pequena traidora

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LEONARDO SALVATTORE

Buni parecia menor desde a última vez que eu a vi, mas o sorriso gentil e a expressão tranquila continuavam igual, como de quando nos conhecemos.

Ela abraçou Loren como se fossem velhas conhecidas e soltou elogios muito eloquentes para a minha esposa, que ria nervosa, tentando entender.

— A senhora não precisava nos esperar aqui, buni - briguei, quando ela finalmente soltou Loren e veio me abraçar. Mal tínhamos chegado a praia quando a vi se aproximar, segurando teimosamente um chalé no pescoço, que a ventania de fim de tarde tentava levar. Quando os olhos dela focaram em Loren, parecia que o mundo havia parado. Ela apenas veio e a abraçou carinhosamente. — O vento está frio demais. Era melhor ter ficado em casa.

Da, da, da - ela desdenhou, se afastando de mim. — O que é isso? Você engordou? - a senhora semiserrou os olhos e analisou meu corpo de forma meticulosa. — Tenho certeza que você engordou. - então, ela se virou para Loren novamente, segurando a mão dela. — Vamos, está muito frio aqui fora.

Loren me olhou confusa enquanto era arrastada para longe, provavelmente com dificuldades de entender o italiano um pouco fraco da minha vó, que pra piorar, falava palavras demais para apenas sessenta segundos.

Subi de novo no iate e peguei nossas malas, as seguindo pelo caminho até a casa da buni. Tudo ao nosso redor era areia e mar.

Haviam poucas casas na ilhazinha, e todas eram afastadas entre si, era praticamente deserto. O lugar tinha alguns turistas no verão, mas eles ficavam no máximo algumas semanas, restando apenas os poucos moradores durante o resto do ano, a maioria deles eram como a buni, já de idade, que nasceram e viveram a vida inteira sem sair da ilha, vivendo apenas com o que a natureza tinha a oferecer, principalmente o mar.

Buni vivia em uma cabana quando a conheci. Era grande e espaçosa, construída pelo meu avô quando eles se casaram, mas mesmo assim, era feita de madeira e palha. Foi difícil convencê-la a me deixar construir uma casa mais segura para ela, o que buni não esperava que eu era teimoso como uma mula e a ganhei no cansaço.

A sua casa agora era uma réplica moderna e segura da cabana onde ela viveu a vida toda. Os móveis e a decoração eram os mesmo, só que agora, dentro de uma estrutura de tijolos.

Havia uma pequena varanda ao redor da casa, com bancos de madeira tão antigos quanto se podia imaginar, coberto com almofadas coloridas que foram feitas por ela mesma durante os anos. No teto, vários sinos de ventos, feitos com conchas diversas tocavam sem parar, era quase como uma música ambiente que eu havia relutantemente me acostumado.

Loren e buni já estavam na sala de casa. Haviam muitas janelas, que ficavam o tempo todo abertas e cortinas coloridas, sofás e cadeiras espalhadas pelo local, um rádio antigo que mal funcionava, e várias fotos coladas nas paredes. Minha buni estava mostrando elas para Loren, que observava tudo atentamente.

LORENOnde histórias criam vida. Descubra agora