente o que eles queriam dizer. "Você não entende". Ela não abriu a broca, mas eu sabia que era o que ela queria falar.
— Venha aqui - eu a puxei para perto, e abracei. Loren se desmanchou em meus braços no momento em que seu corpo se encostou no meu, não ouvi, mas pelo movimento de seu corpo, ela estava chorando.
Eu não chorei quando meus pais e meu irmão mais novo morreram, mas eu sabia que abraços ajudavam nessas situações. Armando disse isso, quando tentou me abraçar no velório dos meus pais e eu lhe empurrei irritado. Talvez, se eu o tivesse deixado me abraçar, eu teria chorado um pouco também.
— Vai ficar tudo bem, amor - sussurrei contra seu ouvido, a apertando em meus braços. — Tudo bem...
Ficamos naquela mesma posição por minutos. O choro de Loren se tornou audível e ela começou a soluçar, até que parou, mas não se afastou.
— Vamos pra casa - ela disse, erguendo o rosto pra mim, seus olhos estavam inchados e seu nariz estava vermelho, ainda parecia cansada, exausta, mas também decidida. — Quero ir pra casa.