Noah é calmo, trabalhador e talentoso na cozinha - seu maior sonho é ter um restaurante próprio. Embora pareça transparente, guarda um lado oculto que evita revelar. Any, jovem professora determinada, é admirada por sua força e beleza, mas à noite...
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ANY GABRIELLY
Um mês. Um mês inteiro se arrastou desde que minha vida virou esse inferno. Se eu dissesse que perdi as esperanças de alguém me encontrar, estaria mentindo, mas a verdade é que minha rotina se resumia a dormir, levantar e ficar olhando pro nada o dia todo. Não fazia sentido. Por que me manter aqui, trancada, como um bicho enjaulado? Tentei fugir tantas vezes, e em todas falhei, cada tentativa esmagando um pedaço da minha alma.
Pensava na outra menina que levaram comigo, Soraya. Mal a conhecia, mas torcia pra que estivesse viva, em algum lugar, lutando como eu. Expectativas? Morreram. A esperança? Estava por um fio, oscilando entre o desespero e uma teimosia que não me deixava desistir.
Depois de uma semana nesse buraco, comecei a me culpar. Pensava no Noah, no que sobrou de nós. Será que ele não percebeu que sumi? Será que nossa briga, tão feia, tão definitiva, que o fez desistir de mim? A raiva ao pensar nele vinha em ondas, misturada com uma saudade que cortava afiadamente meus sentimentos. Às vezes, eu o odiava por não estar aqui, por não ter me protegido, por não ter vindo me salvar — pois cada dia contado era um tic tac a menos.
Mas então uma chama acendia no peito, me dizendo que ele estava tão perdido quanto eu, virando o mundo de cabeça pra baixo pra me encontrar. A ideia de que Noah não desistiria de mim era o que me segurava, mesmo quando o ódio por tudo isso — por Josh, por esse cativeiro, por essa vida podre — me consumia.
Eu ficava trancada no quarto, dia após dia. Não podia sair, não podia respirar. Aquela primeira vez que desci pra jantar com Josh foi um pesadelo. Mal toquei na comida, meu estômago ficou embrulhado, mas fiz o que prometi a mim mesma: observar. Cada detalhe. Cada canto. Ele tinha falado de outras mulheres, mas não havia ninguém. A mulher de voz conhecida, que ouvi nos primeiros dias, também não estava lá. Éramos só eu e ele, presos naquele jogo doentio.
[Flashback On]
— Ah, aí está você. Linda como sempre... — Josh disse, o sorriso falso pingando de sua boca.
— Me poupe dos seus elogios, Beauchamp! — praticamente cuspi as palavras, irritada, tremendo de ódio. — Me deixa ir embora! Não dá pra entender! Por quê está fazendo isso?
Estava de pé, me recusando a atuar no teatrinho dele, minha raiva era maior que o medo.
— Oh, Any... calma, meu bem. — se inclinou, os olhos brilhando com uma crueldade fria. — Não quer que eu me irrite e te dê outro tapa nesse rostinho lindo, quer?
— Para de ser doente! — berrei, de arder o peito. — Me leva de volta! Estão todos loucos me procurando! Você não vai se safar, Josh!
— Any, meu amor. Senta.
Me recusei, cruzando os braços, mas dois capangas me forçaram na cadeira.
— Me solta, seus brutos! — apoiaram as mãos pesadas nos meus ombros. — Não encostem em mim! — gritava, me debatendo.