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A viagem

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O táxi partiu, os dois ficaram olhando a filha pela janela até a perderem de vista, era difícil deixá-la, mas ela estaria bem cuidada e mais do que nunca eles precisavam de um tempo só para os dois.
Em caminho ao aeroporto de Pescara, Karol que estava com a mão entrelaçada a dele lhe da uma batidinha com cotovelo a fim de faze-lo tirar os olhos da paisagem e olhar para ela. Seu gesto teve êxito e ao se olharem Karol o perguntou:
- Você não vai ver o que ela escreveu?
- Escreveu? Quem... no que? - retornou ele sem entender.
- Depois eu que vou viajar até a lua. Lolo te entregou a cartinha pra cegonha... - começou ela.
- Ahhh... sim, me lembrei, bom você quer ler junto comigo? - perguntou ele a interrompendo.
Ela lhe deu um sorriso com os lábios fechados e assentiu com a cabeça em afirmação. Ele puxou a carta do bolso, tirou do envelope e ambos a leram em voz baixa:

"Dona cegonha,
Eu tinha pedido pro papai Noel, mas ele me disse que tinha que pedir pra você.
Aqui vai o meu pedido:
Preciso de um irmãozinho.
Sinto que minha família só será completa com ele.
Espero que você me ajude e que dê as sementinhas pro meu papai.

Atenciosamente,
Lorenza."

- Atenciosamente? - Indagou Karol.
- Meu pai usa essa palavra no final das cartas e e-mails, ele deve ter ajudado ela a escrever. - contou Rugge.
- Humm... Você vai enviar? - seguiu ela.
- Vou sim, você sabe que não vai chegar a lugar algum, mas tenho que ter o comprovante de envio pra mostrar pra ela. - respondeu ele dobrando a carta e guardando novamente no bolso.
Karol abaixa a cabeça, fica pensativa mas pergunta em seguida com seriedade:
- Você também quer outro não é?
- Olha pra mim. - a toca no queixo a fazendo olhar pra ele - Eu queria ver nosso amor se multiplicar, mas esse assunto envolve muito mais você do que eu, acato sua decisão, porque você é mais importante do que meus desejos.
- Como havia comentado contigo, depois que inaugurarmos a LPS de Milão, eu prometo pensar cuidadosamente no assunto, pelo "preciso" da nossa filha e por você. - explanou Karol.
- Mas e você? É seu corpo durante a gestação, nos 4 primeiros meses... - começou ele.
- Eu tenho você pra me apoiar, mas vou ponderar sobre isso no momento certo. - deixou claro ela o interrompendo.
Ela não queria pensar sobre o assunto naquele momento, afinal as obras de Milão estavam bem no começo e demoraram no mínimo 4 meses para chegarem na fase de acabamentos e mais 2 meses para finalizar tudo e inaugurar a nova unidade, somente depois disso ela pensaria qual seria a melhor decisão a tomar.
O vôo foi tranquilo, chegaram no aeroporto de Ezeiza 16 horas depois com um leve jet lag, mas bem, dali foram diretamente para a casa em Navarro. Entrando em casa puxando as malas, tudo que eles queriam era apenas se jogarem no sofá na sala de TV e ali ficarem até o relógio biológico se ajustar ao horário oficial. Deixaram as malas na lavanderia, abriram um pouco as janelas para ventilar a casa, estavam indo a sala de TV, antes que Karol pudesse se deitar no sofá, Rugge a segurou pela cintura a puxando contra ele a disse:
- Quero acrescentar um novo item nos nossos combinados.
- Sim - ela o induziu a continuar também o abraçando pela cintura.
- O assunto cegonha está proibido de ser citado. - seguiu ele.
Ele sabia que ela iria dizer algo, antes que o fizesse ele continuou:
- Não gosto de te ver incomodada ou chateada, por isso não vamos mais tocar nesse assunto, combinado?
- Combinado. - concordou ela sem questionar, pois sabia que ele tinha razão.
Por fim se jogaram no sofá, tentaram assistir algo, mas o sono era mais forte e acabaram se entregando ele.
Os dias passaram rápido, tanta coisa para decidir para reunião da empresa e Rugge correndo com os preparativos pra viagem, quase nem tiveram tempo um pro outro como costumeiro nos inícios de ano.
O dia da reunião chegou, eles acordaram cedo, enquanto ela organizava a papelada e se arrumava ele arrumou mochilas com o essencial pra viagem sem que ela notasse e deixou no porta malas do carro, trancou a casa, ficou esperando por ela na garagem para fechar a última porta.
- Vamos Ka, chegaremos atrasados. - dizia ele na porta da cozinha olhando o relógio.
Ela veio afoita, com muitas pastas e verificando constamente se não havia esquecido nada, ao vê-lo parado na porta o perguntou:
- Porque você trancou tudo?
- Mais tarde você vai saber, vamos indo porque tenho que parar no correio antes. - respondeu ele a ajudando com as pastas.
Havia trânsito na estrada a caminho de Buenos Aires, o que o deixava de mal humor e deveras arredio com qualquer carro que se aproximasse ou fizesse uma manobra mais brusca, porém ela sabia que bastava lhe fazer cafuné no cabelo próximo a nuca que ele se acalmava. Depois de 40 minutos, finalmente Rugge estacionou em frente ao correio, desceu, entrou e em segundos agilmente retornou ao carro partindo rumo a empresa.
Por um segundo Karol quase o perguntou o porque ele parou no correio, mas sua memória a recordou do motivo e também do combinado, para distrair-se passou a checar mais uma vez o balanço em uma das pastas até chegarem la.
Na empresa, na sala de reuniões ao lado da sala de Karol, eles eram aguardados para começarem reunião de início de ano. Karol chegou colocou as pastas sobre a mesa e foi direta e objetiva. Após a parte financeira, começaram a discutir uma prévia agenda para Rugge, respeitando os compromissos pessoais como as atividades e apresentações de Lorenza, para que ela não ficasse só, ainda mais naquele momento que seriam apenas os 3 em casa, já que os familiares estariam com muitos compromissos.
Terminada a agenda de Rugge, começaram a de Karol, que distraida não percebeu que seu marido havia saído da sala.
- Isso Alva, começamos na terceira semana de fevereiro com as turnês, fazemos uma parada em setembro por conta da inauguração da LPS Milão e retornamos até 30 de novembro. - esclarecia Karol quando percebeu a ausência de Rugge.
Como as paredes da sala eram de vidro era possível ver todas as salas do andar dali, ela se levantou o procurando, mas Alvarenga a interrompeu:
- O que está procurando Ka?
- Rugge, onde ele foi? - retornou ela.
- Deve ter ido ao banheiro. - sugeriu Amelia.
- Eu nem vi ele saindo... - disse Karol se sentando novamente crendo na hipótese de Amélia.
- Bom, acho que foi uma das reuniões mais produtivas que já tivemos, embora as reuniões de início de ano sejam sempre boas, essa foi bem mais rápida. Acho que estamos todos liberados. - concluiu Alvarenga.
- Estou de acordo Alva. - respondeu Karol ainda olhando para o corredor na esperança de ver Rugge retornando, mas seu telefone começou a tocar tirando a concentração, era uma mensagem de dele:
" Estou te esperando na garagem."

Boomerang - 2 temporadaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora