Sermão

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Os dias foram passando e Berth apresentava sinais melhores, não parecia uma pessoa depressiva, mas os amigos próximos sabiam que estava chateado com aquele término de amizade que mantinha com Reiner. Não entenderam os motivos e muito menos os aceitavam, principalmente Eren, afinal quando ele tinha terminado com Levi, Berth foi um dos que os ajudou a retornar. Sendo assim, em uma tarde qualquer acabou por encontrar o rapaz loiro próximo a rua do apartamento dele. Poderia ser desproposital, mas Eren já estava rondando lá por bons minutos para encontrá-lo.

Visualmente estava parecido com seu próprio amigo, os cabelos desgrenhados, o olhar cabisbaixo, maxilar apertado, mãos nos bolsos enquanto quase arrastava os pés. Reconhecia de longe aquele estado, pois já esteve nele anteriormente.

- Sei suas intenções, mas não estou afim de conversar. — Resmungou para o moreno de olhos verdes ao vê-lo o olhar de cima abaixo.

Sabia que não estava em um estado tão bom, mas não queria ouvir coisas motivacionais, não justamente de um dos amigos de Berth, as lembranças do moreno trazia consigo um sentimento amargo e doloroso em seu peito e queria fugir disso.

- Quais? Conversar contigo? — Deu seu sorriso mais simpático e direcionou um soquinho fraco no ombro do loiro falsamente confuso do que ele estava insinuando. — Sinto saudades de ti, por que não aceitas um convite para tomar um café? Quem sabe uma cerveja, sim, eu sei, são três da tarde, mas uma cervejinha gelada nunca faz mal.

- Estou de boa Eren, não quero.

Mais uma negação não aceita pelo moreno que continuava a caminhar ao seu lado nada afetado.

- Olha, de fato estou aqui por causa do término de vocês. — Acabou por revelar e parar de se enrolar, tinha um objetivo definido e era isso que faria. Nem que para isso teria que trancar os dois amigos em um quarto até que se resolvessem. — Converse comigo, tenho memória fraca, não vou lembrar-me das lamentações. Berth é meu amigo, mas tu também és. Me preocupo contigo.

Reiner soltou o ar de seus lábios vendo que não se veria livre até realmente falar algo à Eren, o conhecia bem o suficiente para saber que quando queria algo insistia até conseguir.

- Estávamos em uma festa. — Começou por dizer completamente focado em seus pés continuando a caminhar. Eren adotou um semblante sério ao ouvi-lo não querendo o interromper. Se Reiner iria desabafar ele ouviria e até aconselharia. — Bebemos um pouco, estava com um pouco de álcool no sangue e disse que o amava. — Deu um sorriso fraco não notando que Eren arregalou os olhos com certa surpresa e curiosidade. — Ele riu da minha cara e continuou a dançar. Não consigo continuar um negócio assim, se não é mútuo prefiro acabar logo e não quebrar a cara. Machuca-me, mas ficar ao lado dele vai se tornar algo pior para mim.

- Então era isso? — Perguntou-lhe e recebeu um sorriso irônico de Reiner por ter suas lamentações definidas como "isso". Como se não fosse importante ou algo pequeno demais para qualquer atenção. Queria paz, não queria alguém falando com ele e reabrindo a ferida. Eren notou isso, pois apertou uma das mãos no ombro dele fazendo com que o olhasse nos olhos. — Conferiu se ele realmente entendeu o que tu disseste a ele?

- Ah, me poupe, Eren.

- Não, é sério, vocês estavam em uma festa, ambos bêbados. Já parou para pensar que talvez ele nem tenha te escutado e só sorriu para fingir que escutou? — Continuou a falar e viu o olhar confuso de Reiner de alguém que claramente não havia pensado nessa hipótese. — Olha, vou usar a minha vida amorosa como exemplo. Eu vinha há semanas querendo dizer que amava o Levi, e ele sempre me impedia, seja com beijos ou simplesmente ia embora. Eu sentia-me horrível, chateado e apesar de amá-lo me magoava não poder falar isso a ele. Então, conversei com meus sogros sobre isso e foi aí que me abriram a mente. Para mim sempre foi fácil admitir qualquer sentimento, mas eu não parei para pensar se para o Levi seria da mesma forma e obviamente não era. Diante daquelas palavras, apesar de me magoar não poder falar eu entendi o lado dele, dei um espaço para ele e, apesar das circunstâncias terem sido ruins, disse-me que me amava também. Ele tinha medo e se achava insuficiente para mim, por isso sempre me impediu e não por não sentir a mesma coisa.

Mistérios (Riren/Ereri)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora