104. O Espinheiro Sagrado e a Montanha da Noiva

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Logo após a perigosa Ponte Pomparles, a Roman Way passa ao lado de um monte chamado Wearyhall.

Segundo a lenda, depois da crucificação José de Arimatéia trouxe o Santo Graal com o sangue de Cristo para a ilha de Avalon, especificamente em Wearyall Hill, logo abaixo do Tor. Pela manhã, deixou para trás um estranho arbusto - o sagrado Espinheiro, ou Espinho de Glastonbury.

Lá, na pequena montanha de Wearyhall, em frente à do Tor,  teria sido plantada uma muda da árvore descendente daquela de onde se tirou a coroa de Cristo. O espinheiro só cresce a poucos quilômetros de Glastonbury e floresce duas vezes por ano. A cada ano um ramo de espinho é cortado e enviado para a rainha. O original Santo Espinho era um centro de peregrinação na Idade Média, mas foi cortado durante a Guerra Civil Inglesa. Um substituto foi plantado no século XX na colina de Wearyall, mas infelizmente a árvore original não existe mais, após ter sido vandalizada em 2012. Plantaram outra no lugar, e mais uma na Abadia de Glastonbury, não longe de lá. Outros crescem nos terrenos da Igreja de St. Johns e em Chalice Well. Conheci o espinheiro da Abadia. Era uma árvore seca, retorcida. Ao seu lado, uma outra, mais nova. 

Tentei subir em Wearyhall Hill, mas não encontrei onde parar o carro e uma moça que fazia entregas com um caminhão me deu uma bronca por parar em um lugar que não lhe permitia manobrar. 

Nem tudo é sucesso nas peregrinações. O mesmo aconteceu um pouco mais adiante, num terceiro morrinho chamado Bridies's Mound, ou Bride's Mount, ou Monte da Noiva. 

Ali, onde hoje é uma área fechada por uma estação de tratamento de água, foram encontrados esqueletos e relíquias, datados do século V, numa área que um dia foi uma ilha e área de peregrinação em homenagem a Santa Brígida. 

Os nomes Brigid, Brigit, Bride e Brighde (pronunciado como Brida) são da Deusa Tripla dos Celtas. Bride, Brida, Brigid é uma divindade que pode ser vista em muitas culturas diferentes. Acredita-se que ela tenha sido Brigantia na Inglaterra, Bride na Escócia e Brigandu no País de Gales e na França. Acredita-se que ela seja a mesma deusa que foi adorada em Bath na antiga Bretanha, bem como a padroeira de inúmeras fontes e poços na Irlanda. Bride era uma das deusas mais amplamente adoradas na Grã-Bretanha celta e é conhecida como a guardiã das fontes e nascentes, bem como da chama e do fogo. Como divindade solar, seus atributos são luz, inspiração e todas as habilidades associadas ao fogo. Brigid nasceu entre a noite e o dia. Ela age como uma ponte entre os dois mundos e fez com sucesso a transição de volta para a deusa novamente, com a maioria das tradições esquecidas. Os antigos celtas eram fascinados por lugares intermediários como as margens, o instante do nascer do sol, o instante da mudança da estação, as portas e outros lugares que se estendiam entre dois lugares estando em nenhum deles. 

O Graal está associado a ela através de sua ligação com o caldeirão da inspiração que foi dado ao Dagda, pai da Noiva. Incapaz de remover uma deidade tão poderosa do povo celta, Bride foi adaptada pela Igreja Católica Romana para o culto de Santa Brígida. A vida de Santa Brígida foi extraordinária e os lugares na Irlanda associados a ela são cenas de peregrinação ao longo do ano. Filha de escravos, nasceu por volta de 453 AD em uma sociedade governada pela antiga ordem gaélica e pela religião druídica. Histórias dizem que ela se tornou uma virgem vestal a serviço da Deusa Brid e, eventualmente, alta sacerdotisa em Kil Dara - o Templo do Carvalho - que deu seu nome ao atual Condado de Kildare. Ali ela e seus companheiros mantinham um fogo ritual perpétuo em homenagem a Brid. As circunstâncias exatas de sua conversão ao cristianismo são desconhecidas. Alguns afirmam que ela conheceu St. Patrick,  extinguiu o fogo ritual dos druidas e acendeu uma chama dedicada a Cristo, que depois disso foi mantida por seus seguidores até chegarem as forças de Henrique VIII. Continuou seu trabalho a morte em 525 AD, quando foi colocada para descansar em sua abadia. Em 835 AD seus restos foram removidos para protegê-los dos invasores nórdicos e enterrados no mesmo túmulo que contém os restos mortais de São Patrício, patrono da Irlanda.

Quem ouve a palavra Brida logo lembra do livro do Paulo Coelho. Nele, Brida é uma garota irlandesa de 21 anos apaixonada por magia, que conhece um mago sábio que a ensina a confiar na bondade do mundo e uma mulher bruxa que lhe mostra a importância de buscar seu dom e sua alma gêmea. Seu desafio, então, passar a ser conciliar seus relacionamentos com o desejo de ser bruxa. O autor diz que se se inspirou nas histórias contadas pela jovem Brida O'Fern, irlandesa que conheceu durante sua peregrinação pelo Caminho de Roma. 

Portanto, é uma mera coincidência que minha mente conspiratória associou.









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