Parti para uma homenagem ao Arcanjo Miguel.
Era ele que muito tempo atrás uma claravidente me recomendou chamar quando precisasse de proteção contra as capas-pretas. Era ele também um santinho de papel que estava comigo, dado por uma amiga para conhecer o local.
Cheguei e me deslumbrei com a paisagem. A praia tinha pedras brancas, de mármore, arredondadas. Lembravam Taormina, na Sicília. Estavam também perto do Teatro Minack. Nem preciso dizer que trouxe várias delas na bagagem.
Vi o monte no por do sol e no alvorecer. A cena era magnética.
O Monte St Michael fica no extremo da Cornualha (ou Cornwall), perto do Fim da Terra, ou Land's End, península cercada de mitos e lendas. Suas margens são recheadas de enseadas românticas e praias isoladas, perto de campos varridos pelo vento e monumentos megalíticos, santuários celtas e antigas minas de estanho que pontuam a paisagem, lembrando o dia em que princesas pagãs, piratas e contrabandistas percorriam a terra.
Como é de se esperar, há muitas lendas de sereias no local. Há ainda relatos de navios trazendo pessoas do Oriente, incluindo José de Arimatéia. Povoados locais possuem nomes que remetem à Palestina; é o caso de Marazion, associado a Mount Zion ou Monte Sião.
Uma formação de pedras na entrada de um castelo seria onde uma visão do Arcanjo São Miguel apareceu a alguns pescadores no ano de 495. Em 1067, monges de São Miguel apoiaram um nobre em sua reivindicação ao trono da Inglaterra e foram recompensados com diversas propriedades a oeste da Cornualha, em uma das quais foi construído um mosteiro. O local, que antes se chamava Dinsul ("Cidadela do Sol") se tornou um priorado normando chamado Monte da Penzance de São Miguel.
O monte ainda mantém o seu nome original - "Karrek Loos y'n Koos" - significando a Rocha Cinzenta no Bosque, em notável memória já que a floresta que o rodeava até pelo menos 1850 a.C. Em 1998, uma equipe de cientistas russos considerou o local como o mais provável para a civilização antediluviana perdida da Atlântida, relatada por Platão como um lugar localizado logo depois dos Pilares de Hércules - ou do Estreito de Gibraltar, onde reside a Plataforma Celta.
Qualquer revisão das lendas do Monte de São Miguel seria incompleta sem mencionar a linha de São Miguel que corre para nordeste da Baía de Monte através do país por várias centenas de quilômetros, cruzando edifícios antigos dedicados a São Miguel em seu caminho. Real ou imaginado, estas linhas percorrem locais sagrados como a Igreja de São Miguel Brentor, a Igreja de St Michael Burrowbridge, a Igreja de São Miguel, a Igreja de São Miguel, Glastonbury Tor e Stoke St Michael antes de chegar a um aparente fim em Bury Saint. Edmunds, Norfolk.
Outra linha liga Saint Michael ao Monte Saint Michael francês. A linha começa na Irlanda no mosteiro de Skellig Michael antes de se conectar ao Monte de São Miguel, na Inglaterra, Mont Saint Michel, na França, e depois em uma variedade de locais sagrados, como Sacra di San Michele, Assis, Delfos, Atenas, Rodes e finalmente Monte Carmelo, em Israel. Sem dúvida trata-se de uma lenda mágica.
Os Montes de São Miguel na Inglaterra na França são efetivamente imagens espelhadas uns dos outros em seja, nome, configuração, histórico e impressionantes similaridades visuais de energia extraordinária. São Miguel teria aparecido no Mont St Michel francês em 715 d.C. e no St Michael's Mount inglês em 495 d.C. A bandeira da Cornualha é uma cruz branca sobre um fundo preto, enquanto a antiga bandeira bretã (Bretanha) é um espelho da Cornualha. Ambas as bandeiras são conhecidas pelo mesmo nome; Kroaz Du, que significa Cruz Negra. Diz-se que a Cruz Negra foi a bandeira usada pelos primeiros cruzados e simboliza a luz da verdade brilhando através da escuridão do mal.
Diversos trechos ocultistas se referem ao Arcanjo Miguel - ou Michael. Eliphas Levi se refere a um império universal e pacífico, que durará 354 anos, a partir de 1879. Rudolf Steiner, o fundador da antroposofia, falava sobre períodos onde uma sequência de sete anjos governaria a Terra, sendo agora a vez do Arcanjo Miguel. Outro autor, Charles G. Harrisson, fala sobre batalhas e grandes movimentos que ocorrerão nessa época de transição, tanto no mundo físico quanto espiritual. O Arcanjo Miguel é bem conhecido em passagens do Livro do Apocalipse (12, 7-9), onde entra em guerra contra o dragão. Ao final, ocorre a queda de Satanás e seus anjos à Terra. O nome Miguel significa "como Deus" e tem uma iconografia particularmente associada: uma figura solar, de luz e fogo, frequentemente segurando a balança da justiça, bem como uma espada ou lança que submete um demônio ou dragão. Outras passagens bíblicas são raras: em Daniel por exemplo, é considerado um protetor do povo judeu. Contudo, na era cristã sua devoção cresce e Michael se associa à cura. Uma tradição diz que o Imperador Constantino converteu um templo de Zeus a Miguel após um ter tido uma experiência de visão. O culto ao Arcanjo é muito associado a manifestações de visões, bom como a especulações teológicas. Vários lugares hoje são dedicados a São Miguel, mas duas têm grande importância: o Mont Saint Michel na Normandia francesa e o St Michael's Mount na Cornualha britânica.
Algo me diz que voltarei em breve a pelo menos um destes lugares.
Por via das dúvidas nada custa sintonizar...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Nas trilhas de Avalon
Non-FictionUm mergulho nas lendas arturianas e na tradição esotérica ocidental. Com Dion Fortune, Santo Antônio de Pádua, Aleister Crowley, Joan Wytte, Johann von Goethe, Hermann Hesse, Fernando Pessoa, Rowena Cade e Billy Howlins, William Butler Yeats, John...
