despedir?

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LOREN SALVATTORE

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LOREN SALVATTORE

Depois do jantar, Leo e Armando foram para o escritório, conversar e beber, provavelmente, enquanto eu fiquei com Pietra na sala, conversamos, bebemos, assaltados a geladeira e comemos um bolo de pistache e chocolate gelado que estava delicioso. 

Pietra estava mais animada que o normal, para não dizer, completamente alcoolizada. Nunca a tinha visto beber tanto, e eu estava relutante em deixa-la ir para casa, mas ela mesma ligou para um dos homens que fazem a segurança do seu pai e um carro blindado chegou para busca-la apenas alguns minutos depois. 

Não vi que horas Armando foi embora, ou se ele decidiu passar a noite em seu antigo quarto, como eu sugeri, porque decidi que já estava na minha hora de ir descansar, e quem sabe ter uma conversinha com meu marido antes de dormir. 

Eu tomei banho e já estava de pijamas, indo para a cama quando Leo entrou no quarto. 

— Está tudo bem mesmo, Leo? - voltei a perguntar, não conseguindo ignorar o incomodo que estava sentido. 

— Apenas trabalho acumulado - ele respondeu, evasivo novamente. — Está bem tarde, é melhor a senhorita ir para a cama. - ele passou por mim, indo direto para o banheiro. 

Eu podia estar sendo muito paranoica, mas não era "apenas" trabalho acumulado. Não era. Ele estava com um humor estranho, não estava irritado e cansado, não parecia sobrecarregado, mas não estava relaxado ou feliz.  E, Leo passou a noite evitando me olhar nos olhos. 

Sentada na cama, ouvindo o som do chuveiro, o celular dele chamou minha atenção, estava jogado de qualquer jeito na poltrona perto da janela, junto com o cinto dele, Leo os devia ter deixado ali quando estava indo para o banheiro. Engoli seco. Talvez eu devesse dar uma olhadinha. 

Fiquei de pé e caminhei até a poltrona. Encarei o aparelho em silêncio por alguns instantes, decidindo se deveria ou não pegar o celular dele sem permissão. Eu estava agindo como uma descontrolada? Talvez, sim, existia a grande chance de eu estar meio descontrolada mesmo. 

Peguei o celular, que ligou automaticamente, revelando o papel de tela de bloqueio, que me fez sorrir surpresa. Era uma foto minha. Uma foto que eu não sabia da existência. Era meu rosto de perfil, eu estava dormindo, meu cabelo estava uma bagunça ao meu redor. Mas meu sorriso vacilou quando o nome "Capo" brilhou na tela. Felipo Castelli, meu primo, estava ligando para Leo uma hora da manhã. Isso não deveria ser coisa boa. 

Olhei por cima do ombro, mas nenhum sinal de Leo e o chuveiro ainda estava ligado. Ele nem tinha ouvido a ligação de qualquer forma, já que seu celular estava no silencioso. E, eu não estava fazendo nada de errado ou suspeito, estava apenas atendendo uma ligação. Felipo era o chefe de Leo, então, não atender não era uma opção segura. 

Sem pensar muito, toquei no ícone verde para atender a ligação. 

— Boa noite, primo - eu disse, tentando não parecer tão culpada quanto eu estava me sentindo. Mesmo sem motivos. Leo estava no banho, eu estava apenas fazendo um favor a ele. 

— Loren - a surpresa era notável na voz de Felipo e só então eu percebi que não o via ou falava com ele faziam meses, foi inevitável não sentir saudades dele e consequentemente de Caserta e do restante da minha família. — Te acordei? 

— Não, já estava acordada - me limitei a dizer, esperando que ele continuasse a falar. 

— Como você está, prima? - Felipo perguntou, de forma suave, o que não era do seu feitio, e isso já me deixou em estado de alerta. — Melhor? - ele continuou, cauteloso — Pensei que ia querer estar aqui para se despedir, mas Leonardo explicou a situação, então não se preocupe e fique em casa se recuperando. 

Despedida? Recuperação? Do que ele está falando? 

— Me despedir? - sussurrei pra mim mesma. 

— Loren? - Leo me chamou e eu o olhei por cima do ombro, ele arregalou os olhos quando percebeu que eu estava com o seu celular — Com quem você está falando? - sua voz saiu baixa, quase ameaçadora, mas eu o ignorei, voltando minha atenção para a ligação. 

— Primo, precisa que eu passe algum recado ao Leonardo? - perguntei, tentando manter minha voz contida. Eu não iria fazer uma cena na frente de Felipo. 

— Apenas peça que ele verifique novamente as informações que pedi - ele respondeu — Tenho que voltar ao velório agora. Se cuide. 

E então, ele desligou. 

Respirei fundo e coloquei o celular de volta na poltrona onde estava antes, então me virei para Leonardo. Ele ainda estava parado no mesmo lugar, o cabelo molhado, com apenas a toalha ao redor do seu quadril, havia acabado de sair do banho e a expressão de culpa em seu rosto me irritou profundamente. Ele parecia um gato abandonado, e eu não podia achar isso fofo naquele momento, mas era, um pouquinho.  

— Você não devia ter atendido a ligação - ele tentou se aproximar, mas eu dei um passo para trás. 

— Leonardo Salvattore, de quem é o velório que eu deveria estar nesse momento? - tentei controlar meu tom, mas o final saiu como um grito engasgado. 

Enquanto Leo me encarava em silêncio, uma dezena de possibilidades passou por minha mente e eu não gostava de nenhuma delas. Não podia ser de alguém da família, não é? Meu primo estava muito contido... Talvez fosse o marido de Layla? Mas se fosse, por que Leo esconderia isso de mim? 

— Vamos dormir, conversamos sobre isso amanhã - ele avançou de uma vez, e me puxou pelo braço, como se estivesse com medo que eu saísse correndo, era isso que sua expressão de angustia dizia. 

— Leo! - meu grito foi o suficiente para ele me soltar.

— Por favor... 

— Por favor? Por favor digo eu. - eu respirei fundo — Eu exijo saber o que está acontecendo, agora.

— A mãe de Mário se suicidou - sua voz saiu baixa, quase inaudível. 

O mundo parou por alguns instantes, enquanto minha mente tentava processar as palavras. Leo se aproximou outra vez e em um movimento rápido, quase instintivo, me segurou quando minhas pernas fraquejaram e eu quase caí. Ele me segurou com firmeza e me colocou sentada na cama. 

— Loren? - ele ainda me segurava pelos ombros, preocupação estampada em seu rosto. 

— Quando? - perguntei, mesmo sem ter certeza se queria realmente saber. 

— Faz dois dias, - Leo respondeu, a voz tão baixa que quase não consigo ouvi-lo novamente — Ela estava hospitalizada, mas não resistiu e faleceu hoje a tarde. 

— E você não achou que era importante me contar? - eu o olhei no fundo dos olhos, mas ele desviou o olhar e se afastou, virando de costas pra mim. 

— E-eu... eu estava tentando proteger você. 

Eu ri do absurdo que ele estava falando, e o pior, era que ele acreditava mesmo que estava me protegendo

— Eu vou para Caserta - falei, ficando de pé — Não me importo com quem ou como. Se você quiser ficar, eu vou sozinha. E eu não quero falar com você por enquanto - falei, passando por ele e caminhando em direção ao closet. — Depois vamos conversar direitinho sobre isso. 

Enquanto separava algumas roupas, o suficiente para passar pelo menos dois dias em Caserta, provavelmente na casa de Felipo e Sirena, eu tentava assimilar o que estava acontecendo. A mãe de Mário havia morrido, tirado a própria vida, e por pouco, eu não vou nem ao velório ou ao enterro dela. Eu não sabia o que era pior. 

Mário deveria estar arrasado, mas pelo menos, ele não estava mais sozinho e eu não tinha que me preocupar com ele. 




  




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