Os dois caixões de madeira escura com detalhes em dourado, postos no meio da sala de estar, que já foi o palco de muitos brunchs e festas cheias de risadas falsas e vestidos de grife exclusivos, estavam fechados. Selados.
Mário não havia suportado a morte da própria mãe e havia... Céus. Será que ele...? Estremeci com a ideia, mas era uma possibilidade, mas e o que aconteceria com a esposa e a criança? Ambas seriam chutadas para longe o mais rápido possível. Uma mulher como Águia não era bem vista no nosso meio, e para piorar tudo, ela não tinha em quem se apoiar e ainda tinha um bebê para criar...!
— Loren? - uma voz conhecida me vez desviar o olhar, eu devia estar encarando fixamente a minutos. Florence estava vindo em minha direção, também vestida de preto, ela caminhava rapidamente. A irmã mais nova do Capo, esposa do Consigliere e minha prima, me deu um abraço apertado — Salvattore - ela e Leo tocaram um aceno de cabeça — Pensamos que não iam vir - ela disse, sua atenção totalmente em mim.
— Tínhamos acabado de chegar de viagem. Foi tudo muito... caótico. - respondi, tentando parecer verdadeira. Não era como se eu fosse contar para alguém o que realmente havia acontecido.
— Você nem tem ideia - Florence soltou.
Desviei meu olhar para os dois caixões e depois para minha prima, que entendeu rapidamente o recado.
— Além de orfão, Mário agora é viúvo.
Engasguei com minha propria saliva, ao mesmo tempo que senti o corpo de Leonardo enrijecer ao meu lado.
— O quê?
— Eu não sei muito bem o que aconteceu, mas estamos velando dois corpos - ela encolheu os ombros. — Tipo aquelas promoções, pague um e leve dois.
— Não é piada que se faça em uma situação como essa, Florence - briguei, mas a minha vontade era de rir junto com ela. Não por ter sido engraçado, mas por algo mais parecido com... desespero.
Florence não tinha muito contato com Miranda ou com qualquer pessoa, na verdade, então não era como se eu esperasse que ela estivesse de luto pela morte dela, assim como a maioria das pessoas que estavam presentes.
Além de mim, Mário deveria ser o único a estar... mal. E, em dose dupla.
Caótico era pouco para descrever o evento.
— As coisas estão tensas - Florence continuou, ignorando minha censura — Mário meio que expulsou quase todos que vieram prestar condolências mais cedo e não deixou que abrissem os caixões. Ele e Fabrizio discutiram aos berros no andar de cima. Adriano disse que ele está fora de si. Eu não o vi, acabei de chegar, mas já estou de saída. Não gosto de velórios.
Assenti. Quem gostava de velórios?
— E... - eu engoli seco. E o bebê? Havia nascido? Morreu junto com a mãe? — E a criança?
— Não sei. - Florence respondeu, ainda mais baixo — Ninguém sabe.
Respirei fundo. O que estava acontecendo naquela casa?
— Por quanto tempo pretendem ficar? - Florence perguntou, mudando de assunto, mas eu não sabia o que responder. — Bom... - Florence limpou a garganta — Fiquei feliz em te ver, vamos marcar algo, se você for ficar pelo menos um dia aqui.
— Eu te mando uma mensagem - falei. Não era uma ideia ruim sair um pouco com ela, fazia meses que eu não a via. — E Alex? - perguntei sobre seu filho, da última vez que o vi, ele era apenas um pacotinho chorão. — Como ele está?
— Grande - um sorriso genuíno apareceu em seu rosto, o que me fez sorrir junto.
— Salvattore - Adriano Scarpo, esposo de Florence e o Consigliere da Camorra, se aproximou de nós. — Quanto tempo. - ele cumprimentou meu marido e me deu um sorriso fraco.
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LOREN
RomanceLoren Colucci era a noiva de Mário Monteiro desde a adolescência, mas nenhum dos dois desejava a união. Loren não suportava a ideia de se casar com o menino que viu crescer e com ele não era muito diferente, se existisse algum tipo de sentimento bo...
