Fases do luto. São cinco no total: negação, raiva, barganha, depressão e a aceitação. Cada pessoa tem a sua forma de reagir a perda mas o questionamento que fica é: A dor pode ser capaz de afastar um grupo de amigos que não sabem lidar com ela?
NARRADORA
ONISCIENTE
11:56PM, 01 de agosto de 2020.
duas semanas após o falecimento de Jade Magalhães.
Thiago não se imaginava naquela situação, dentro de um carro com uma garrafa de vodka, esperando Luana entrar no mesmo. Ele não conseguia chorar, mesmo querendo, a dor em seu peito parecia tirar o ar de seus pulmões e lhe dava a impressão que morreria a qualquer momento junto com ela. Junto com Jade.
- Iai, - escutou a voz falhada da amiga, que diferente dele deixava todas as lágrimas saírem buscando uma forma que doesse menos, mas não estava funcionando. Não funcionaria. - fiquei surpresa de me atender, geral quer falar com você. - fechou a porta do carro informando. Lua se preocupava verdadeiramente com o amigo, mas, ali e agora só queria a maconha que havia pedido.
- Mesmo? - suspirou pesado escondendo a garrafa de bebida no chão do banco de trás, não estava bêbado o bastante para não dirigir, não queria prejudicar ninguém e nem sua amiga. — Eu não quero falar com ninguém mano, sei nem porque deixei você vir comigo. Eu tô chapado.
— Eu sei, e eu quero ficar também. - a garota estendeu as mãos trêmulas esperando ele entregar o pacote.
Thiago a encarou, seus olhares perdidos e por um segundo encontrou na amiga algo que ele também estava sentindo: raiva. Em ambos parecia até mesmo maior que a dor.
— Deveria ter sido eu. Deveria ter sido o Pietro. Deveria ter sido os pais dela que viraram as costas a ela. - Thiago proferiu as palavras ignorando a mão de Lua que logo a abaixou sem deixar de olhar para ele, se lembrando de algo que Jade lhe disse semanas antes.
— Um de nós dois vai ter que morrer primeiro. - riu, fechando a porta.
— Você não, você não teve culpa Thiago. Pietro sim, quero que ele morra e que os pais dela se fodam. - respondeu, voltando a balançar a perna num ato ansioso o vendo começar a dirigir.
— A perdemos Luana, acabou tudo, ferrei tudo e eu nem sequer consegui dizer o quanto a amava. Não consegui amar ela. - socou o volante, não se dando conta de que havia apertado o pé no acelerador. Lua percebeu o que o amigo estava fazendo mas sentia o ar faltar em seus pulmões para falar toda merda que sentia, ignorando isso.
— Ela não tinha o direito de ter nos deixado, minha melhor amiga... A irmã mais velha que nunca tive, puta merda, ela iria fazer 17 anos ainda. - gritou o suficiente para Thiago perceber que havia acelerado além da conta, o fazendo retomar o controle do carro.
— Eu queria tanto quebrar algo, quebrar alguém. - ele a respondeu quando escutou os soluços altos de sua amiga.
— Eu quero me quebrar. Você também, não é? - ela o olhou, sentindo seu coração e seu corpo doer como a reação da perda de Jade em seu cérebro. Sua irmã...
— Eu quero fuder com a minha vida mais um pouco. - respondeu apertando o volante a ponto de suas mãos doerem, parando no semáforo. Nesse pequeno prazo, acendeu o beck levando até a boca.
— Me dá o que eu vim buscar Thiago, entrega a porra da maconha. - Luana pediu impaciente, mesmo que sua voz falhasse pelo choro.
— Eu não trouxe. - respondeu, pegou a garrafa de bebida atrás do banco e empurrou em sua direção.
— Filho da puta. - xingou, pegando a garrafa começando a beber.
A mente da garota estava o caos, memórias com Jade, Nicole e Lívia no parque, na escola, nas conversas e apoios. Risadas, lágrimas e sorrisos que ela havia dividido tantas vezes com a loira não voltariam a acontecer e a raiva que sentia a fazia beber gole por gole sem se importar com as consequências. A insuficiência de não conseguir lidar com a dor da perda fazia algo em si quebrar, as lágrimas de seus olhos caiam sobre suas mãos trêmulas e seu olhar vago mostrava que ela havia perdido uma parte de si.
