Loren Colucci era a noiva de Mário Monteiro desde a adolescência, mas nenhum dos dois desejava a união.
Loren não suportava a ideia de se casar com o menino que viu crescer e com ele não era muito diferente, se existisse algum tipo de sentimento bo...
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LOREN COLUCCI
— Qual você prefere, Lô? - Celeste perguntou me fazendo desviar o olhar da bandeja de docinhos para degustação.
— Eu comi tanto bolo que minha língua está dormente - Florence reclamou do meu lado — Eu não sabia que existia tantos sabores assim - ela choramingou fazendo careta e eu ri — Acho que nunca mais vou colocar um pedaço de bolo na boca.
— Não seja exagerada - Celeste brigou com ela — Você não fez nenhuma degustação antes de se casar? Toda noiva passa por isso!
Florence olhou para Celeste e abriu um sorriso cínico. Florence não tinha escolhido o sabor do seu bolo de casamento e Celeste muito menos.
— Não diga uma palavra - Celeste rosnou para a outra, que deu de ombros — Estou tentando fazer Loren gostar disso aqui!
— Escolher o sabor do bolo é tão importante assim?! - Florence devolveu, não se deixando abater pelo tom de Celeste. — Você está exagerando, como sempre.
— Sua -
— Já chega - eu disse limpando a garganta — Vocês duas estão a beira de um colapso, é melhor fazermos uma pausa antes que eu perca a paciência - fiquei de pé e sem olhar para as duas, sai da cozinha, subindo para meu quarto.
Engoli seco ao ver o vestido branco no manequim no meio do cômodo. Havia chegado mais cedo, e Eloá o trouxe para meu quarto, mas eu ainda não o tinha visto pessoalmente.
Me aproximei tocando a saia. Era um vestido simples, segundo Celeste, mas assim que eu vi o esboço dele no ateliê, que fomos visitar, me apaixonei e nenhum outro pareceu tanto comigo quanto ele.
Observando o vestido que iria comigo até o altar em menos de uma semana, eu não podia parar de pensar em Leonardo.
Depois do casamento de Mário e Águia, que agora estavam de lua de mel por algum lugar com neve, segundo Florence, eu não o tinha visto mais.
Embora, a nossa última interação tenha se repetido na minha cabeça todas as noites quando eu fechava os olhos, lembrando do seu cheiro e do seu toque... lembrando que ele ficou excitado por minha causa...
Leonardo também pensava em mim na mesma frequência que eu pensava nele?
Por que ele tinha me empurrado para longe depois da nossa dança? Eu estava com vergonha, mas ele era homem, por que ele ficaria com vergonha de algo assim? Não fazia sentido...!
Eu estava frustrada. No mínimo.
Ele me manteria longe também quando nós dois nos casassémos? Eu não devia estar pensando nisso, não devia, mas não conseguia evitar.
Me afastei do vestido, tentando ignorar a bagunça que minha mente estava e me sentei em minha cama, abrindo a gaveta, puxei o livro de poesia de lá e abri, tocando o lenço que agora servia de marca páginas e estava quase sem cheiro.