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Manu.

Dia da audiência, o medo toma conta

Medo por que eu não sei oque me espera, medo por que eu não sei se vou sair livre dessa ou se vou morrer na fuga.

Eu poderia sim cumprir a pena sem dever nada pra justiça.

Mas o sistema carcerário é foda.

Fora que mesmo que eu cumprisse tudo, eu sempre iria dever alguma coisa pra justiça. Pois não iria valer de nada eu passar anos dentro da cadeia e perder o crescimento da minha filha, sendo que eu vou voltar pro tráfico e vou ser acusada de associação ao tráfico novamente, lavagem de dinheiro e entre outras coisas.

Eu queria poder sair daqui e correr para os braços do meu pai... Eu tento ao máximo não sentir a morte dele, mas é difícil quando o seu próprio pai morre na sua frente e você não pode impedir pois foi uma fracassada na missão.

Caralho, tá doendo tanto. Mas todos os dias eu finjo que não foi nada e que vai passar.

Eu nem pude dizer o quanto eu o amava, mas irei vingar a morte dele. Não tenham dúvidas disso.

Mas o meu principal foco agora é o João Henrique, esse daí vai sofrer na minha mão.

Tá achando que pode entrar na vida da minha filha e simplesmente desaparecer pq cansou do cargo de pai? Aaaaaah mais ele tá muito enganado.

Me perco nos pensamentos quando o camburão para e me tiram de lá de dentro.

Chegamos no fórum, o local da audiência.

Quando entro, vejo minha mãe e minha filha sentadas em uma das cadeiras que tinha ali.

Não sabia explicar o tamanho da minha felicidade ao vê-las.

Luz: OI MAMÃE - gritou e veio correndo.

Ela abraçou minhas pernas enquanto eu não podia nem dar um abraço descente na minha filha, estava algemada.

Policial: Senhora, afasta a criança. Ninguém pode se aproximar da detenta - falou com a minha mãe.

Suspirei frustada mas antes da Luz sair de perto de mim eu agachei e dei um beijão na testa da minha filha.

O policial ficou bravo e me puxou pra cima com tudo, fazendo eu andar e deixar elas ali.

Olhei pra trás e vi minha mãe mexer os lábios com um "Fica atenta".

Concordei com a cabeça e continuei andando.

Parei de andar quando aquele filho da puta do policial abriu uma porta e me jogou lá dentro.

Antes dele sair eu puxei ele pela camisa.

Manu: Solta as algemas aí cara. - ele negou me olhando desconfiado. - Ih tá com medo? Tem como fugir daqui não senhor, solta aí fio.

Ele me encarou e soltou.

Policial: Se tentar alguma gracinha, tu morre. - apontou o dedo na minha cara.

Manu: Nossa que bravo, gostei. Tem mulher gato? - debochei fazendo cara de safada.

Quando eu menos espero, esse filho da puta me dá um tapa na cara.

Policial: Se assanha pra mim não piranha.

Manu: Bruto também, dessa vez amei - na verdade eu odiei, mais um pra eu matar quando sair daqui.

Aceito tudo, menos tapa na minha cara. Sou essas vagabundas pra apanhar na cara não tio.

Ele saiu da sala deixando eu sozinha ali, sem cadeira nenhuma, sentada no chão.

Passou horas e eu ainda tava ali, até o mesmo filho da puta abrir a porta e botar a algema em mim de novo.

Chegou a hora, a hora do meu julgamento.

E se nada der certo, vai chegar a hora da minha fuga.

Antes de entrar naquela sala com o juiz e meu advogado que é o melhor do Brasil, orei o pai nosso e entreguei nas mãos de Deus.

Manu: Seja oque Deus quiser - murmurei baixo.

Aquele baile funk Onde histórias criam vida. Descubra agora