Noah é calmo, trabalhador e talentoso na cozinha - seu maior sonho é ter um restaurante próprio. Embora pareça transparente, guarda um lado oculto que evita revelar. Any, jovem professora determinada, é admirada por sua força e beleza, mas à noite...
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NOAH URREA
Eu nunca fui de perder a paciência, mas essa palhaçada de polícia e investigação estava me tirando do sério. Era como se ninguém desse a mínima pra encontrar a minha noiva. Any, sequestrada, tinha virado só mais um caso na pilha, e isso me matava aos poucos.
Agora eu entendia o desespero de quem passa por isso — a impotência, a espera, o vazio de não saber se a pessoa que você ama está viva ou sofrendo. Eu me sentia um inútil, preso num pesadelo onde Any podia estar em qualquer lugar, e eu não podia fazer nada.
O pânico de imaginar o pior tinha diminuído, mas não sumido. Eu não dormia, e, nas poucas vezes que apagava de cansaço, ouvia a voz dela sussurrando meu nome. Era loucura, mas eu sentia ela no fundo do peito, como se estivesse me dizendo que estava viva, me esperando. Era a única coisa que me impedia de desabar de vez.
Any não estava morta. Sabia disso. Sentia isso.
— Senhor Urrea, o senhor precisa se acalmar. Estamos fazendo o máximo pra descobrir o paradeiro da sua noiva.
O delegado Phineas falou com aquela calma burocrática que me dava vontade de socar qualquer pessoa, e nem percebi quando já estava de pé, as mãos cravadas naquela mesa, o olhando nos olhos, exigindo respostas que ele não tinha. Minha raiva era maior que eu, um fogo que queimava tudo, principalmente meus neurônios.
Um policial se aproximou, pronto pra me segurar, como se eu fosse explodir. Respirei fundo, baixei a cabeça, sentindo as olheiras pesarem no rosto. Já era uma semana sem nenhuma pista de Any, sem saber se ela estava viva. Eu mal comia, mal dormia. Todo mundo ficava no meu pé, dizendo que eu precisava "ficar bem", comer, descansar. Porra, como? Só queria Any de volta, rindo, perto de mim, enchendo minha vida de luz.
— Filho, vamos... ?
Minha mãe tocou meu ombro, e, por um segundo, quis desabar no colo dela, chorar até não sobrar nada. Contudo, engoli o choro, engoli a fraqueza, e saí com ela. O delegado repetiu que entraria em contato se tivesse novidades, e minha mãe assentiu por mim. Caminhei pro carro, os pés pesados, a cabeça girando.
Minha sogra, Mel e Alex estavam na minha casa, me cercando como se eu fosse fazer alguma loucura. Não os culpava — eu estava no limite, vivendo todos os dias sem Any, e quando dormia, acordava tentando levantar, sem sentir o calor dela ao meu lado. Era um pesadelo. Pensar nela, onde estava, com quem, o que estava passando, era uma facada no peito.
Nossa briga, aquela discussão idiota sobre ela dançar no Hel'as, não saía da minha cabeça. Fui um babaca, agressivo, cego pelo ciúme. Se tivesse a ouvido, entendido, talvez ela não tivesse ido à boate naquela noite, se eu falasse de outra forma, ou se tivesse ido logo pra lá... talvez estivesse aqui. A gente não sabe o que tem até perder, e eu fodi tudo.
— E então? — meu pai falou, com aquela voz fria, como se nada disso importasse.
Nem sei por que ele estava ali. Nunca esperei nada dele, e ele nunca me deu apoio sequer.