Loren Colucci era a noiva de Mário Monteiro desde a adolescência, mas nenhum dos dois desejava a união.
Loren não suportava a ideia de se casar com o menino que viu crescer e com ele não era muito diferente, se existisse algum tipo de sentimento bo...
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LEONARDO SALVATTORE
A existência da minha avó era mantida em segredo por muitas razões e a maior delas era segurança. Essa não foi uma escolha minha, já era assim antes mesmo de eu existir. Eu estive poucas vezes lá, depois que soube a verdade, e todas as vezes, as viagens para a Romênia eram discretas, ninguém deveria saber onde eu estava e muito menos o que estava fazendo, eu pegava voos contrários, apenas para ter certeza de que ninguém sequer imaginasse que eu estava indo até lá.
Agora, eu tinha outra pessoa para proteger além da minha buni.
Em Pisa, ter as coisas sob controle era relativamente fácil. Ninguém ousaria colocar as mãos em Loren, além de ser minha esposa, ela era membro da família Cerccato, e esse poder se espalhava por todo o território dominado pelo Capo, mas eu não estava me sentindo totalmente seguro para leva-la para outro país.
Não me importava de colocar minha cabeça em jogo, mas ela era preciosa demais para correr qualquer tipo de risco.
— Leo? - a voz de Loren me fez erguer o olhar, para ver apenas sua cabeça entre a fresta da porta do escritório de casa. Fazia algum tempo que havia chegado da boate, Afonso, que já tinha ido descansar, avisou que ela tinha me esperado, mas ele insistiu e ela acabou jantando sem mim. Quando fui até nosso quarto, Loren estava cochilando. Achei melhor não importuna-la e desci para ver alguns detalhes da viagem. — Posso entrar?
Assenti e ela sorriu, abrindo a porta com cuidado, como se estivesse com medo de fazer barulho. Engoli seco quando vi seu pijama. Era branco, a blusa de alças finas era transparente o suficiente para que eu visse seus seios sem nenhum impedimento, o shorts curto tinha o que deveria ser pequenos babados nas bordas, que se balançam de forma quase provocadora enquanto ela caminhava na minha direção.
Apreciei cada detalhe, seu rosto sonolento, o cabelo solto e selvagem, que emoldurada seu rosto e descia sem controle por suas costas... eu era louco por o cabelo dela. Por ela.
— Você vai acabar ficando com frio andando por aí assim - eu reclamei, mas não consegui manter a postura séria quando ela empurrou minha cadeira com força, abrindo espaço para sentar no meu colo.
— Eu estava esperando você - ela resmungou sonolenta, ignorando o que eu havia falado. E sem dizer mais nada, aconchegou-se contra meu corpo, descansando o rosto contra meu peito.
— Eu sei - respondi, sabendo que tinha prometido que chegaria cedo.
— Você parece preocupado - ela ergueu o olhar pra mim, ainda com sono, mas afiado. Não era uma pergunta, ela sabia.
— Quero que tudo ocorra bem - respondi sincero, não tinha que mentir pra ela.
— Tudo vai correr bem - ela se inclinou, deixando um beijo preguiçoso no meu queixo — Confio em você.
Apertei seu corpo contra o meu, digerindo suas palavras e tentando entender porque... eu estava me sentindo, estranhamente feliz. Me sentia em casa.
***
Os dias seguintes se passaram com uma rapidez assustadora, enquanto eu dividia minha atenção entre organizar a viagem, cuidar dos negócios e aparecer para o jantar, Loren se mantinha ocupada indo ao Palazzo, fazendo compras com Pietra e fazendo as malas para a viagem, que ela já tinha arrumado e desarrumado pelo menos três vezes.
Eu estava ansioso para ver minha avó, mas minha esposa, estava ainda mais.
— Não vai levar mais nada? - perguntei, a vendo sair do closet, usando um vestido, botas longas e um casaco grosso para a viagem, segurando apenas uma mala de mão. Ela planejou dias e dias, mas no final, desistiu da bagagem enorme, o que era ótimo, seria mais fácil passarmos despercebidos sem termos que arrastar malas gigantes por toda parte, sem contar que seria mais fácil de se locomover também. Eu levaria apenas uma mochila com roupas leves, deixaria em casa os ternos e todos os sapatos socais, pelo menos durante a viagem.
— Estou levando o suficiente - respondeu confiante e eu ri, guardando meu celular no bolso e me aproximando dela. Loren piscou confusa, mas eu apenas me deixei levar, segurando seu rosto entre as minhas mãos, apertando suas bochechas o suficiente para ver seus lábios levemente rosados formarem um bico — Leo?
A beijei rapidamente e repetidamente, até ela começar a rir, o que me fez rir junto com ela.
— Então, podemos ir? - perguntei, ainda segurando seu rosto, agora de forma mais suave.
— Apenas preciso me despedir do Afonso.
Peguei sua mala, que era bem mais pesada do que parecia e saímos juntos do quarto. Loren abraçou Afonso apertado na sala, dizendo que ele devia se cuidar e aproveitar pra descansar enquanto estivéssemos fora, o velho rabugento apenas sorriu amorosamente para ela, o que definitivamente não aconteceria se Armando ou eu pedíssemos para ele sossegar. Ele nem escondia que ela era sua favorita, mas quem poderia julga-lo?
— Tomem cuidado também - ele disse, com Loren ainda o abraçando — E aproveitem bastante.
— Pode deixar - Loren respondeu, e finalmente o libertou do abraço.
Depois dos dois aproveitarem seu momento de pai e filha, fomos para a garagem, onde o motorista já estava a postos para nos levar até o aeroporto. Pensei seriamente em usar um jato particular, eu podia comprar um, mas, um voo comercial chamaria menos atenção.
Seria uma viagem longa e cansativa. Primeiro, pegaríamos um avião até Bucareste, a capital da Romênia, o trajeto duraria seis horas, mas essa era a parte boa. Depois, um carro estava nos esperando e nos levaria até Jurilovca, a comuna no condado de Tulcea localizada, norte de Dobruja. A viagem até a pequena cidade levaria pelo menos cinco horas, mas ainda não era nosso destino final.
Minha buni morava em Gura Portiței, um lugarzinho tão pequeno no meio do oceano que nem chegava a ser considerada uma ilha, era apenas uma estreita faixa de areia entre o Lago Golovița e o Mar Negro, e só era possível chegar até lá de barco. Meu Yate nos levaria até lá. Eu o tinha comprado apenas para essa viagem. A viagem já era desgastante o suficiente, então eu queria proporcionar para Loren o máximo de conforto possível. Depois de meia hora, estaríamos nas terras dos meus ancestrais.
— Pronta? - perguntei apertando a mão de Loren, enquanto seguíamos até a área de embarque.
Ela olhou pra mim, um sorriso enorme surgiu em seu rosto bonito.