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Beatriz's POV:

Hoje eu acordei inspirada, como eu sei disso? Eu não sei... Mas eu sinto. Eu estou bem ansiosa para hoje, nós vamos visitar alguns pontos turísticos do Rio, vamos mais uma vez a praia e depois conhecer alguns trabalhos voluntários nas periferias daqui.
Eu estava mexendo no meu Instagram quando eu percebo que o Alex não estava na cama dele. Isso é estranho... Ele não costuma acordar tão cedo assim.
Saio desses pensamentos e vou para o banheiro fazer todas as minhas higienes pessoais e escolher uma roupa para sairmos hoje.
— Priscilla, Priscilla... Acorda, a gente vai sair para tomar café. — Eu digo acordando a garota morena que dormia calmamente.
— Hum... Tá bom. — Diz a garota com uma voz sonolenta já se levantando e indo para o banheiro.
Assim que ela sai do banheiro e se troca nós saímos do quarto.
— Cadê o meu irmão? — Priscilla pergunta vendo que ele não estava no quarto com a gente.
— Eu não faço ideia. — Digo dando de ombros para a garota.
— Que estranho... Ele não é de acordar cedo. — A morena diz já fechando a porta do quarto.

Alex's POV:

Eu acordo bem devagar com a luz do sol leve que passava pelas cortinas e iluminava não muito, o quarto onde estávamos.
Abro os olhos devagar e vejo o pequeno dormindo calmamente em meus braços, sorrio e me levanto para ir tomar um banho.
Enquanto eu tomava um banho tento me lembrar de tudo o que nós vamos fazer hoje, nós tínhamos combinado de ir à praia e visitar algumas periferias aqui do Rio. E também nos iríamos gravar algum clipe essa semana... Eu acho.
Assim que eu saio do banheiro eu coloco uma roupa já de sair e pego o meu notebook, eu vou terminar a melodia que eu estava compondo, só faltavam alguns toques finais.
Quando eu finalmente termino de compor a melodia eu olho no relógio do meu celular e percebo que já vai dar 11:40 da manhã e nós ainda não tínhamos tomado café, provavelmente a minha irmã já saiu.
Eu olho para o lado e vejo que Vitor ainda não acordou, então eu vou ter que acordá-lo eu mesmo.
Eu me aproximo dele e começo a fazer um carinho de leve em seu rosto. Eu o observo e vejo que ele abre os olhos bem lentamente.
— Bom dia... — Eu digo com um sorriso no rosto. — Já está na hora de acordar, a gente vai sair hoje. — Eu digo fazendo um carinho nele.
— Tá bom... — Ele diz já se levantando. — Onde a gente vai hoje? — Ele me pergunta antes de entrar no banheiro.
— Nós vamos à praia e vamos visitar algumas comunidades. — Digo olhando para o meu celular.
Ele assente com a cabeça e entra no banheiro.

Depois de alguns minutos já estávamos todos reunidos no corredor do hotel para sairmos, estávamos apenas esperando o resto do pessoal. Enquanto esperávamos o pessoal a Priscilla não parava de me olhar.
— Você quer parar de me encarar com esse sorrisinho? Está me incomodando. — Digo chegando ao lado da garota.
— Hum... Seu safadinho, você escapou do nosso quarto de madrugada só para dormir com o Vitor né? — Ela me encarava com um sorriso enquanto me dava cotoveladas.
Quando ela fala isso eu sinto que o meu rosto esquentou violentamente, graças a Deus eu não precisei me explicar já que o pessoal já havia chegado e nós estávamos prestes a sair do hotel.
— Bom, gente, o nosso primeiro destino do dia vai ser a comunidade de Santa Teresa. — Pablo nos diz assim que chegamos a entrada do hotel já pedindo um carro para nós.

Beatriz's POV:

Nós já estávamos a algum tempo no carro à caminho da comunidade de Santa Teresa. Eu estava muito ansiosa para conhecer aquele lugar. Eu acabei pesquisando algumas coisas a respeito da comunidade antes de nós virmos para cá. Eu estava muito animada e eu acabei me apaixonando antes mesmo de conhecer.
— Vem pessoal, nós já chegamos. — Pâmela diz já saindo do carro sendo seguida pelo pessoal.
Assim que desci do carro e tirei os meus óculos escuros eu já pude perceber que era uma comunidade bem colorida e cheia de vida. Conforme caminhávamos eu podia observar que quase todos os muros eram grafitados com desenhos bem coloridos e vivos, alguns deles fazendo críticas sociais bem severas ao governo... Isso acontece em todo e qualquer lugar... Infelizmente.
O primeiro trabalho que nós fomos conhecer foi a escola de balé de Santa Teresa.
Assim que nós chegamos lá, uma mulher, provavelmente a diretora da escola e professora, veio nos receber.
— Oi gente! Muito prazer, eu sou Flávia, a professora de balé dessa escola. — Ela diz com um sorriso vindo nos receber e todos nós a cumprimentamos com um abraço.
Ela nos levou para dentro da escola para podermos acompanhar a aula das crianças.
Eu fiquei bem empolgada de ver meninas e até mesmo meninos dançando todos aqueles passos do balé com um sorriso no rosto. Era gratificante ver o empenho daqueles jovens.
Após mais alguns minutos acompanhando a aula nós saímos da sala e a diretora vem falar com a gente:
— E então, o que vocês acharam?
— Eu achei incrível! — Eu digo com os olhos brilhando.
— É realmente lindo ver o empenho desses jovens! — Priscilla diz logo em seguida.
— Realmente eles se dedicam bastante, o nosso maior sonho é aumentar o nosso espaço e fazer várias turmas de balé, mas infelizmente a gente não tem estrutura e nem verba para isso já que quem nos fornece o dinheiro para a escola se manter é o governo. — A moça nos diz com um olhar tristonho.
Nós ficamos mais um tempo conversando e, até mesmo eu acabei por praticar alguns passos de balé com as crianças.
Eu confesso que fiquei um pouco chateada de ver que a escola estava largada e dependia completamente do governo.
Isso me deixava muito desapontada, toda essa questão da desigualdade social entre as pessoas, principalmente a periferia e as pessoas pretas.
Todas as pessoas merecem as mesmas oportunidades, não importa qual a raça, cor, gênero... Sem falar nos perigos que existem a todo momento nas periferias, os milhões de jovens que acabam entrando para o tráfico por falta de opção ou dificuldades financeiras.
Milhões de pessoas que morrem por balas perdidas ou simplesmente pela intolerância dos policiais.
E o fato de muitas vezes a periferia não ser tão reconhecida e mostrada e, quando mostrada, só é focado o lado ruim das comunidades, entre vários outros problemas.

Vitor's POV:

Depois de nós darmos mais uma volta por toda a comunidade, nós decidimos ir almoçar em um restaurante já que todos ali estavam morrendo de fome.
João pediu um carro pelo aplicativo e nós fomos em direção ao restaurante. Durante todo o caminho percebi que a Bia estava bem pensativa desde que nós saímos de lá.

Nós chegamos ao restaurante, pegamos uma mesa e nos sentamos. Eu estava sentado ao lado de Bia e Ingrid e de frente para Priscilla.
Estávamos todos conversando na mesa e eu não pude deixar de ouvir a conversa entre Bia e Ingrid.
— Aconteceu alguma coisa Bia? Você está meio triste e pensativa.
— Eu fiquei decepcionada com o que eu presenciei hoje lá na comunidade... Saber que tem milhões de crianças sem um estudo de qualidade, milhões de famílias passando fome, várias pessoas expostas ao perigo, toda essa desigualdade com as pessoas das periferias do Rio e saber que elas quase não têm reconhecimento pelo trabalho que fazem... Isso me deixa triste, saber as condições que eles vivem.
— É, realmente as condições que eles vivem não são nada fáceis, se a gente pudesse fazer algo para ajudar eles...
Observar aquela conversa toda me fez ter uma ideia, eu chamo Priscilla de canto para conversar.
— Ei, Priscilla, o que você acha de nós compormos uma música nova? — Eu proponho para a morena que me olha surpresa.
— Mas, agora? — Ela me pergunta confusa.
— Sim, a melodia a gente já tem.
— Tem?
— Sim, o Alex estava trabalhando em uma melodia nova, ele me mostrou ela um dia desses. Ele falou que ainda não está pronta, mas eu posso falar com ele. — Eu digo para a garota com um sorriso.
— Tá, você já escreveu uma letra? — Ela me pergunta animada.
— Não, mas eu sei quem vai ajudar a gente. — Eu digo direcionando o olhar à Beatriz.
A garota então me solta um sorriso no canto dos lábios.
O nosso almoço foi bem divertido, passar esse tempo com todo mundo realmente é bem relaxante.

Beatriz's POV:

O nosso almoço até que foi bem legal, era bom estar com todos os nossos amigos reunidos.
Nós já estávamos todos à caminho dos nossos quartos quando Priscilla e Vitor me chamam para conversar.
— Oi amiga, a gente queria conversar com você rapidinho. — Vitor diz se aproximando.
— Claro, pode falar gente.
— Você vai escrever a nossa próxima música! — Priscilla diz empolgada.
— O quê? Gente, pelo amor de Deus... Eu não consigo fazer uma coisa dessa. — Eu digo desconcertada.
— Amiga, por favor! Olha, se for para te ajudar, a gente quer que você escreva uma música relacionada às periferias. — Agora era a vez de Vitor dizer juntando as mãos.
— Para quando é essa música? — Me pergunto já rendida pelos dois à minha frente.
— Pode escrever ela no seu tempo, assim que a letra estiver pronta, nós mostramos ela para o pessoal. — Priscilla diz para mim.
— Ok então, eu vou tentar. — Digo já me despedindo dos dois e indo para o meu quarto.

XXX DIA SEGUINTE XXX

Eu já estava acordada a horas, eu estava me matando para escrever a letra dessa música, mas eu nunca ficava satisfeita com o resultado.
Com certeza eu estava com cara de acabada, o chão do quarto estava cheio de bolinhas de papel amassado das tentativas fracassadas de compor alguma letra decente.
Depois de horas e horas eu finalmente terminei a letra, agora era só entregar para o Vitor.

Vitor's POV:

Eu dormia calmamente quando eu sou acordado com o som de batidas leves na porta do quarto. Me levanto para abrir e dou de cara com Bia com uma cara de acabada me entregando um papel.
— O que é isso? — Digo ainda com voz de sono.
— A letra da possível nova música. — Ela me diz com um sorriso ladino no rosto.
Eu então pego o papel da mão da garota e começo a ler atentamente a letra que a mesma havia escrito.
Após mais um tempo lendo e relendo aquela letra a garota resolve quebrar o silêncio.
— E então amigo, está ruim? — Ela pergunta me encarando.
— Amiga, isso está incrível!

Continua...

The Perfect Pace - 2° TemporadaOnde histórias criam vida. Descubra agora