Não é fácil descrever em poucas linhas a Cabala - ou Qabala, como preferem os ocidentais modernos. Quem não tiver paciência sugiro pular esta seção, entendendo que são símbolos arquetípicos direcionados ao subconsciente.
A Cabala Hermética sustenta a concepção neoplatônica de que o universo manifesto, do qual a criação material é uma parte, surgiu como uma série de emanações da divindade. Essas emanações surgem de três estados preliminares que são considerados como prémanifestação: nulidade completa (Ain, "nada"); "concentração" de Ain (Ain Suph, "sem limite, infinito") e "movimento" de Ain Suph (Ain Suph Aur "luz ilimitada"), brilho inicial do qual a primeira emanação da criação se origina. Esses estados podem ser visualizados como três Céus.
Abaixo destes estão as séfiras, ou esferas. Visualmente elas são dispostas como se fossem numa cruz com quatro braços. Na verdade, são três pilares, sendo que os extremos da cruz passam por cima de dois deles e o tronco pelo Pilar do Meio.
As dez Sephiroth (singular Sephirah, "enumeração") são emanações da criação que surgem de Ain Suph Aur. De Ain Suph Aur cristaliza Kether, a primeira séfira da árvore cabalística hermética da vida, que fica no topo da cruz. De Kether, a Couroa, o Inefável, aquele que não se pode ver ou definir, emana o resto das séfiras.
No braço superior, temos à direita Chokhmah (2), ou a Roda da Vida, o Universo, a Carruagem de Fogo ou Merkabah. A Chokmah - ou Hohmach - está associada a idéia de Sabedoria.
À esquerda no braço superior está Binah (3), simbolizada por uma mulher anciã sábia, vestida de negro, sob a aura de Saturno. A ela se associa a noção de Compreensão, polarizada com a Sabedoria de Chokmach.
No tronco da cruz, entre essas duas séfiras está uma oculta, não enumerada, chamada Daath. A ela está associada a idéia do Conhecimento - e consequente Queda. A visão bíblica da expulsão do Paraíso ou a queda de Lucifer exemplificam a transformação que traz tal conhecimento. É preciso lembrar contudo que na Árvore da Vida os caminhos podem ser tanto para baixo quanto para cima.
À direita, pouco abaixo de Chokmah está Chesed (4), também chamada de Hesed ou Gedullah. A esta esfera está a noção de Justiça - e também de Opulência. Por esse motivo associa-se a Chesed o planeta Jupiter. Sua cor é azul.
À esquerda de Chesed e abaixo de Binah está Geburah (5), a esfera de Marte, o planeta vermelho, senhor da Guerra, a noção de Força.
No centro, abaixo de Chesed e Geburah, está Tiphareth (6), o Sol Crístico, o Cordeiro, a cor dourada, o caminho do meio que leva ao Pai através do Espírito Santo.
Pouco abaixo, à direita está Netzach (7), a Beleza de Boticelli, o planeta Venus, a cor verde.
À esquerda, no mesmo nível, está Hod (8), a Glória de Mercúrio, o mensageiro.
Abaixo do braço formado por Netzach e Hod , no pilar central está Yesod (9), a Lua, a Formação, a ligação da Terra com o Cosmos.
Abaixo de Yesod, no pilar central, está Malkuth (10), a Terra, o mundo material em que vivemos.
As dez esferas são interligadas por 22 caminhos, cada um com um significado.
Como visto, cada séfira é considerada uma emanação da energia divina (frequentemente descrita como "a luz divina") que sempre flui do não-manifesto, através de Kether em manifestação. Este fluxo de luz é indicado pelo relâmpago mostrado nos diagramas da árvore sefirótica que passa através de cada séfira, de acordo com suas enumerações. Cada uma das séfiras tem várias atribuições, o que diferencia a Cabala Hermética da Judaica.
Por exemplo, a séfira Hod tem as atribuições de Glória, inteligência perfeita, oitos do baralho de taro , o planeta Mercúrio, o deus egípcio Thoth, o arcanjo Miguel, o deus grego Hermes e o elemento (al)químico Mercúrio. De acordo com a interpretação da Cabala, existem dez arcanjos, cada um comandando um dos coros de anjos e correspondendo a uma das séfiras.
O princípio geral envolvido é que o cabalista meditará em todas essas atribuições e, desse modo, obterá uma compreensão do caráter da séfira, incluindo todas as suas correspondências. Deixando de lado aspectos de magia, as dimensões filosóficas e psicanalíticas da Árvore da Vida são extremamente ricas e explicam muito sobre nosso universo.
Independentemente de credos ou religiões, é muito interessante o contato com esse sistema. Sob o lado da psique, contudo, recomenda-se cautela ao lidar com forças ditas polares. Seria como pilotar um carro potente sem ter noções básicas de direção.
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Nas trilhas de Avalon
Non-FictionUm mergulho nas lendas arturianas e na tradição esotérica ocidental. Com Dion Fortune, Santo Antônio de Pádua, Aleister Crowley, Joan Wytte, Johann von Goethe, Hermann Hesse, Fernando Pessoa, Rowena Cade e Billy Howlins, William Butler Yeats, John...
