Enfim

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Beatriz pensou diversas vezes em como contaria para o namorado aquela "novidade". Após a real confirmação, seu mundo virou de ponta cabeça e agradeceu a quantidade exorbitante de amor e carinho que recebeu, tanto dos pais como dos irmãos, era grata pela família que tinha e estava feliz que aquela criança em seu ventre teria dois avôs fenomenais, além de dois tios igualmente incríveis. Então, a partir disso, resolveu ser direta como sempre havia sido durante sua vida.

Chegou no apartamento do namorado, como habitualmente fazia e tinha quase como rotina após os treinos ou faculdade, aguardou na sala enquanto ouvia o som do chuveiro e ficou andando de um lado para o outro com uma ansiedade que nunca antes tinha sentido naquela intensidade. Talvez tenha demorado poucos minutos até que Gustav aparecesse com os cabelos molhados, sorriso fixo nos lábios e a calça sendo a única coisa que cobria seu corpo. Portanto, parou de caminhar, olhou-o nos olhos castanhos, sorriu inspirando fundo e sem nenhum preparo, disse:

- Estou grávida, será pai.

No mesmo instante que as palavras saíram de sua boca, arrependeu-se, pois Gustav arregalou os olhos, abriu a boca e teve destino direto até o chão em um desmaio de choque pela informação que recebeu.

- Merda, eu deveria ter esperado que você se sentasse... — Murmurou se levantando do sofá, parou próximo ao namorado e deu um chute fraco e carinhoso na barriga dele para que acordasse do desmaio. — Pare de ser frouxo, Gustav, acorde.

Demorou cinco minutos para que abrisse os olhos e a encarasse completamente assustado. Beatriz com as mãos na cintura, olhar sério e mordida firme em falso desagrado perante aquele desmaio, o qual já esperava que acontecesse.

- Estás falando sério? — Murmurou com o rosto amassado contra o tapete da sala. Ao ver um aceno da namorada sorriu sentindo os olhos começarem a se molhar, porém pouco se importava, definitivamente a pessoa que possuía pose de "durão" naquele relacionamento era Beatriz, não ele e não viam problemas nisso. — Já que estou no chão, não era exatamente como eu queria fazer o pedido, suponho que de joelhos seria o esperado, mas eu não consigo sair daqui... Então... O que acha de se casar comigo, Bea? Eu, você e essa criaturinha pequena que já estou apaixonado sem nem conhecer, quero uma família contigo, uma aliança de ouro, um compromisso mais sério, quero formalizar isso que estamos vivendo, quero que seja minha esposa, Beatriz Ackerman.

- Tch... — Sorriu sem conseguir manter qualquer postura, passou os dedos entre os fios de seu cabelo e se agachou ao lado do namorado, levou a mão até o rosto dele e fez um carinho breve. — Já são muitos anos nesse namoro, não é? — Gustav, como uma grande criança, movimentou a cabeça em um positivo sentindo os fios de seu cabelo molhado atritarem contra o chão. — E agora seremos pais...

- Bea, eu sou cardíaco, pode responder rápido se aceita ou vai me dar um fora? — Interrompeu completamente nervoso continuando a sentir a mão dela em sua bochecha. Não acreditava, realmente, na hipótese de ser negado, mas se existisse, mínima que fosse, iria chorar. — Seu filho será órfão de pai desse jeito, sério, estou sentindo um ataque vindo aqui...

- Mentiroso, não tens problema nenhum no coração, falso. — Apertou a bochecha dele com força e sorriu em concordância. — Óbvio que aceito, Gus.

A energia renovou-se no corpo do homem, pois deixou de ficar deitado para sentar-se. A primeira coisa que fez foi deixar um selinho naqueles lábios, a segunda, e mais importante, foi levar a mão até a barriga da noiva, sentiu os olhos se marejarem e não impediu que algumas lágrimas rolassem pelas bochechas.

- És um frouxo, puta merda. — Beatriz murmurou rindo daquela expressão sem palavras dele, gargalhou ainda mais divertida quando ele, sem problemas nenhum, movimentou a cabeça em um positivo emocionado concordando.

Mistérios (Riren/Ereri)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora