não é grande coisa

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LOREN SALVATTORE 

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LOREN SALVATTORE 

Leonardo almoçou comigo antes de voltar para seus deveres de homem de negócios, infelizmente. Ele estava claramente ignorando as muitas mensagens que o pobre Armando mandava para ele e quando perguntei se estava tudo bem, Leo apenas disse que não era nada importante. De verdade, a minha vontade era pedir pra ele ficar o resto do dia em casa, comigo, mas quando ele beijou minha testa, avisando que não ia demorar, eu apenas derreti na cadeira, incapaz de falar ou me mover por quase dez minutos, tempo suficiente para ele sumir do meu campo de visão. Eu era mesmo uma boba, mas não podia evitar. Nem parecia que era real. Se fosse apenas um sonho, eu não me importava também, eu seria a próxima bela adormecida. 

— Minha senhora parece radiante hoje - Afonso disse entrando na sala de jantar, me fazendo pular assustada. Havia um brilho quase provocativo em seu olhar. — O almoço estava do seu agrado? Espero que sim. 

— Oh, oi - eu sorri nervosa, envergonhada por ser pega ainda de pijama olhando para o nada como uma boba. — Estava tudo perfeito, como sempre. - eu afirmei, mesmo sem ter prestado atenção no cardápio daquele dia. Era algo com salmão? Não tinha certeza... 

Afonso ergueu uma sobrancelha, senti minhas bochechas arderem e desviei o olhar. 

— Já fui informado sobre a viagem, minha senhora - ele disse, se aproximando, então, notei um pequeno sorriso surgir em seu rosto — O senhor seu marido estava com essa mesma expressão há minutos atrás. Vê-lo sorrir para o nada é quase assustador. - Afonso fez uma careta e eu soltei uma risada, sem conseguir me controlar. 

— Você conhece a avó dele? - perguntei, segurando o braço de Afonso, torcendo para que ele me desse alguma informação. Ela era a ultima família de sangue de Leo, eu tinha que me esforçar pra fazer ela gostar de mim e, se eu já soubesse dos gostos ou pelo menos da personalidade dela, seria mais fácil de agrada-la. 

— Nunca tive o prazer - ele respondeu, colocando a mão sobre a minha de forma cuidadosa — Leonardo sempre quis mantê-la longe da Itália. Poucos sabem sobre ela. 

Assenti. Fazia sentido. Ele perdeu a mãe, o pai, os irmãos, de forma violenta e pelo mesmo motivo: a máfia. A Itália. Eu também a manteria escondida se fosse ele. Se eu tivesse o poder, manteria meus pais escondidos também, mesmo que na época em que eles morreram, eu era só uma menina mimada e birrenta. Senti meu coração apertar. Eu sabia muito bem como era estar sozinha... se sentir sozinha. No fim das contas a gente se acostuma, mas aquele sentimento sempre te acompanha. 

Depois que voltássemos da Romênia, eu levaria Leo para conhecer meus pais. Eles estavam enterrados no mausoléu da família Cerccato em Caserta. Lembro que, meu tio discutiu com minha família paterna e ameaçou quebrar a trégua com os norte-americanos caso eles não concordassem em enterrar minha mãe  junto com nossa família na Itália. 

A organização de Boston, antes comandada por meu pai, lugar onde eu nasci e passei boa parte da minha vida, passou para as mãos do seu irmão mais novo, eu fui deixada na Itália, na casa dos Monteiro, já que iria me casar em breve com Mário. Foi um momento... complicado. A mãe de Mário convenceu a todos a me deixar viver com ela, afinal, eu seria a senhora Monteiro em poucos anos. Ela cuidou de mim e me tratou como uma filha, até sua condição mental piorar e ela teve que ser mandada para um hospital psiquiátrico porque nem eu e nem mesmo o Mario conseguíamos controla-la. Em algum momento, eu deveria ir visita-la também. Ela não tinha culpa do filho ser quem era. 

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