118. Compras mágicas

10 0 0
                                        

O comércio da antiga Glastonbury fervilha em bruxaria.

São inúmeros os ramos, difíceis de classificar. Livros antigos em edições raras, ervas para poções, cristais e talismãs, consulentes, palestras, eventos. Nunca vi nada igual em lugar nenhum no mundo.

Há de tudo. Charlatanismo com certeza, mas muitas outras coisas que não devem ser desprezadas.

Uma delas é a loja de livros antigos. Ali se encontram verdadeiras preciosidades para quem gosta de estudar o ocultismo.

Passou pelas minhas mãos a primeira edição de The Sea Priestess, de Dion Fortune, 1933. Tentei comprar, mas custava 100 libras.

Nos fundos, algumas obras assinadas por autores custavam até 50 vezes mais. Contentei-me com uma segunda edição de um livro de Anne Besant, da Sociedade Teosófica, datado de 1903. Vale pela raridade, pois praticamente todos esses livros estão disponíveis ao leitor contemporâneo.

Alguns eram muito interessantes. O Livro de Abramelin, por exemplo. Foi um daqueles, possivelmente daquela edição, que Crowley levou para o deserto da Argélia para invocar os Aethers enoquianos e ir definitivamente ao caminho da loucura em sua Capela Perigosa. A propósito, havia ali um livro autografado por ele. Nem eu nem o livreiro nos interessamos por seus detalhes. Outro livro em edição muito antiga era o Dogma e Ritual de Alta Magia, de Eliphas Lévi. Interessante ver as mesmas figuras das edições atuais em uma do século XIX.

Havia muita coisa da Teosofia, da Rosacruz e de outras linhas - inclusive do Oriente - que criaram as bases do nosso esoterismo, da contracultura e - por que não - da psicanálise hoje praticada. Sem dúvida Karl Jung teve contato com muitas dessas obras. Saí de lá deslumbrado com as raridades.

Entrei e saí de várias outras lojas. A quantidade de ervas e incensos era inacreditável.

Havia muitos cartazes pelas paredes, postes e portas. Uns mostravam uma mulher muito bonita, loira, por volta dos 50 anos de idade. Ela se dizia feiticeira - como tantas - e ministrava cursos - como não muitas. Naquela noite, as bruxas holandesas que também estavam hospedadas em Berachah diziam ter estudado com ela.

Entrando e saindo no comércio de Glastonbury, me deparo com ela. Muito simpática, mostrou-me sua loja e seus artigos. Eram mesmo muito bonitos.

Tomei em minhas mãos um baralho de tarô. As bordas eram douradas, os desenhos bem feitos, coloridos, atraentes. Tirei uma carta.

Era sobre o Monte Shasta, primeiro chacra da Terra, local onde estive em 2018 e 2004 atrás dos Mestres Ascensionados.


Nas trilhas de AvalonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora