Essa é a verdade. Escrever é um ato de fé.
Sem inspiração divina, vários textos inacabados, bloqueios horrorosos e cerca de 12 vezes ao dia, uma vontade de sentar, desistir e chorar. Não especificamente nessa ordem.
Muitos correm atrás de cursos pa...
Como um garoto que se apaixonou pela prosa e já esteve a um passo de pedi-la em casamento, houve um longo período da minha vida em que eu simplesmente subtraí os poemasdas minhas listas de leituras, a ponto de passar vários meses sem me aproximar de qualquer coisa que insinuasse a rima.
Mas vez por outra, eu acabava tropeçando em alguma frase inspirada de parachoque ou cantigas de roda desbotadas em minha memória que faziam reviver aquela antiga chama que, apesar de coberta, ainda ardia dentro de mim. Então, eu me via devorando poemas como um cacto bebe a chuva. As parlendas voltavam com toda a força e eu me via desejando uma ciranda, para rodopiar até ficar corado e sem fôlego.
Não me entendam mal, também aprecio a companhia de prosa e todas as aventuras loucas que ela me propõe, desde explorar bosques em busca do Pé Grande até fugir com o circo em um tuor pela Europa. Porém, estar com poesia é descomplicado. Como flores desabrochando sobre o cascalho, uma casinha com uma lareira e um tapete felpudo na frente dela, perfeito para um cochilo à dois.
Talvez seja por isso que nunca tive coragem suficiente para por uma aliança no dedo de prosa. Por minha incapacidade em escolher entre elas, vislumbro um futuro em que me tornarei aquele tipo de homem que tem uma amante e elabora encontros furtivos em motéis vagabundos. Não quero ser mais um canalha. Se bem que pensando em retrospecto, talvez eu já o seja.
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Aposto que depois dessa introdução, você já deve ter percebido que essa será uma resenha diferente.
O texto em prosa foi meu principal objeto de estudo e interesse pessoal durante muito tempo, o que me dá o mínimo de autoridade para discorrer sobre o tema. Talvez não seja o conteúdo mais experiente, afinal todos aqui somos escritores amadores, mas me sinto confortável em ter isso como tópico de conversa. Desde o explícito reforço do tio Google até trocadilhos ruins.
Agora, no que toca a poesia, eu não passo de um verdadeiro canalha. É sério. Eu não estava apenas brincando com palavras lá em cima.
Saber que ela sempre estará de portas abertas para me receber e mesmo assim, depois de um curto período de amor, abandoná-la ainda nua sobre as cobertas me parece um tanto doentio. Abusivo, até.
E, apesar das minhas pequenas aventuras na escrita de versos, todas elas um tanto intuitivas, sinto que não sou a melhor pessoa para argumentar sobre a nova obra diamante da área, Versos e Inversos. (se quiser conferir minhas tentativas, sinta-se a vontade para visitar minha outra obra, Delírios Em Uma Órbita Fechada)
Não serei capaz de explanar sobre versos, estrofe ou métrica com a mesma propriedade que uso quando falo sobre prosa.
Sendo assim, vou discorrer apenas sobre minhas impressões sobre a obra da DCOlliver e aproveitarei a oportunidade para fazer um breve dossiê da poesia para ajudar aqueles que, como eu, não possuem tanta intimidade com esse gênero literário.
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