— Eu não disse que a amava e que a queria Lua, eu fui um vacilão com uma mina que tava disposta a embarcar em qualquer merda comigo e tentei consertar e no final eu a vi morta em um caixão. - Thiago voltou a falar não se importando com o xingamento. As lembranças do velório ainda rondam sua mente, sempre vão estar lá.
Se sentia tonto ao ponto de estacionar o carro em uma rua deserta. As memórias o fazia sentir que poderia morrer a qualquer momento. A fumaça saia de sua boca com tamanha facilidade que ele se perguntou se a dor em seu peito poderia fazer o mesmo algum dia.
Não, não poderia. E ele sabia disso.
— Vocês mereciam mais. - ela sussurrou, parando parar encarar o amigo e se surpreendeu ao vê-lo chorar pela primeira vez em duas semanas. Seus soluços desesperava a garota que recomeçou a chorar juntamente com ele.
— Não, a Jade merecia. Eu sempre soube que a mina era boa demais pra mim cara, por isso eu fugia e tinha medo do sentimento e por isso estava tentando ser melhor. - limpou as lágrimas as costas da mão, deitando a testa no volante do carro. — E agora é tarde demais.
Luana permaneceu em silêncio sentido o efeito da bebida forte começar a relaxar um pouco seu corpo, mesmo que sua mente continuasse agitada.
Quis ajudar o amigo mas pela primeira vez não soube acolher alguém, pois não estava sabendo acolher a si mesma. Mas ela sentiu que deveria fazer algo, era o que ela de fato era.
Soltou a garrafa vazia no chão do carro, encarou o corpo trêmulo do amigo ao seu lado e sua mente tomou a decisão sozinha, ela apoiou sua mão em suas costas e se inclinou deitando no ombro de Thiago, lhe dando um abraço. Não aguentando não tentar ajudar o amigo, a garota que sentia seu corpo fraco e a mente inquieta disse:
— Não foi tarde demais, se lembra do último dia? Ela te olhou como se você fosse a coisa mais importante que aconteceu na vida dela e de fato você foi. Ela morreu amando você e na minha opinião ela não se arrependeu. - falou sussurrando, sendo sincera, apesar de doer dizer aquilo por Jade não estar entre eles. Fechando os olhos, ainda chorando junto com ele.
— Queria ter tido mais tempo, eu errei tanto com ela... - Thiago voltou a falar se lembrando da única e suficiente noite deitado com Jade, valeu por uma vida toda. Ele jamais esqueceria os sorrisos apaixonados e o olhar de entrega de ambos. Por que ele fugiu daquilo? Se perguntava.
— Eu assisto the walking dead sabe? E tem uma... uma frase muito foda - Lua voltou a dizer recebendo o abraço de volta. — A gente sempre acha que vai ter mais tempo, e aí, o tempo acaba. Mas eu acho, que há certos momentos que valem uma vida toda.
Qualquer pessoa que escutasse aquilo nesse exato momento não entenderia o que Luana quis dizer, mas foi tudo que o Thiago precisava escutar para compreender que apesar de saber que poderia ter feito o melhor antes, ele fez o melhor quando enxergou e pôde. O carro ficou em silêncio pelas palavras, a fumaça ainda fazia efeito pelos vidros fechados e o único barulho que ecoava era os soluços de raiva, dor, arrependimento, falta e saudade.
Luana levou a mão até o colar que Tavin havia lhe dado, sentindo seu coração desmanchar de saudade. Depois de tantos dias longe do namorado, decidiu depois dessa conversa que mandaria seu orgulho a merda e iria pedir desculpas.
◇●◇
alguém aí? calma, os fatos vão se encaixar, como a dor se encaixa em seu lugar mas isso não significa que ela é pra sempre.
obrigada por existirem e estarem comigo. aliás, sinto falta de quando comentavam aqui, poxa :)(
narradora = autora.
ONISCIENTE = sabe tudo. nesse caso eu sou a que tudo vê no enredo. (apenas explicando meus amô :] )
sentiremos saudades Jade. 🖤✨
me doeu escrever isso. muito.
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Conexão || Tavin Mc
Teen Fiction[+16] TAVIN MC || - Queria ter esbarrando com você antes também, Lua. - sorriu encarando meus olhos. capa por: @B-BRABA iniciada: 29/12/2020. finalizada: Plágio é crime. Não há permissão para adaptações da obra. © imaginexlana.
