Capítulo Três

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ANY GABRIELLY

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ANY GABRIELLY

— Vamos lá, pessoal! Uma última questão e estão liberados.

— Ah, professora! — reclamou Jaden, um dos meus alunos mais aplicados.

Sabia que o escape dele da vida que levava eram essas aulas.

Poucos aqui realmente se importam em terminar os estudos. Por mais nova que eu seja — e tenha praticamente a mesma idade de alguns, uns mais novos, outros mais velhos, entre 18 a 24 anos — o supletivo não é para qualquer um. Muitos se sentem obrigados a estarem aqui. Outros se dedicam porque querem um diploma, querem um emprego, uma vida melhor.

Sendo considerados atrasados "no tempo", ficam preteridos do sistema e do mercado profissional por não terem completado os estudos.

Infelizmente a vida é assim para alguns, uns com muito e outros com tão pouco. Não apenas aqui na sociedade americana, mas isso ocorre na maioria das nações pelo mundo.

E eu entendo ambos os lados, da empregabilidade e da pessoa a exercer seu trabalho em qualquer que seja a categoria dentro do ramo profissonal. Realmente pessoas bem preparadas rentabilizam mais o mundo profissional e empregatício, ambos os lados podem ficar mais satisfeitos assim nessa troca — claro, utopicamente em um mundo perfeito sem defeitos — ou seja, qual "patrão" vai contratar alguém sem o mínimo de escolaridade? Por outro lado, há pessoas capazes com ou sem estudo em todo lugar. Alguns realmente por contratempos na vida tiveram que pausar o ciclo natural. Mas, ainda assim, qual o problema em dar uma chance real pra quem precisa?

Por isso entendo o que o Noah tem passado. O cara é inteligente, formado em administração, ainda está sem conseguir se reestabelecer. Seu sonho é ter um restaurante. É o tipo de homem que corre atrás do que quer. Contudo, algumas oportunidades só chegam quando tem que chegar. E tudo bem. O importante é não parar.

O sinal tocou me tirando de tais pensamentos.

— Ok, gente. Semana que vem eu corrijo essas questões. Lembrem-se que elas valem parte da nota complementar, ouviram? — disse em meio ao burburinho de final de aula.

— Sim! — respondem juntos.

Dou aula no Instituto há três anos, desde que me mudei pra cá. Consegui terminar minha graduação no curso de licenciatura de "Estudos Gerais", ou seja, sou apta a ensinar praticamente todas as matérias do fundamental ao ensino médio. Tudo isso aconteceu por intermédio do estágio que eu fazia. Fui feliz em conseguir um estágio remunerado, o que me ajudou demais para economizar e fazer meu "pé de meia". Então, quando formei, me foi oferecido um cargo fixo no período noturno. Aceitei de primeira.

Amo lecionar. E, sinceramente? O salário aqui nos Estados Unidos para professores é razoavelmente bom. Diferente do Brasil, onde a educação, infelizmente, ainda é desvalorizada. Tudo aqui é na base do "time is money —  "tempo é dinheiro". E embora, o salário seja bom, tem uma parte de mim que sempre quer mais. Então eu me sustento através de outra forma de renda também.

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