Havia outro aspecto que queria trabalhar: a Sombra.
A sombra é o desconhecido. É o lado escuro, frequentemente renegado. A sombra são as crenças, os medos. É aquilo que está latente, esperando emergir. Buscar a sombra é uma espécie de autoexumação.
A contracultura dos anos 1960 e 70 trouxe à luz muitas sombras. A efervescente revolução questionava a autoridade sob diversas formas.
Sexo, drogas, rock'n roll. Quando menino, me deslumbrava com tudo aquilo. Admirava aqueles cabeludos contestadores, aquelas mulheres tão diferentes das tias, avós, mãe. A Era de Aquário me atraía a atenção a uma abelha perto do açúcar.
As informações era escassas contudo. Artistas nacionais imitavam o que viam lá fora e faziam sucesso cantando em português. Nossos pais e avós, que tinham passado pelos tempos de crise e guerra e ainda com forte influência religiosa, não gostavam daquilo que viam. A censura e os militares eram o contraponto de tudo aquilo, lembravam tempos de guerra dos filmes em preto e branco. Eles eram o passado, o futuro brotava por entre barras e dedos.
Observava tudo aquilo com grande curiosidade. Me fascinava o proibido, transgredir era ser livre. Era poder mudar o mundo, acabar com a guerra e com tudo aquilo que aqueles velhos de terno e farda determinavam.
Vieram os roqueiros. Eles estavam em algumas poucas lojas de discos, em revistas alternativas expostas lá no fundo das bancas de jornal, e debaixo do braço de alguns colegas mais esquisitos.
Led Zeppelin tocou fundo desde a primeira nota; a alquimia da banda era coisa de outro mundo, o visual também era algo além da imaginação. Me encantei, comprei discos e muitas revistas sobre eles. Uma dizia que um dos membros da banda era influenciado por uma espécie de mago negro e que, por haverem mexido com cabala e ocultismo, haviam sido amaldiçoados.
Boatos se espalhavam; diziam que se girássemos o disco de vinil ao contrário apareceriam mensagens cifradas como o número da besta.
Não entendia muito bem esses fenômenos. Tinha medo, mas também muita curiosidade.
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Nas trilhas de Avalon
Phi Hư CấuUm mergulho nas lendas arturianas e na tradição esotérica ocidental. Com Dion Fortune, Santo Antônio de Pádua, Aleister Crowley, Joan Wytte, Johann von Goethe, Hermann Hesse, Fernando Pessoa, Rowena Cade e Billy Howlins, William Butler Yeats, John...
