Noah é calmo, trabalhador e talentoso na cozinha - seu maior sonho é ter um restaurante próprio. Embora pareça transparente, guarda um lado oculto que evita revelar. Any, jovem professora determinada, é admirada por sua força e beleza, mas à noite...
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ANY GABRIELLY
As lágrimas escorriam como um rio sem fim, cada soluço rasgava meu peito. Trancada no banheiro, mal conseguia me acalmar, com Noah esmurrando a porta, sua voz rouca e raivosa implorando para que eu abrisse. A dor me engolia, uma ferida que sangrava mais a cada palavra que trocamos.
Outra vez. Outra briga.
Foi nossa segunda briga recente, mas nenhuma se comparava essa. Noah, meu porto seguro, um homem calmo e cheio de amor, estava irreconhecível, consumido por uma raiva que nunca imaginei ser possível. Eu também me perdi, gritando, cuspindo minhas vontades. Porém o ciúme dele, inflamado pela minha dança no Hel'as, transformou nossa casa em um campo de batalha de uns dias pra cá.
Feridos com palavras afiadas, cada uma um tinha um corte fundo. Eu estava devastada. De todas as pessoas, achei que Noah entenderia minha paixão pela dança. Sempre soube que o ambiente da boate não era o ideal, mas esperei apoio, compreensão. Criei expectativas, e o tombo foi brutal.
O respeito, que sempre era nosso alicerce, desmoronou em berros e grosserias. Nosso relacionamento, tão tranquilo, parecia perfeito até aquela bomba explodir. Eu sabia que a dança era um assunto delicado para ele desde que descobriu, mas nunca pensei que nos levaria àquele abismo.
Seu ciúme não era novidade. Pois eu também tinha. Eu via tal ciúme mesclados em momentos intensos, quando fazíamos amor — ou sexo, selvagem, ele me dominava, se mostrava possessivo, falava coisas. Era guiado pelos fetiches dele, que eu consentia, e até gostava, das marcas que ele deixava, do BDSM que explorávamos. Fora da cama, ele me protegia, caminhando na ponta da calçada ou quando perdeu a cabeça e partiu para cima de Josh por ele ter cruzado a linha comigo. Noah era pacífico, mas seu interior pulsava com uma intensidade que, naquela briga, escapou de todo controle. Vi um lado dele que me assustou, e isso me quebrou por dentro.
Depois de chorar até sentir que não havia mais lágrimas, saí do banheiro e encontrei a casa vazia. O silêncio era evidente. Tomei um copo d'água, tentando me recuperar, mas minha mente girava. Precisava ir ao Hel'as. Não estava em condições de dirigir, então chamei um Uber. Quando o aplicativo avisou que o carro estava a um minuto, peguei minha máscara para o look, tão distraída que esqueci o celular na bancada.
Saí, cada passo no automático, como se fugisse do vazio que Noah deixou. Me acertei com o Uber que confirmou o fechamento da corrida bem na minha frente. Entrei na boate com um enjoo que apertava o estômago, um peso que não conseguia explicar.
Precisava dançar — disse a mim mesma. O dinheiro daquela noite seria grande, e Heyoon contava comigo. Não era por causa do "convite" de Josh no evento, com aquele tom manipulador que me dava arrepios, mas pela Jeong. Ela precisava de uma dançarina experiente para impressionar investidores importantes.
Tentei filtrar as emoções, mas a tristeza e a dúvida me sufocavam. Será que eu e Noah vamos nos acertar? Ele vai me apoiar? Ou me deixar? Não podia ser egoísta e exigir que ficasse, mas a briga me fazia questionar se uma conversa ou um momento de paixão consertaria o que quebramos. Estávamos feridos, e eu temia que o amor não bastasse.